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《O Preço da Sombra》Capítulo 3

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Capítulo 3: O Banquete do Predador

A lente da câmera ainda piscava com sua luz vermelha na biblioteca quando Silas apareceu silenciosamente na soleira da porta.

O chefe da segurança não fez nenhum movimento brusco, mantendo a postura rígida e o olhar fixo na parede de madeira.

"O senhor Malheiros aguarda a senhorita na sala de jantar principal para a refeição desta noite", anunciou Silas com polidez cortante.

Valentina virou-se lentamente, o peito ainda arfando com os resquícios da raiva que sentira ao desafiar o monitor.

"Diga ao seu patrão que eu não tenho fome e que prefiro morrer de injeção de glicose a sentar com ele", retrucou Valentina com acidez.

"O senhor Malheiros especificou que a presença da senhorita é obrigatória", respondeu Silas, sem que um único músculo do seu rosto se alterasse.

Percebendo que recusar à força resultaria apenas em ser carregada por aqueles braços grossos, Valentina ergueu o queixo com desafio.

"Então vamos ver que tipo de banquete o monstro preparou para a sua prisioneira", disse ela, passando por Silas com passos altivos.

O trajeto até a sala de jantar principal revelou corredores imensos iluminados por lustres de cristal que custavam mais do que um apartamento comum.

A mesa de jantar era de uma madeira escura e polida, estendendo-se por metros com uma elegância fria e desproporcional para apenas duas pessoas.

Lorenzo já estava sentado à cabeceira, vestindo uma camisa preta de seda cujos botões superiores deixavam ver a pele fria.

Ele ergueu o olhar de âmbar dourado no instante em que Valentina entrou no recinto, e um brilho febril cruzou suas pupilas claras.

"Você está deslumbrante vestida de ódio, passarinha", disse Lorenzo com um sorriso suave, gesticulando para a cadeira à sua frente.

"Poupem-me dos elogios falsos", disse Valentina, puxando a cadeira com violência e sentando-se sem esperar por qualquer permissão.

"Sirvam o jantar", ordenou Lorenzo para os empregados que aguardavam em silêncio nas sombras, mantendo os olhos fixos nela.

Pratos de porcelana fina foram dispostos na mesa, repletos de iguarias caras que exalavam aromas requintados, mas nenhum dos dois tocou em nada.

Lorenzo serviu um pouco de vinho tinto em uma taça de cristal cristalino e empurrou-a delicadamente pelo tampo polido da mesa.

"Beba um pouco", pediu ele com a voz mansa, quase suplicante. "Ajuda a acalmar os nervos após um dia de descobertas."

Valentina encarou a taça vermelha como se fosse veneno puro, sentindo a ironia daquela falsa cortesia revirar seu estômago.

Com um movimento rápido e deliberado, ela pegou a taça, levou-a aos lábios e deu um gole apenas para girar o líquido.

Em seguida, sem desviar os olhos das pupilas dilatadas de Lorenzo, ela cuspiu o vinho de volta, espalhando manchas vermelhas pela toalha branca.

O silêncio que se abateu sobre a sala de jantar foi tão profundo que parecia palpável, cortado apenas pelo tiquetaque de um relógio antigo.

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Os empregados prenderam a respiração, congelados em seus lugares, esperando que a fúria do bilionário desabasse sobre a audaciosa prisioneira.

No entanto, Lorenzo não gritou e nem demonstrou raiva; ele apenas soltou uma risada baixa, rouca e profundamente perturbadora.

"Você acha que desperdiçar vinho me ofende?", perguntou ele, inclinando o tronco para a frente com perigoso interesse.

"Eu quero saber por que estou aqui", sibilou Valentina, batendo as palmas das mãos abertas contra a madeira escura da mesa.

"Você está aqui porque este é o seu lugar", respondeu Lorenzo, mantendo a calma exasperante enquanto limpava os lábios com um guardanapo.

"Meu lugar? Você me sequestrou, me trancou em uma mansão vigiada por câmeras e acha que isso é algum tipo de favor?", gritou ela.

"Eu não fiz um favor, Valentina. Eu fiz uma escolha inevitável", disse ele, com a voz perdendo o tom leve e ganhando gravidade.

"Você não passa de um monstro disfarçado de filantropo", disparou Valentina, cravando as unhas na toalha. "Um psicopata com complexo de deus!"

As palavras cortaram o ar como vidro quebrado, mas Lorenzo não recuou; pelo contrário, o sorriso dele sumiu, dando lugar a uma intensidade sombria.

"As pessoas aplaudem o que eu construo lá fora porque elas não conhecem a podridão que existe naquele mundo", disse ele friamente.

"E você se acha o salvador da pátria?", zombou Valentina com um riso amargo. "Você é o pior de todos os monstros!"

"Se eu sou um monstro, é porque o mundo me ensinou que ser gentil é deixar o que se ama ser destruído pelos abutres", retrucou Lorenzo.

"Eu não amo você, e nunca pedi para ser salva por um louco!", esbravejou ela, sentindo as lágrimas de impotência formigarem nos olhos.

"Você não precisa me amar agora", respondeu ele com uma certeza aterrorizante. "O amor é uma consequência do tempo que passaremos juntos."

"Eu prefiro morrer a passar mais um dia sob o seu controle!", disse Valentina, com a voz trêmula de pura revolta.

"A morte não vai visitar você enquanto eu estiver respirando", murmurou Lorenzo, recostando-se na cadeira com uma elegância intocável.

"Você acha que controla tudo", desafiou ela, erguendo o queixo trêmulo. "Acha que pode comprar a vida de todo mundo em São Paulo."

"Eu não compro vidas, Valentina. Eu apenas protejo o que é meu antes que os outros tenham a chance de corromper", disse ele calmamente.

"Eu não sou sua!", gritou ela, sentindo o peito apertar de pavor diante daquela obsessão cega e intransigente.

"Você é desde o dia em que cruzou a porta daquela galeria de arte há quatro anos", confessou Lorenzo, sem esconder mais nada.

"Você é completamente insano", sussurrou Valentina, sentindo um calafrio gélido descer pela espinha com a revelação daquele tempo todo de vigília.

"Talvez eu seja", disse ele, levantando-se devagar da cadeira e contornando a extensão da mesa com passos felinos e silenciosos.

Valentina tentou se afastar, mas as costas de sua cadeira bateram contra a parede de lambri, bloqueando qualquer tentativa de fuga imediata.

Lorenzo parou bem diante dela, inclinou o corpo maciço para a frente e estendeu a mão com uma precisão assustadora.

Os dedos longos e fortes dele cravaram-se no queixo dela com uma força cirúrgica, impedindo-a de virar o rosto para o lado.

"Tudo o que você tinha fora daqui já virou cinzas, passarinha", sussurrou ele, com os olhos de âmbar brilhando com uma promessa perigosa.

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