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《O Preço da Sombra》Capítulo 9

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Capítulo 9: A Rendição na Tempestade

A chuva torrencial castigava a cobertura de vidro da estufa, transformando a noite em um borrão cinzento e claustrofóbico. O cheiro de terra molhada e jasmim exótico misturava-se ao ar pesado daquele santuário de plantas raras.

Lorenzo estava parado no centro do piso de ladrilhos, com os ombros curvados sob o peso de uma exaustão que parecia vir de sua alma. Ele não usava o terno impecável de costume, mas sim uma camisa social escura com as mangas dobradas até os cotovelos.

Valentina aproximou-se devagar, sentindo o eco das revelações da cripta ainda reverberando em cada célula de seu corpo confuso. Ela olhou para o homem que destruíra o mundo para mantê-la segura, sem conseguir enxergar nele apenas o carcereiro de antes.

"Você disse que prefere ser o único monstro na minha vida", começou Valentina, com a voz trêmula competindo com o barulho da tempestade. "Mas você passou anos fingindo ser a própria escuridão para mim."

"A escuridão era o único lugar seguro onde eu podia esconder você dos verdadeiros monstros", respondeu Lorenzo, sem erguer os olhos do chão.

"E agora?", perguntou ela, dando mais um passo à frente, sentindo o peito apertar de uma forma dolorosa e desconhecida. "Agora que os assassinos dos meus pais foram eliminados e o seu império está limpo de ameaças, qual é a desculpa para me manter aqui?"

Lorenzo ergueu o rosto lentamente, revelando os olhos de âmbar dourado completamente vazios de sua habitual arrogância controladora.

"Não há mais desculpas, Valentina", disse ele com um sussurro rouco que parecia arranhar sua garganta. "O portão principal está aberto."

As palavras caíram no ar denso da estufa como uma lâmina afiada cortando o último laço invisível que os prendia. Valentina sobressaltou-se, sentindo um frio gélido subir pela espinha enquanto absorvia o significado real daquela permissão inesperada.

"O que você quer dizer com o portão está aberto?", balbuciou ela, com o coração falhando uma batida no peito.

"Significa que você ganhou a sua guerra contra mim", respondeu Lorenzo, caminhando em direção ao painel eletrônico na parede lateral. "Você pode ir embora agora mesmo, para onde quiser, e ninguém neste país ousará impedir seus passos."

Com o apertar de um botão, o mecanismo hidráulico acionou-se com um zumbido abafado, e as portas duplas de vidro da estufa se abriram. O vento gélido da tempestade invadiu o recinto, chovendo gotas miúdas sobre o piso e agitando os cabelos soltos de Valentina.

Lorenzo deu um passo para trás, entregando o próprio pescoço à mercê dela, desarmado e completamente resignado à própria derrota. Aquele tirano implacável, que outrora queimaria cidades para mantê-la presa, agora estava se ajoelhando metaforicamente diante de sua escolha.

"Vá", murmurou Lorenzo, apontando com a mão trêmula para a escuridão da alameda de árvores fora da estufa. "Aproveite a liberdade pela qual você chorou e lutou desde o primeiro dia em que pisou nesta casa."

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Valentina virou-se para a abertura, fitando a noite escura, chuvosa e vazia que se estendia além do limiar da porta de vidro. Deu três passos trôpegos em direção à saída, sentindo um vento gélido e desolador congelar a sua pele.

Mas, em vez do alívio que tanto esperara sentir, o que a atingiu foi um vazio imenso, profundo e insuportável. O mundo real lá fora parecia cinzento, desprovido de cor, de perigo eletrizante e daquela devoção doentia que se tornara o seu oxigênio.

Ela percebeu, com um sobressalto de pavor lúcido, que já não conseguia respirar em um universo onde os olhos de Lorenzo não a vigiassem.

Valentina parou no meio do caminho, com os punhos cerrados e as lágrimas misturando-se à chuva que respingava em seu rosto.

"Você acha que é tão fácil assim?", disse ela, com a voz cortante ecoando no espaço úmido da estufa.

Lorenzo sobressaltou-se, erguendo o olhar surpreso para ela, sem compreender o tremor furioso que sacudia o corpo da prisioneira.

"O que você está dizendo?", perguntou ele, dando um passo incerto em sua direção. "O caminho está livre. Ninguém vai te prender."

"Você me trancou na sua mente por cinco anos, Lorenzo", disparou ela, virando-se bruscamente para encará-lo com os olhos verdes faiscando. "Você me estudou, me protegeu, sangrou por mim e agora acha que pode simplesmente abrir a porta e fingir que eu sou livre?"

"Eu estou te libertando da minha loucura!", exclamou Lorenzo, com a voz falhando em um desespero cru. "Você merece a paz, Valentina!"

"Eu não quero paz!", gritou ela, cruzando o espaço entre eles com passos rápidos e furiosos. "A paz é sem graça, é vazia, é o que eu tinha antes de você me arrastar para este inferno!"

Lorenzo ficou paralisado, com as pupilas dilatadas enquanto as palavras dela batiam contra o seu peito como ondas em uma rocha.

"Você me viciou na sua escuridão", continuou Valentina, a voz embargada enquanto parava a poucos centímetros dele, sentindo o calor do seu corpo. "Você acha que eu consigo voltar para a mediocridade de uma vida comum depois de saber que o homem mais poderoso do país queimaria o mundo por um suspiro meu?"

"Valentina...", sussurrou ele, erguendo as mãos com medo de tocá-la, como se temesse que ela fosse uma miragem passageira.

"Você quer que eu vá embora?", desafiou ela, com um sorriso trêmulo e feroz nos lábios. "Então me mande embora com as suas próprias mãos, me tire daqui à força."

Lorenzo balançou a cabeça negativamente, com as lágrimas finalmente rompendo a barreira de seus olhos claros e misturando-se à água da chuva.

"Eu não consigo", confessou ele em um sussurro doloroso, desabando de vez. "Se eu abrir a minha mão, serei eu quem vai morrer."

Valentina não hesitou mais. Com um movimento rápido e definitivo, ela deu meia-volta, ignorando a chuva que encharcava suas roupas.

Ela correu até o batente das portas duplas de vidro da estufa, agarrou as maçanetas pesadas e puxou-as com toda a força de seus braços. As portas fecharam-se com um estrondo metálico que ecoou pela propriedade, abafando o som da tempestade lá fora.

Na fechadura de metal embutida, a pequena chave de segurança prateada ainda estava encaixada por precaução. Valentina girou a chave com um movimento firme e cortante, trancando a saída de uma vez por todas.

Sem olhar para trás, ela puxou a chave da fechadura e, com um gesto carregado de fúria e entrega absoluta, arremessou-a para longe. A chave prateada voou pela escuridão e caiu profundamente entre os arbustos densos e lamacentos do jardim externo, desaparecendo para sempre.

Ela virou-se para Lorenzo, que a observava em absoluto transe, com o peito arfando desordenadamente diante daquele ato irreversível.

"Agora feche a porta de verdade, seu idiota", sibilou Valentina, avançando para ele e colando seu corpo trêmulo ao dele. "Porque eu nunca mais vou sair daqui."

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