"Você disse antes para eu te esperar voltar, que tinha algo a me dizer. O que era?"
Ele virou-se para me olhar, o luar iluminando seu rosto.
"Queria dizer: venha comigo para Pequim. Não para conhecer minha família, mas para ver que eu não sou como ele, e que a minha família não é a dele."
Fiquei em silêncio por um longo tempo.
"Não estou pronta."
"Não estou pronta para estar com você, nem pronta para construirmos uma família."
"Eu sei", a voz dele era suave, "então eu espero."
Nesse momento, o celular tocou.
Atendi; era a professora, com a voz urgente: "Professora, algo terrível aconteceu! A menina sumiu!"
"Ela saiu da escola esta tarde e não voltou! Alguém a viu correndo em direção à montanha, onde houve um deslizamento de terra há poucos dias..."
Capítulo 25
Ela era nossa aluna, uma menina tímida e sensível.
Levantei-me de um salto.
"Quando foi isso?"
"Às três da tarde. Já são nove da noite, estamos procurando há seis horas!"
A professora chorava do outro lado da linha: "Estamos procurando na montanha, mas a área é grande demais, não temos gente suficiente..."
Ele já pegava as chaves do carro: "Eu dirijo, conversamos no caminho."
Voltamos para o acampamento durante a noite.
A estrada da montanha era difícil, ele dirigia rápido e eu não impedi.
Os três trajetos de horas foram percorridos em duas horas e meia.
A equipe de busca estava prestes a subir a montanha pela segunda vez.
A trilha estava cheia de escombros de deslizamentos e árvores caídas.
Meu braço esquerdo ainda não estava totalmente curado, então segurei a lanterna com a mão direita e caminhei com dificuldade.
"Menina!" gritei.
Apenas o eco respondeu.
Após mais de uma hora de caminhada, a lanterna iluminou uma pequena silhueta encolhida atrás de uma pedra.
"Achei!"
A menina estava coberta de lama, com as pernas feridas e inconsciente.
Corri, abaixei-me e toquei sua testa; estava fervendo.
Ele falou pelo rádio: "Encontramos a pessoa, na encosta noroeste, precisamos de suporte médico."
Pelo rádio, a voz do médico respondeu: "Estou perto, chego em dez minutos."
Abracei a menina, sem ousar movê-la. Sua perna parecia ter sido atingida por uma pedra e o osso podia estar quebrado.
Ele chegou correndo. Respirando pesado, abaixou-se, examinou a perna e fez uma imobilização técnica.
"Precisamos levá-la ao hospital imediatamente. Fratura na perna, possível hemorragia interna."
A maca da equipe de busca chegou, e transportaram a menina com cautela.
A descida foi mais difícil que a subida; ele caminhava ao lado da maca, apoiando-a com uma mão e iluminando o caminho com a outra.
Caminhei atrás, tropecei e ele estendeu a mão para me segurar.
"Cuidado."
Assenti e continuei.
Ao chegar à base, a ambulância seguiu direto para o posto de saúde.
O médico subiu na ambulância, e eu tentei seguir, mas ele me bloqueou.
"Vá com o carro do professor."
Fiquei atônita.
Ele fechou a porta e a ambulância partiu. Fiquei ali, vendo as luzes traseiras sumirem.
O professor se aproximou e colocou seu casaco sobre meus ombros.
"Vamos."
No posto de saúde, a menina já estava no centro cirúrgico.
O médico era o cirurgião principal.
Sentei-me na cadeira de plástico, com as mãos entrelaçadas, as unhas cravadas no dorso das mãos.
O professor sentou-se ao meu lado e separou meus dedos, segurando minha mão na dele.
"Ficará tudo bem."
A cirurgia durou duas horas. O médico saiu, tirou a máscara e limpou o suor.
"Cirurgia bem-sucedida. A perna foi salva, sem hemorragia interna." Ele olhou para mim. "Ela está bem."
Levantei-me e fui até ele.
"Obrigada", eu disse.
Ele olhou para mim, seus lábios se moveram, e ele disse apenas: "É meu dever."
Ele olhou para mim e para o homem ao meu lado e pensou:
Você disse uma vez que tinha medo de que as pessoas ao seu redor sofressem, e que sempre carregava tudo sozinha. Agora não precisa mais; há alguém para dividir o peso com você.
Ele pensou: Se você for feliz, não importa que não seja comigo.
Tudo isso já é suficiente.
...
No dia seguinte, os pais da menina chegaram e ajoelharam-se diante de mim.
Eu os levantei: "Ela é minha aluna, é meu dever."
Depois de acordar, a menina segurou minha mão: "Professora, por favor, não vá embora."
Olhei nos olhos dela, em silêncio por um longo tempo.
"Voltarei para te ver."
Mostrei o cartão bancário dela para o professor.
"Quero usar o dinheiro que ela guardou para construir uma biblioteca na escola do vilarejo. Vou chamá-la de 'Biblioteca da Menina'."
O professor disse: "Eu pago o restante."
"Não, eu farei isso sozinha."
"Está bem. O que você quiser fazer, eu te apoio."
Um mês depois.
Estávamos no portão da escola, observando a nova biblioteca.
A placa dizia "Biblioteca da Menina", brilhando sob o sol.
A professora e as crianças nos cercavam, conversando alegremente.
Ao longe, uma silhueta observava sob uma árvore.
O médico vestia roupas comuns e carregava uma mala.
Ele estava indo embora.
O pedido de transferência fora reaprovado; desta vez, para um posto de saúde em uma cidade remota.
Ele queria ficar longe o suficiente para não sentir vontade de vê-la.
Ele virou-se e deu alguns passos.
Atrás dele, ouviu as crianças: "Obrigada, professora! Obrigada, professor!"
Ele não olhou para trás.
O celular vibrou; era uma mensagem dela.
Apenas uma frase: "Adeus, nunca mais nos veremos."
Desta vez, a despedida não tinha data de retorno.
Ele olhou para trás, observando os dois.
Parados ao vento, abraçados.
Ela tinha alcançado sua felicidade.
E ele sentia-se feliz pela felicidade dela.
Tudo estava completo.
[Fim da história]