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《De Volta Após 6 Anos》Capítulo 4

— Como é possível você ainda estar viva? 

Ela mordia o lábio, com a voz aguda e estridente. 

— O Sistema disse claramente que você tinha morrido! Se você estivesse morta, o Bernardo se apaixonaria por mim!

Eu a encarei com serenidade. Não digitei nada, nem fiz sinais.

Isso porque Bernardo já havia se colocado à minha frente, bloqueando a visão dela.

— Fora daqui 

Ele disse, olhando para Isadora com uma frieza cortante, como se encarasse um cadáver. 

— Nunca mais apareça na frente dela, ou eu farei você se arrepender de ter nascido.

Isadora recuou, aterrorizada pelo seu olhar, e saiu tropeçando e correndo da mansão dos Cavalcante.

Desde aquele dia, nunca mais a vi. Bernardo me contou que ela foi colocada na "geladeira" pela agência por quebra de contrato e acabou deixando a capital, humilhada. 

Aquele suposto "Sistema" também parece ter se desligado após o fracasso total da missão.

Os dias se passaram e Théo chegou à idade de frequentar a escola primária. No primeiro dia de aula, Bernardo e eu fomos levá-lo.

Os portões da escola estavam lotados. Bernardo me protegia com firmeza, temendo que eu fosse empurrada pela multidão. 

Théo, com sua pequena mochila nas costas, parou na entrada e acenou para nós.

— Papai, Mamãe, tchau! — ele gritou a plenos pulmões.

"Mamãe."

Foi a primeira vez que ele pronunciou essas duas palavras com clareza na minha frente. Meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente; cobri a boca com a mão, acenando a cabeça freneticamente.

Bernardo envolveu meus ombros com o braço e beijou o topo da minha cabeça.

— Vamos para casa, meu amor.

Na verdade, eu sempre tive uma ferida aberta no coração. Eu sentia que, por ser muda, não era digna de Bernardo, nem de um filho tão maravilhoso como Théo.

Até que um dia, por acaso, abri uma gaveta no escritório de Bernardo. Lá dentro, havia uma pilha grossa de manuais de linguagem de sinais, repletos de anotações detalhadas.

Havia também uma foto amarelada de quando eu tinha dezoito anos, lendo um livro no jardim da mansão. No verso da foto, uma frase escrita com caligrafia firme e poderosa:

"Minha estrela, não importa quanto tempo leve, esperarei você voltar para casa."

Lágrimas pesadas caíram sobre o papel, borrando a tinta. A porta se abriu e Bernardo entrou apressado. Ao ver o que estava em minhas mãos, ele paralisou por um segundo e, logo em seguida, soltou um riso resignado.

— Você descobriu.

Ele se aproximou e me envolveu em seus braços.

— Rora, você nunca foi um fardo para mim. Você é a minha salvação.

Para me ver feliz, Bernardo contratou os melhores especialistas para tratar minha garganta.

O médico disse que minhas pregas vocais não estavam completamente mortas; com persistência no tratamento, havia esperança de recuperar a fala.

Isso se tornou a minha maior expectativa diária. Todas as manhãs, eu me postava diante do espelho, esforçando-me para praticar a fonética.

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— "Ah..."

Embora o som ainda saísse rouco e difícil, Bernardo sempre estava ao meu lado, me incentivando.

— Está lindo, Rora. Você está indo muito bem.

Seu olhar era tão sincero que me fazia acreditar que, no mundo dele, eu era perfeita.

Théo tem andado muito angustiado ultimamente. Ele descobriu que seu pai está ficando cada vez mais abusado.

— Papai, por que você está monopolizando a mamãe de novo?! — 

O pequeno reclamou, com as mãos na cintura e as bochechas infladas de raiva na porta do quarto principal.

Bernardo fechou a porta sem piedade, deixando o filho do lado de fora.

— Porque ela é minha esposa. Se você quer uma esposa, cresça e conquiste a sua.

Ouvimos o som dos passos de Théo marchando irritado pelo corredor. Eu ri e dei um empurrão de leve em Bernardo:

— Por que você gosta tanto de implicar com ele?

Ele aproveitou o movimento para me prensar contra a porta e me deu um selinho demorado.

— Porque ele vive tentando te roubar de mim — ele disse, cheio de razão. — Você é o tesouro que eu tive tanto trabalho para recuperar.

O processo de tratamento foi longo e doloroso. Houve momentos em que pensei em desistir. 

Foi Bernardo quem esteve sempre ao meu lado, segurando minha mão e repetindo várias vezes: "Não importa. Mesmo que você nunca mais fale, eu ainda vou te amar".

Sob seus cuidados, finalmente consegui emitir alguns fonemas simples. Embora ainda não pudesse formar frases completas, para mim, aquilo já era um milagre grandioso.

Naquele dia, diante dele, fiz um esforço imenso para abrir a boca.

— Ber... nardo...

Pela primeira vez em seis anos, eu chamei o nome dele em voz alta. Os olhos de Bernardo ficaram vermelhos instantaneamente. Ele me abraçou com tanta força que parecia querer me fundir ao seu próprio corpo.

— Estou aqui, Rora. Eu estou aqui.

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