Quando o “sistema” decidiu que eu era um obstáculo para a felicidade da heroína, ele simplesmente me apagou. Fingiu minha morte. E quando abri os olhos, seis anos haviam se passado. Encontrei-me nas ruas, suja, sem dinheiro, com um pé descalço, saindo das cinzas de um passado que não era meu. Eles, o herói e a heroína, viviam felizes. Meu filho chamava outra de “mãe”.
Desesperada, enviei uma mensagem para a única pessoa cujo número nunca esqueci: Bernardo Cavalcante. Mas quem atendeu foi uma voz infantil, dura e desconfiada. Mesmo assim, ele veio me buscar.
Agora, de volta à casa que já foi minha, descobri as mensagens desesperadas que ele enviou todos esses anos, recusando-se a acreditar na minha morte. Descobri que a “heroína” que me substituiu era uma farsa. E descobri que meu filho, aquele garotinho que fingia não se importar, ainda guardava a lembrança de uma mensagem fraudulenta que mandei… ou melhor, que alguém mandou em meu nome.
Parece que o “sistema” cometeu um erro fatal. E Bernardo não está disposto a me deixar ir novamente. Mas como reconstruir uma vida e um amor depois de seis anos de ausência? Como ser mãe para um filho que cresceu sem mim? E como aprender a confiar, quando fui apagada uma vez?