《A Mulher Escondida no Porão da Mansão》Parte 7

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O escritório de Augusto Montenegro permaneceu em silêncio naquela noite.

A única luz vinha do abajur antigo sobre a mesa de madeira.

Mariana segurava a carta com as mãos trêmulas.

Durante dez anos, ela procurou respostas.

Durante dez anos, tentou descobrir por que Lucas morreu.

Por que Augusto escondia tantos segredos.

Por que a família Montenegro parecia cercada por mentiras.

E agora, finalmente, tinha a resposta diante dos olhos.

Mas ela sabia que aquela verdade não pertencia apenas a ela.

Pertencia a Dante.

Ela continuou lendo.

"Meu filho, se você está lendo esta carta, significa que aqueles que eu mais temia finalmente começaram a agir."

Mariana respirou fundo.

A letra de Augusto continuava firme.

"Durante anos, construí uma imagem de homem poderoso. Muitos acreditaram que meu maior legado era a Montenegro Participações."

Ela virou a página.

"Mas eles estavam errados."

O coração de Mariana acelerou.

"Meu verdadeiro legado não é dinheiro."

Ela parou por alguns segundos.

Porque aquela frase confirmava algo que Lucas havia descoberto.

Augusto escondia algo muito maior.

Mariana continuou.

"Existe uma prova capaz de destruir toda a rede que construí ao meu redor."

Ela apertou o papel.

Uma prova.

Algo que poderia derrubar pessoas poderosas.

Algo que Eduardo queria encontrar.

De repente, os passos que ela ouviu antes ficaram mais próximos.

Mariana fechou a carta rapidamente.

A porta do escritório continuava aberta.

"Dante?"

A voz dele surgiu no corredor.

Ela soltou o ar que segurava.

Era ele.

Dante entrou e percebeu imediatamente que ela estava nervosa.

"Você encontrou alguma coisa."

Não era uma pergunta.

Era uma afirmação.

Mariana olhou para o envelope.

"Sim."

Dante se aproximou.

"É do meu pai?"

Ela assentiu.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Aquela carta representava tudo que os separava.

Mas também poderia ser a única coisa capaz de uni-los.

Mariana entregou o envelope.

"Dante, antes de você ler, precisa entender uma coisa."

Ele pegou a carta.

"O quê?"

"Lucas morreu tentando proteger essa informação."

A expressão dele mudou.

Dante abriu a carta.

Cada linha parecia revelar uma nova parte de uma história que ele nunca conheceu.

"Meu filho, você sempre acreditou que eu construí um império para deixar riqueza."

Dante continuou lendo.

"Mas dinheiro é apenas uma ferramenta. Poder verdadeiro é saber a verdade."

Ele parou.

Mariana observava seu rosto.

"Continue."

Dante respirou fundo.

"Você herdará algo que ninguém sabe que existe."

Ele virou a página.

"Não é uma empresa. Não é uma conta bancária. Não é uma fortuna escondida."

A mão dele começou a tremer.

"É uma prova."

Dante levantou os olhos.

"Uma prova contra quem?"

Mariana respondeu:

"Contra todos que fizeram parte da rede do seu pai."

Ele voltou a ler.

"Eduardo sempre esteve perto demais."

A expressão de Dante mudou.

Augusto sabia.

Ele sabia que Eduardo era perigoso.

"Meu pai sabia."

A voz de Dante saiu baixa.

"Ele sabia que Eduardo iria me trair."

Mariana confirmou.

"Lucas descobriu isso antes de morrer."

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Dante ficou parado.

A dor da traição ficou ainda maior.

Não era apenas que Eduardo havia escolhido traí-lo.

Era saber que seu pai viu aquilo chegando.

E tentou protegê-lo.

"Por que meu pai nunca me contou?"

Mariana olhou para ele.

"Talvez porque ele sabia que, se você soubesse, você seria o primeiro alvo."

Dante fechou os olhos.

Durante anos, ele acreditou que Augusto não confiava nele.

Mas talvez fosse o contrário.

Talvez Augusto estivesse tentando mantê-lo vivo.

Ele voltou para a carta.

"Mariana Almeida é a única pessoa em quem confio para proteger meu filho."

Dante ficou imóvel.

A frase parecia impossível.

Seu pai confiava em uma mulher que ele conheceu como funcionária.

Uma mulher que todos ignoravam.

Uma mulher que salvou sua vida.

"Por que ela?"

Dante olhou para Mariana.

Ela respondeu:

"Porque Lucas era a única pessoa que sabia a verdade."

Dante continuou lendo.

"Mariana não está atrás da sua família. Ela está tentando impedir que a sua família seja destruída."

A sala ficou em silêncio.

Pela primeira vez, Dante percebeu que talvez tivesse julgado Mariana pelo medo.

Não pelos fatos.

Ele se aproximou dela.

"Você sabia que meu pai escreveu isso?"

"Não."

"Você sabia que ele confiava em você?"

"Não."

Mariana abaixou os olhos.

"Eu só sabia que precisava proteger você."

Antes que Dante pudesse responder, o celular de Rafael tocou.

O som cortou o silêncio.

Ele atendeu rapidamente.

Alguns segundos depois, seu rosto mudou.

"Dante."

O tom de voz fez todos se preocuparem.

"O que aconteceu?"

Rafael segurou o telefone com força.

"É a Sofia."

Mariana imediatamente ficou alerta.

"O que aconteceu com minha filha?"

Rafael olhou para Dante.

"Eles pegaram ela."

O mundo pareceu parar.

Mariana deixou a carta cair.

"Não."

Ela saiu correndo pelo corredor.

"Dante, minha filha..."

Dante segurou seu braço.

"Quem fez isso?"

Rafael respirou fundo.

"As câmeras da mansão mostram Eduardo levando Sofia para fora pela garagem dos fundos."

O rosto de Dante ficou completamente frio.

Eduardo.

Mais uma vez.

Mas agora ele havia ultrapassado todos os limites.

Ele não atacou uma empresa.

Não atacou sua reputação.

Ele atacou uma criança.

"Para onde ele levou ela?"

Rafael mostrou o celular.

"Recebemos uma mensagem."

Dante pegou o aparelho.

A mensagem era curta.

Mas suficiente para fazer seu sangue ferver.

"Eu quero a prova que Augusto deixou."

Ele leu novamente.

"Traga o arquivo original. Sozinho."

Mariana começou a chorar.

"E Sofia?"

Outra mensagem chegou.

Dante abriu.

Dessa vez havia uma foto.

Sofia estava sentada em uma sala desconhecida.

Assustada.

Mas viva.

Abaixo da imagem havia apenas uma frase.

"Se quiser ver a menina novamente, entregue o segredo do seu pai."

Dante fechou os olhos por um segundo.

A raiva dentro dele era diferente de tudo que já sentiu.

Eduardo não queria apenas dinheiro.

Não queria apenas poder.

Ele queria destruir a última proteção deixada por Augusto.

Dante olhou para Mariana.

"Eu vou trazer Sofia de volta."

Ela segurou o braço dele.

"Não faça isso sozinho."

Dante olhou para ela.

Pela primeira vez, não havia desconfiança.

Apenas uma decisão.

"Ele tirou minha família de mim uma vez."

Ele pegou a carta de Augusto sobre a mesa.

"Não vai acontecer de novo."

Enquanto isso, em um galpão abandonado próximo ao litoral paulista, Eduardo observava Sofia em silêncio.

Ele segurava uma cópia da fotografia antiga de Augusto.

E sorria.

Porque finalmente tinha encontrado o que procurava há anos.

Mas antes de guardar a imagem, ele olhou para a menina e disse:

"Sua família passou a vida escondendo a verdade."

Ele fez uma pausa.

"Agora seu pai vai entregar tudo para salvar você."

E naquele momento, Dante ainda não sabia que o maior segredo deixado por Augusto não estava apenas nos documentos.

Estava ligado ao próprio nascimento dele.

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