《A Mulher Escondida no Porão da Mansão》Parte 8

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A madrugada caiu sobre São Paulo, mas ninguém dentro da Mansão Montenegro conseguia pensar em dormir.

O desaparecimento de Sofia havia transformado tudo.

A menina que durante dias foi ignorada pelos adultos agora era a única pessoa capaz de destruir os planos de Eduardo.

Mariana permanecia sentada no sofá da sala principal.

Seus olhos estavam fixos na fotografia que Eduardo havia enviado.

Sofia estava viva.

Mas estava com medo.

E para uma mãe, ver o medo no rosto de um filho era uma dor impossível de explicar.

Dante caminhava de um lado para o outro.

Pela primeira vez, ele parecia perder o controle.

Não por causa de dinheiro.

Não por causa da empresa.

Mas porque alguém tinha tocado naquilo que ele mais queria proteger.

Sua família.

"Rafael, descubra onde fica esse galpão."

O segurança analisava as imagens.

"Estamos tentando localizar, mas Eduardo desligou todos os sinais."

Dante fechou os punhos.

"Ele planejou tudo."

Mariana levantou.

"Eu vou entregar a prova."

Todos olharam para ela.

Dante ficou sério.

"Não."

Ela encarou ele.

"É minha filha."

"É exatamente por isso que você não vai."

Mariana deu um passo à frente.

"Dante, durante anos todos decidiram por mim."

Sua voz estava firme.

"Disseram que eu era apenas uma funcionária."

"Disseram que eu não tinha poder."

Ela respirou fundo.

"Mas eu fui a pessoa que protegeu essa verdade por dez anos."

Dante ficou em silêncio.

Porque naquele momento ele percebeu algo.

A mulher que ele conheceu como uma funcionária silenciosa nunca foi fraca.

Ela apenas escolheu esconder sua força.

"Mariana..."

Ela olhou para ele.

"Lucas morreu tentando proteger essa prova."

Uma lágrima caiu de seus olhos.

"Eu sobrevivi porque precisava proteger Sofia."

Ela pegou o envelope de Augusto.

"Agora eu vou fazer o que sempre fiz."

Dante perguntou:

"O quê?"

Mariana respondeu:

"Proteger minha filha."

A frase mudou o ambiente.

Dante olhou para aquela mulher.

Pela primeira vez, não viu a empregada da mansão.

Não viu a mulher que precisava ser salva.

Viu uma mãe que enfrentou sozinha uma família poderosa durante anos.

Uma mulher que perdeu o marido.

Que foi presa.

Que foi humilhada.

E ainda assim continuou lutando.

Rafael interrompeu.

"Dante."

Todos olharam para ele.

"Recebemos uma nova mensagem."

Ele mostrou o celular.

A mensagem era de Eduardo.

"Traga o arquivo original de Augusto até o antigo galpão do Porto de Santos."

Dante leu.

Abaixo havia outra frase.

"Venha sozinho."

Dante balançou a cabeça.

"Ele quer uma armadilha."

Mariana pegou o celular.

"E ele quer que você morra."

O silêncio ficou pesado.

Dante olhou para ela.

"Como sabe?"

Mariana respondeu:

"Porque Lucas descobriu como Eduardo trabalha."

Ela apontou para a mensagem.

"Ele sempre cria uma situação onde a vítima acredita que está escolhendo salvar alguém."

Dante percebeu.

Eduardo não queria apenas o documento.

Ele queria eliminar qualquer pessoa que pudesse revelar a verdade.

"Então qual é o plano?"

Bruno perguntou.

Dante ficou em silêncio.

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Mas antes que pudesse responder, Mariana falou:

"Eu vou."

Todos olharam para ela.

"Não."

Dante respondeu imediatamente.

"Eu não vou deixar você fazer isso."

Mariana encarou ele.

"Você não entende."

Ela segurou o envelope.

"Eduardo quer essa prova porque acredita que ela pertence a você."

Ela respirou fundo.

"Mas ele não sabe que eu tenho uma cópia."

Dante ficou surpreso.

"Você fez uma cópia?"

Mariana assentiu.

"Lucas me ensinou a nunca guardar uma única saída."

Ela olhou para o envelope.

"A verdade nunca pode depender de apenas uma pessoa."

Dante ficou olhando para ela.

Aquela frase parecia exatamente o tipo de coisa que Lucas diria.

"Você sabia que isso poderia acontecer."

"Eu sabia que alguém tentaria pegar essa prova."

"E mesmo assim ficou perto de mim?"

Mariana respondeu:

"Porque Augusto estava certo."

Dante franziu a testa.

"Sobre o quê?"

"Você precisava de alguém que não tivesse medo do sobrenome Montenegro."

A frase atingiu Dante.

Durante toda a vida, as pessoas se aproximaram dele pelo poder.

Pelo dinheiro.

Pela influência.

Mas Mariana havia se aproximado carregando riscos.

Não benefícios.

Dante pegou o envelope.

"Vamos fazer do meu jeito."

Mariana balançou a cabeça.

"Não."

Ele olhou para ela.

"Não?"

"Do nosso jeito."

Pela primeira vez, Dante não discutiu.

Porque entendeu.

Eles não eram mais duas pessoas desconfiando uma da outra.

Eram duas pessoas tentando salvar a mesma família.

Algumas horas depois, os carros saíram da mansão em direção ao litoral paulista.

O Porto de Santos estava coberto por uma neblina espessa.

Antigos galpões abandonados cercavam a área.

O lugar perfeito para desaparecer com alguém.

Eduardo esperava dentro de um depósito.

Sofia estava sentada em uma cadeira.

Ela parecia assustada.

Mas quando viu a porta abrir, levantou o rosto.

"Mãe!"

Mariana entrou primeiro.

Eduardo sorriu.

"Eu sabia que você viria."

Ela caminhou lentamente.

"Solte minha filha."

Eduardo riu.

"Você continua achando que pode dar ordens."

Mariana parou.

"Você nunca entendeu nada."

Eduardo ficou curioso.

"Não?"

"Você achou que eu era apenas uma mulher tentando sobreviver."

Ela olhou para Sofia.

"Mas eu sobrevivi dez anos esperando esse momento."

Eduardo perdeu o sorriso.

Dante observava escondido do lado de fora.

Ele nunca tinha visto Mariana daquele jeito.

Não havia medo.

Não havia dúvida.

Apenas determinação.

Ela se aproximou de Eduardo.

"Você quer a prova?"

Eduardo abriu os braços.

"Finalmente."

Mariana tirou o envelope.

Mas antes de entregar, disse:

"Você sabe qual foi seu maior erro?"

Eduardo ficou parado.

"Qual?"

"Pensar que uma mãe escolheria perder a própria filha para proteger um segredo."

Eduardo sorriu.

"Você vai entregar."

Mariana olhou para ele.

"Sim."

Ela estendeu o envelope.

Eduardo pegou.

Mas no mesmo instante, as luzes do galpão se apagaram.

Homens armados apareceram pelas entradas.

Eduardo percebeu.

Algo estava errado.

Dante saiu da escuridão.

"Você achou mesmo que eu deixaria vocês dois virem sozinhos?"

O rosto de Eduardo mudou.

Mariana olhou para Dante.

E naquele momento ele finalmente entendeu.

Ela nunca precisou de alguém para salvá-la.

Ela precisava apenas de alguém que acreditasse nela.

Dante se aproximou.

"Agora é minha vez de proteger vocês."

Mas antes que alguém pudesse reagir, Eduardo abriu o envelope.

E sorriu.

Porque dentro dele havia apenas uma página vazia.

Ele levantou os olhos.

"Vocês realmente acharam que eu não perceberia?"

Dante ficou imóvel.

Eduardo retirou um pequeno dispositivo do bolso.

"Enquanto vocês estavam tentando me enganar..."

Ele apertou um botão.

A tela de um computador antigo no galpão acendeu.

Mostrando uma gravação de Augusto Montenegro.

E a primeira frase do vídeo fez Dante perder o chão.

"Meu filho Dante não é quem ele acredita ser."

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