Para a mídia, Lorenzo Malheiros é o salvador impecável, o bilionário de sorriso magnético e mãos limpas que estampa capas de revistas. Para mim, ele é o arquiteto do meu sufoco. Ele me abduziu, me vigiou, me despojou de cada migalha de liberdade — tudo sob a fachada de uma crueldade fria e calculada.
Eu o odiava com cada célula do meu corpo. Jurava que o destruiria.
Até a noite em que os verdadeiros monstros do meu passado vieram me caçar nas ruas de São Paulo, e eu vi o homem irrepreensível perder o controle. Ele estraçalhou meus perseguidores sem sujar o terno, ajoelhou-se nos meus sapatos com as mãos banhadas de sangue e implorou pelo meu perdão com um desespero que me aterrorizou mais do que as suas correntes. Ele queimaria o mundo inteiro antes de deixar que alguém me arranhasse uma unha.
Ele é o meu carcereiro. O meu pesadelo. A única salvação que me resta.
Agora, as portas estão abertas... então por que sou eu quem está trancando a fechadura por dentro?