Depois que ela foi embora, o Sr. Geraldo me entregou a nova lista do comitê de moradores.
“Todos querem que a senhora seja a supervisora.”
Balancei a cabeça imediatamente.
“Não tenho tempo.”
O Sr. Geraldo disse: “Não precisa administrar nada, é apenas para ajudar a conferir os materiais quando houver gastos vultosos.”
Sofia riu ao lado.
“Sr. Geraldo, o senhor notou que ela sabe conferir contas, não é?”
O Sr. Geraldo suspirou.
“Ficamos traumatizados com as trapaças.”
Pensei um pouco.
“Tudo bem. Mas todos os materiais devem ser públicos, não me enviem nada em particular.”
O Sr. Geraldo assentiu repetidamente.
“Com certeza.”
Nesse momento, um choro surgiu fora da multidão.
Dalva apoiava Beto enquanto se aproximavam.
A camisa branca de Beto estava amassada como um pano de prato.
Ele parou em frente ao mural, olhou para a sentença e seu rosto se contorceu.
Dalva o empurrou.
“Fale.”
Beto cerrou os dentes.
“Elara, desculpe-me.”
A voz estava muito baixa.
Sofia disse imediatamente: “Não ouvi.”
O rosto de Beto ficou da cor de fígado de porco.
Todos os moradores ao redor o observavam.
Ele elevou o tom de voz.
“Elara, desculpe-me. Eu não deveria ter me mudado para sua casa sem seu consentimento, não deveria ter pegado suas coisas, não deveria ter forjado o acordo para forçá-la a assinar.”
Dalva também seguiu o exemplo:
“Desculpe-me.”
Luma estava parada atrás, com os olhos inchados.
“Desculpe-me. Eu não deveria ter feito aquela postagem, nem gravado o vídeo para manipular a opinião pública.”
Olhei para eles.
Um pedido de desculpas tardio é como um remédio vencido.
Pode provar que a doença existiu.
Mas não cura a ferida.
Disse: “A indenização será executada conforme a sentença. O pedido de desculpas público deve ser publicado no grupo do condomínio e mantido lá por sete dias.”
O rosto de Beto travou.
“Ainda tenho que publicar no grupo?”
Sofia riu.
“Na hora de espalhar boatos, você não fez isso com facilidade?”
Beto ficou sem palavras.
Ele tirou o celular e, diante de todos, publicou o pedido de desculpas no grupo do condomínio.
Desta vez, ninguém no grupo o defendeu.
Alguém respondeu:
“Não fiquem de olho na casa dos outros daqui em diante.”
Outro respondeu:
“Elara lidou com isso de forma brilhante.”
Alguém também escreveu:
“A casa não pertence a quem grita mais alto.”
Olhei para essa frase.
Foi como ver um círculo finalmente se fechar.
À tarde, Arthur também enviou uma carta de desculpas.
Não foi por mensagem privada.
Foi publicada nos grupos de familiares e amigos de ambos, conforme exigido pela sentença.
Ele declarou que forjou a assinatura, levou pessoas estranhas para dentro da minha casa sem permissão, enganou parentes e amigos, e feriu a mim e à memória da minha mãe.
A mãe de Arthur não xingou desta vez.
Ela saiu do grupo.
O hotel do casamento devolveu parte do valor.
O contrato das fotos de casamento foi cancelado.
Devolvi o dinheiro que pertencia à família de Arthur.
Recuperei todo o dinheiro que era meu.
Sofia me acompanhou para receber o reembolso.
Ela se espreguiçou na porta do hotel.
“Esse cancelamento de casamento foi mais agitado do que o próprio casamento.”
Disse: “Pagarei um jantar para você mais tarde.”
“Tem que ser um banquete.”
“Hot pot?”
Ela balançou as mãos imediatamente.
“Nem fale em hot pot. Só de pensar naquela panela de pimenta na sua sala, dá vontade de jogar Beto lá dentro para escaldar.”
Finalmente ri alto.
Depois de rir, meus olhos ficaram ardendo.
Sofia percebeu, mas não comentou.
Apenas abraçou meu braço.
“Vamos, para casa.”
Disse: “Sim, para casa.”
Desta vez, a palavra "casa" não parecia ter sido pisoteada por ninguém.
Capítulo 27
Um mês depois, terminei de arrumar a casa completamente.
Troquei a capa do sofá por uma nova.
Pintei as paredes novamente.
Coloquei a moldura da foto da minha mãe de volta no lugar mais iluminado da sala.
A caixa de joias foi consertada, ainda restando uma pequena marca na quina.
Não a removi.
Era um lembrete.
Nem todos merecem entrar por esta porta.
O Diretor Gu veio jantar em casa.
Ele trouxe uma caixa de doces da antiga fábrica.
Sentado na sala, olhou para a foto da minha mãe por um longo tempo.
“Quando sua mãe era jovem, ela era muito parecida com seu avô. Teimosa.”
Servi chá para ele.
“Ela dizia que eu sou parecida com ela.”
O Diretor Gu riu.
“Ambos.”
Ele colocou um material sobre a mesa.
“Os trâmites daquela antiga parcela de dividendos do seu avô foram concluídos. Não vou falar o valor aqui, confira você mesma. Se quiser fazer algo no futuro, pode me procurar.”
Não abri o envelope imediatamente.
“Tio Gu, ainda trabalho na repartição.”
“Eu sei.” Ele tomou um gole de chá. “Não estou pedindo para você pedir demissão. Só quando uma pessoa tem segurança, não teme que os outros usem a sobrevivência para te ameaçar.”
Assenti.
Guardei essas palavras.
À noite, Sofia veio jantar.
Assim que entrou, checou os chinelos.
“Esses são novos?”
“Sim, novos.”
“E o pijama?”
“Joguei fora.”
“E as cortinas?”
“Lavei, não quis trocar. Foi minha mãe quem escolheu.”
Sofia assentiu.
“Certo, o passado foi embora, as lembranças ficaram.”
A campainha tocou.
Olhei para Sofia.
Na tela, estava o filho de Beto.
Ele segurava um envelope de papel.
Sofia franziu a testa.
“O que esse garoto veio fazer de novo?”
Abri a porta, sem deixá-lo entrar.
Ele me entregou o envelope.
“Este é um álbum de fotos que minha mãe levou anteriormente. Só encontrei hoje ao arrumar as coisas.”
Peguei o álbum.
Nele, havia fotos da minha mãe quando jovem.
Folheei duas páginas e minhas mãos pararam.
Ele disse em voz baixa: “Meus pais estão se mudando. Luma também saiu da cidade para procurar emprego em outro lugar. Nossa família se dissolveu.”
Sofia cruzou os braços.
“Não tente parecer uma vítima.”
Ele assentiu.
“Sei que não sou.”
Ele olhou para mim.
“Elara, pensei depois que, se você não tivesse chamado a polícia naquele dia, talvez tivéssemos realmente te forçado a assinar. Desculpe-me.”
Disse: “Da próxima vez, não fique em silêncio ao lado de pessoas más.”
Ele respondeu em voz baixa: “Não ficarei.”
Depois que ele foi embora, Sofia folheou o álbum.
“Que bom que foi recuperado.”
Olhei para minha mãe na foto.
Ela estava parada na entrada da antiga fábrica, cercada por jovens trabalhadores.
Meu avô estava sentado no centro, rindo de forma radiante.
No verso da foto, havia uma frase escrita:
“A porta deve ser aberta para os convidados, não para os lobos.”
Coloquei a foto de volta no álbum.
Sofia perguntou: “E agora? Ainda pretende sair com alguém?”
Disse: “Por enquanto, não.”
“Não tem medo de ficar sozinha?”
Olhei para a sala.
Este apartamento era silencioso, limpo, com a luz recaindo sobre o porta-retratos da minha mãe.
“Não tenho medo de ficar sozinha.”
Disse: “O que dá medo é tratar lobos como família.”
Sofia levantou os palitinhos.
“Um brinde à nova fechadura.”
Peguei meu copo e brindei com ela.
“Um brinde a não ceder.”
Lá fora, as luzes do condomínio acendiam uma a uma.
No grupo, o novo comitê de moradores estava publicando as contas.
O Sr. Geraldo enviou uma mensagem.
“Elara, estamos recrutando profissionais para a reforma do corredor novamente, os materiais estão públicos, quando tiver tempo, pode nos ajudar a dar uma olhada?”
Respondi: “Olharei amanhã.”
Sofia se aproximou.
“Você vai realmente cuidar disso?”
Disse: “Não quero que mais ninguém seja intimidado por quem grita mais alto.”
Ela sorriu.
“Certo, Supervisora Elara.”
Coloquei o celular de lado.
A fechadura brilhava silenciosamente.
Desta vez, por mais barulhento que o lado de fora seja, nada entrará.
Minha casa, finalmente, pertence apenas a mim.
[Fim do conteúdo]