《O Trono de Cinzas: No Limite da Paixão》Capítulo 6

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O eco daquela ordem implacável ainda vibrava nas paredes da cobertura, mas a tempestade exterior parecia finalmente perder forças. Na imensa sala de estar da mansão de Gabriel, o fogo da lareira estalava suavemente, projetando sombras douradas e trêmulas sobre os tapetes persas.

Gabriel desabou o corpo pesado sobre o sofá de couro diante do fogo, enterrando o rosto entre as mãos com uma exaustão que jamais mostrara a ninguém. O nome de sua falecida mãe, Helena von Strauss, lançado por Matheus como uma maldição, havia rasgado a cicatriz mais profunda de sua alma.

Lucas aproximou-se em silêncio, sentindo o peito apertar-se diante daquela rara demonstração de vulnerabilidade do magnata. Ele ajoelhou-se lentamente no tapete, bem diante de Gabriel, e tocou com extrema delicadeza os ombros largos do homem.

"Você não precisa carregar esse peso sozinho, Gabriel", murmurou Lucas, com a voz tingida por uma doçura que desarmava qualquer defesa. "Aquele lixo só queria nos atingir com palavras vazias."

Gabriel ergueu o rosto lentamente, revelando um par de olhos de gelo completamente dilacerados pela dor e pelas lembranças. A couraça de homem intocável havia desabado por completo, restando apenas um menino marcado por fantasmas do passado.

"Minha mãe morreu pensando que o mundo inteiro a havia traído, Lucas", confessou Gabriel, com a voz rouca e entrecortada por um soluço abafado. "Eles tiraram tudo dela, tiraram a nossa família, e eu gastei cada segundo da minha vida adulta construindo um império apenas para esmagar os culpados."

As lágrimas que escaparam dos olhos claros de Gabriel foram recebidas por Lucas sem qualquer julgamento ou espanto. O cantor estendeu a mão e enxugou o rastro salgado na face do magnata com um carinho infinito.

"Você os destruiu hoje, Gabriel, e eu estava lá para ver cada segundo", recordou Lucas, sustentando um sorriso terno nos lábios. "A dor passou a ter um propósito, e você não está mais sozinho nessa guerra."

Gabriel segurou a mão de Lucas com força, como se o cantor fosse a única âncora que o impedia de afundar no próprio abismo. "Eles achavam que podiam nos pisotear, mas esqueceram que os cacos de vidro cortam quem tenta pisar neles."

Enquanto conversavam junto à lareira, os olhos de Lucas recaíram sobre uma antiga caixa de mogno entalhado deixada sem querer sobre a estante lateral. Era um dos pertences pessoais que pertencera a Helena von Strauss, guardado por Gabriel como um relicário sagrado.

Movido por uma intuição inexplicável, Lucas levantou-se e abriu a tampa da caixa com todo o cuidado do mundo. No fundo, entre cartas amareladas e fitas de cetim desbotadas, repousava uma fotografia antiga em preto e branco.

Lucas pegou o retrato entre os dedos e fitou os rostos impressos no papel envelhecido. Seus olhos se arregalaram em um sobressalto de pura incredulidade ao reconhecer os traços familiares daquela imagem.

"Gabriel, venha ver isto aqui imediatamente", chamou Lucas com a voz trêmula, estendendo a fotografia na direção do magnata.

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Gabriel levantou-se do sofá com o cenho franzido, caminhando lentamente até parar ao lado do cantor. Ele olhou para a foto e sentiu o ar sumir de seus pulmões em um segundo.

Na imagem, Helena von Strauss sorria ao lado de um jovem casal nos anos dourados de Copacabana, e o homem ao lado dela era ninguém menos do que o avô de Lucas. Os destinos de ambas as famílias estavam entrelaçados muito antes daquela noite na suíte de luxo.

"Eles tentaram destruir nossos avós, Gabriel", murmurou Lucas, percebendo a magnitude da revelação que mudava tudo. "A nossa união não foi um mero acaso do destino ou um contrato sujo; foi um acerto de contas histórico."

Gabriel fitou os olhos de âmbar de Lucas, sentindo uma onda de eletricidade e destino percorrer cada veia de seu corpo. A última barreira que separava o "contrato e o dono" evaporou-se, transformando-se em amor verdadeiro e incondicional.

"Nenhum deles vai nos separar, nunca mais", jurou Gabriel, puxando o corpo de Lucas para um abraço avassalador e definitivo.

O encaixe dos corpos foi perfeito, como duas peças de um quebra-cabeça que finalmente encontravam o seu lugar no universo. Ali, diante do fogo crepitante, eles se tornaram a armadura e a cura um do outro, blindados contra qualquer mal.

Lucas aconchegou-se no abraço, sentindo o calor do peito de Gabriel dissipar todo o frio que um dia sentira naqueles becos miseráveis do Rio. No entanto, sabendo que a guerra final contra a Apex Media ainda exigia pulso firme, ele se afastou o suficiente para encará-lo nos olhos.

Com um movimento decidido, Lucas subiu no colo de Gabriel, sentindo o corpo rígido do magnata ceder ao seu peso. Ele segurou o rosto severo do homem com as duas mãos, cravando os olhos de âmbar com uma firmeza inabalável.

"Desta vez, eu serei o seu escudo, Gabriel", declarou Lucas, selando a promessa com um beijo profundo, desesperado e cheio de promessas.

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