《O Trono de Cinzas: No Limite da Paixão》Capítulo 9

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A noite nas docas do Rio de Janeiro exalava o cheiro pesado de maresia, óleo diesel e o desespero de quem não tem para onde fugir. O vento gélido vindo da Baía de Guanabara chicoteava as ondas escuras contra os pilares de concreto enferrujado.

Alberto corria desabalado pelo cais deserto, arrastando consigo um Matheus trêmulo e amordaçado com uma fita adesiva grossa. O chefão corporativo tentava desesperadamente alcançar uma lancha rápida atracada nas sombras, sua última rota de fuga para águas internacionais.

Atrás deles, o som estridente das sirenes federais cortou a calmaria da madrugada com uma urgência implacável. O Inspetor Silva liderava o cerco tático, coordenando as viaturas que bloqueavam todas as saídas terrestres do complexo portuário.

"Vocês estão cercados, Alberto, largue a arma e solte o refém", bradou o Inspetor Silva através de um alto-falante, com a voz firme ecoando pelos galpões vazios. "Não há para onde escapar."

Alberto soltou uma gargalhada histérica e sem qualquer alegria, encostando o cano de uma pistola prateada diretamente na têmpora de Matheus. O ex-trainee choramingava copiosamente, mijando-se de medo ao perceber que virara bucha de canhão.

"Se a polícia der mais um passo, eu espalho os miolos deste traidor inútil por todo o cais", gritou Alberto em resposta, recuando em direção à prancha da lancha.

No entanto, o cerco policial não era a única ameaça que o criminoso enfrentava naquela noite de acerto de contas. Das sombras densas do armazém principal, uma frota de veículos pretos blindados irrompeu com os faróis apagados.

Gabriel von Strauss desceu do primeiro carro com a agilidade fria de um predador que encurralou sua presa definitiva. Ele não usava terno de alta-costura naquela ocasião, mas sim uma blusa preta tática e um olhar que transbordava uma fúria mortal.

"Você escolheu o pior lugar do mundo para tentar desaparecer, Alberto", disse Gabriel, aproximando-se com passos firmes e deliberados pelo asfalto úmido.

Alberto empalideceu ao ver o magnata avançar sem demonstrar o menor pingo de temor diante da arma apontada para o refém. "Fique longe, von Strauss, ou eu mato este verme agora mesmo e afundo com ele", ameaçou o chefão.

Nesse instante, Lucas emergiu do banco do carona da segunda viatura, correndo silenciosamente pelo flanco lateral para flanquear o atirador. Seus olhos de âmbar fixaram-se na silhueta de Alberto, calculando o momento exato da abordagem.

O som abafado de um disparo rasgou o ar úmido do porto, quebrando o silêncio tenso da madrugada. A bala disparada por Alberto passou raspando perigosamente pelo braço esquerdo de Lucas, abrindo um corte superficial que manchou a manga de sangue.

"Lucas, não!", berrou Gabriel, perdendo totalmente o controle racional pela primeira vez em toda a sua vida adulta.

O pavor gélido de perder o homem que amava estilhaçou a couraça fria do magnata em um milésimo de segundo. Esfumando qualquer resquício de protocolo tático, Gabriel avançou como um raio na direção de Alberto, desarmando o criminoso com um golpe brutal de artes marciais.

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A arma voou das mãos de Alberto e caiu nas águas escuras da baía com um baque abafado. Antes que o vilão pudesse reagir, Gabriel desferiu uma sequência de socos implacáveis que o jogaram estatelado no chão de paralelepípedos.

O Inspetor Silva e sua equipe de federais chegaram correndo logo em seguida, imobilizando Alberto com algemas de aço pesado. A rede criminosa da Apex Media desmoronava de vez, liquidada em meio à lama daquele porto esquecido.

Enquanto os policiais arrastavam o chefão corporativo algemado, Matheus gemia encolhido no chão, completamente destruído e abandonado à própria sorte. No momento em que dois agentes o levantavam para levá-lo à viatura, o ex-trainee cruzou o olhar com Gabriel.

"Você acha que venceu, seu bastardo?", sussurrou Matheus com os lábios ensanguentados, cuspindo no chão antes de ser empurrado. "Sabe quem realmente deu a ordem para queimar o carro da sua mãe naquela noite... foi o próprio... "

Antes que Matheus pudesse terminar a frase reveladora, um soco rápido de um dos agentes federais o emudeceu e o colocou dentro do camburão. No entanto, a semente da dúvida e do choque já havia sido plantada na mente de Gabriel.

Lucas aproximou-se mancando levemente, segurando o braço esquerdo onde o sangue escorria por cima do tecido rasgado. Ele ignorou a própria dor ao notar o rosto pálido e transtornado do magnata.

"Gabriel, olhe para mim, eu estou bem, foi apenas um arranhão", murmurou Lucas, tocando o peito do homem com carinho.

Atrás deles, um dos galpões invadidos pela polícia começou a pegar fogo após um curto-circuito provocado na fuga, iluminando o céu noturno com labaredas laranjas. As chamas refletiam-se nas poças d'água do cais, criando um cenário de apocalipse urbano.

Gabriel piscou várias vezes, saindo do transe aterrorizante em que mergulhara ao ver Lucas na mira da arma. Ele agarrou o corpo do cantor com uma força desesperada, puxando-o para um abraço feroz e inquebrável.

O corpo trêmulo do magnata traía toda a fachada de aço que ele tentava sustentar perante o mundo. Afundando o rosto no pescoço de Lucas, Gabriel respirou o seu perfume com uma urgência quase dolorosa.

"Se você morresse naquela hora, Lucas...", sussurrou Gabriel com a voz quebrada e incrivelmente frágil contra a pele do rapaz, "...eu faria o Rio inteiro queimar junto até não sobrar nada."

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