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《De Volta Após 6 Anos》Capítulo 2

Aqueles que anseiam por amor, no geral, têm muita dificuldade em encontrá-lo.

Assim como eu, que quando criança buscava o afeto materno, mas nunca recebi sequer um pingo de favoritismo da minha mãe.

O único elogio que ela me dirigiu foi na noite em que fui escolhida por Bernardo.

Por isso, aceitei que o Bernardo, que nunca me pertenceu, estava destinado a se afastar de mim.

Seis anos atrás, antes daquele incêndio, Isadora Bragança me mostrou o futuro dela com Bernardo.

Descobri que eu não passava de uma "vilã" coadjuvante: alguém que teve uma noite caótica com o protagonista por acidente, engravidou em segredo e tentou usar a criança para extorquir uma fortuna.

Nesse futuro, eu morreria em um incêndio.

Após a minha morte, Isadora "salvaria" Bernardo, e anos depois eles viveriam felizes e realizados.

Até o meu filho aceitaria outra pessoa como sua nova mamãe.

Ao terminar de ver aquilo, senti um vazio profundo. Então, na história dos outros, eu era alguém tão terrível assim?

Mais tarde, eu realmente acabei presa em um grande incêndio.

Só tive tempo de empurrar meu filho por uma fresta estreita antes que as chamas me cercassem completamente, bloqueando qualquer saída.

Engasguei com a fumaça densa e, ao abrir os olhos novamente, acordei aqui, seis anos depois.

Eu sou muda. Não consigo dizer palavras doces, nem revidar insultos.

Não consigo ganhar nem uma discussão boba.

Se não estivesse realmente sem saída, com apenas o número de Bernardo gravado na memória, acho que nunca mais nos veríamos.

Mas agora, sinto um pouco de arrependimento.

Nunca planejei voltar para a família Cavalcante; imaginei que Bernardo apenas jogaria algum dinheiro na minha cara e me mandaria embora sem hesitar.

Afinal, aos olhos dele, aquela noite confusa foi uma armação minha e da família Paixão.

Porém, algo parecia estar fora do lugar.

Comecei a me sentir inquieta, como se estivesse sentada sobre brasas. Quis dizer que não queria mais o dinheiro, que queria descer do carro.

Mas Théo empurrava o celular dizendo que não sabia ler, e o motorista seguia focado no trânsito à frente.

Assim, só pude observar, impotente, enquanto o carro entrava na garagem da mansão dos Cavalcante.

Para meu alívio, Bernardo não estava em casa.

O motorista explicou que ele havia viajado para o exterior naquela manhã para tratar de negócios e só voltaria na semana seguinte.

Meu celular antigo havia sido destruído no incêndio.

Ao colocar o chip em um aparelho novo e ligá-lo, uma enxurrada de mensagens brotou na tela, fazendo o sistema travar por um instante. Levei um susto.

As mensagens da operadora mostravam que alguém havia depositado uma quantia exorbitante de créditos no meu chip.

E a maioria das chamadas perdidas e mensagens vinha de um único número familiar.

Pressionei os lábios e comecei a ler, de cima para baixo.

[Aurora Paixão, você dorme comigo e foge?]

[Eu não estou bravo. Apareça, pare de se esconder.]

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Essas mensagens eram da época em que a família Paixão me arrastou de volta e me trancou no sótão, forçando-me a ter o bebê escondida.

Naqueles meses, meu celular fora confiscado e eu estava incomunicável.

[...Disseram que você morreu, mas eu não acreditei.]

[A família Paixão quis trocar a criança por aqueles terrenos na zona leste. Eu aceitei.]

[Quanto eu preciso pagar para você aparecer de novo?]

[O menino é a sua cara.]

[Hoje alguém usou seu nome para aplicar um golpe e tirou duzentos reais do Théo.]

[Sua boba, se você não aparecer, vão acabar levando seu filho também.]

A última mensagem era de dois anos atrás.

[Quando vir isso, me ligue.]

Depois disso, o silêncio.

Pensei que, talvez, aquele fosse o momento em que Isadora finalmente conseguiu "salvar" Bernardo.

Por isso, ele desistiu de me enviar mensagens. Abaixei os olhos, sentindo um aperto no peito que quase me sufocava, sem saber o motivo exato.

Na verdade, eu vi. Enquanto esperava por Théo na rua, olhei para o telão de um shopping e vi Isadora como o rosto de uma das marcas do Grupo Cavalcante.

Naquele momento, as lágrimas caíram sem que eu percebesse, e parecia impossível secá-las.

Realmente, ninguém morre por falta de alguém.

Agora que eles estão felizes, minha presença seria apenas um estorvo.

Eu estava prestes a partir quando Théo apareceu diante de mim e, por uma ironia do destino, acabei entrando no carro e voltando para esta casa.

Cheguei o saldo do meu cartão. Não sei se a família Paixão desprezava as migalhas que eu tinha ou se realmente não se importavam comigo, mas após a minha "morte" há seis anos, eles nem sequer encerraram minha conta bancária.

Com um saldo que me trazia certa segurança, decidi transferir o valor do celular e das roupas para um dos funcionários da casa repassar depois.

Eu precisava ir embora. Se todos estão felizes, é melhor não incomodar.

Assim que abri a porta, Théo, que estava do lado de fora, deu um passo atrás, assustado. Ele ergueu o queixo e, com aquela vozinha infantil tentando soar indiferente, perguntou:

— Onde você vai?

Eu já tinha baixado um aplicativo de voz no quarto.

Digitei as palavras no tradutor e apertei o play.

— "Obrigada por tudo, mas eu preciso ir."

O tempo é algo fascinante. O bebê que chorava nos meus braços há poucas horas, num piscar de olhos, já estava correndo e pulando.

Ele arregalou os olhos, que se encheram de lágrimas instantaneamente. Ele agarrou minha mão com força, em pânico, e gritou:

— Não! Você ainda me deve dinheiro, não pode ir embora!

Toda aquela pose de indiferença de antes desapareceu.

Eu me agachei para ficar na altura dele e, com todo o carinho do mundo, acariciei seu cabelo preto e macio.

Eu vi aquele futuro. Nele, todos eram felizes. Théo tinha uma mãe perfeita e crescia saudável e alegre.

Ele não teria avôs gananciosos, nem uma mãe que não consegue falar e que ninguém quer por perto.

Apertei o botão de reprodução novamente, e a voz mecânica ecoou pelo corredor silencioso.

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