O deste domingo (7) foi duramente criticado por exibir uma reportagem especial mostrando a preparação de Arthur Nory para os Jogos Olímpicos de Paris.
O ginasta desafiou a jogadora de vôlei Fe Garay para acompanhá-lo nos treinos. Internautas, entretanto, relembraram que o atleta no passado.
A abordagem do programa da repercutiu negativamente nas redes sociais. "Arthur Nory é o exemplo máximo de como funciona o pacto da branquitude no Brasil.
As falas racistas dele destruíram a carreira do Angelo Assumpção, e hoje como bônus a Globo coloca uma mulher negra para terminar o serviço de limpar a imagem dele, já que não existe no Brasil", detonou Dante Raimundo no .
"É inacreditável que o Arthur Nory tenha espaço na Globo depois do episódio com Angelo.
Dá nojo", criticou Chris Pantoja.
"A limpeza de imagem do Arthur Nory foi muito bem feita, as referências que ele cita, quem entrevista ele. Tudo feito pra esquecer o episódio (do qual ele nunca foi perguntado publicamente)", acusou Vinicius.
"Inacreditável esse Arthur Nory ir pra , representar o Brasil e ainda ganhar essa minutagem de tela no Esporte Espetacular depois de tudo que foi exposto", reclamou Eduardo Longue.
"A Globo colocou Fe Garay para fazer uma reportagem com o racista do Arthur Nory", comentou Deinha.
"A Globo coloca a Fernanda Garay (jogadora preta de vôlei) para gravar quadro com o ginasta Arthur Nory para tentar desmistificar os atos racistas que ele cometeu no passado contra Angelo Assumpção", afirmou Bruno Zanette.
"Como assim a Fernanda Garay achou de bom tom gravar uma matéria com aquele Arthur Nory?", questionou Gustavo.
Esta é a terceira vez que a Globo coloca o atleta acusado de racismo como destaque em seus programas.
Internautas também reclamaram da atitude da emissora em 2021, quando o chamando de "herói olímpico".
No ano passado, . Novamente o público detonou a emissora por dar palco ao rapaz.
Campeão da Copa do Mundo de ginástica artística em 2015, Angelo Assumpção foi demitido do Clube Pinheiros em 2019 após denunciar o racismo que sofreu do antigo colega.
Em maio de 2015, Angelo tinha 18 anos e foi convocação às pressas para substituir Arthur Nory Mariano, lesionado, na seleção que disputaria a etapa de São Paulo da Copa do Mundo.
Na final, ele deu um salto perfeito e conquistou uma medalha de ouro inédita. Apesar disso, o jovem continuou sendo desprezado nos treinamentos.
Duas semanas depois da conquista, Nory publicou um vídeo em que ele e outros dois colegas brancos faziam
racista com Angelo.
"O saco do supermercado é branco, o de lixo é preto. Por quê?", debochava o atleta nas imagens.
A repercussão do caso afetou mais a carreira de Angelo do que a dos agressores.
Após o episódio, a vítima foi demitida, enquanto Nory seguiu no clube após apenas 30 dias de suspensão determinada pela Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).
O descendente de japoneses ainda foi poupado de uma denúncia pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, pôde disputar a Olimpíada do Rio no ano seguinte ao caso e saiu consagrado ao ganhar uma medalha de bronze no solo.
A controvérsia em torno da reportagem do Esporte Espetacular sobre a preparação de Arthur Nory para os Jogos Olímpicos de Paris revela uma série de questões profundas que vão além do episódio específico.
Essa discussão nos leva a refletir sobre o pacto da branquitude no Brasil, as dinâmicas raciais e os privilégios que persistem em nossa sociedade.
O insight único que podemos extrair dessa situação é a forma como a limpeza de imagem de uma pessoa acusada de racismo pode ser feita pela mídia e como isso perpetua a injustiça racial.
Ao colocar Fe Garay, uma mulher negra, para acompanhar e legitimar a redenção de Nory, a Globo parece querer apagar o passado racista do ginasta. Isso levanta questões sobre a responsabilidade e a ética da mídia em relação a pessoas que cometeram atos racistas.
A abordagem da emissora também nos faz questionar as normas sociais que permitem que indivíduos acusados de racismo continuem recebendo atenção e prestígio, enquanto suas vítimas sofrem as consequências.
A carreira de Angelo Assumpção foi prejudicada após a exposição do episódio de bullying racista, enquanto Nory continuou a ter oportunidades e destaque em programas de televisão. Isso reflete a desigualdade estrutural que permeia nossa sociedade e evidencia a necessidade de confrontarmos ativamente o racismo.
É fundamental reconhecer que o racismo não pode ser tratado como algo do passado, mas como uma realidade presente e persistente. A denúncia de Angelo Assumpção contra Nory é apenas um exemplo de inúmeras situações de racismo que ocorrem diariamente.
Nesse sentido, é preciso criticar não apenas a atitude individual de Nory, mas também o sistema que permite que pessoas brancas se beneficiem de um pacto de impunidade.
A transformação real só ocorrerá quando tivermos uma sociedade que seja capaz de enfrentar diretamente o racismo em todas as suas manifestações. Isso exigirá um comprometimento de todos nós, bem como uma mudança profunda nas estruturas e nas mentalidades.
Não podemos mais permitir que casos como esse sejam varridos para debaixo do tapete. Portanto, é vital que a mídia, como a Globo, assuma a responsabilidade de refletir sobre seus próprios privilégios e contribua para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Não basta apenas limpar a imagem de indivíduos acusados de racismo; é necessário dar voz e visibilidade às vítimas, confrontar o racismo estrutural e trabalhar para a sua erradicação completa.
Só então poderemos verdadeiramente construir um país onde o respeito e a igualdade sejam a norma.