《O Segredo Que Minha Filha Guardou》Parte 6

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Depois de ouvir a última frase de Helena, Henrique Vasconcelos entendeu que a morte da esposa não era apenas uma tragédia.

Era o resultado de algo planejado.

Durante dez meses, ele acreditou que tinha perdido Helena por causa de uma fatalidade.

Agora descobria que, enquanto ele tentava reconstruir a vida ao lado de Sofia, alguém estava destruindo tudo que eles construíram.

E esse alguém estava dentro da própria família.

Nos dias seguintes, Henrique transformou a sede da Vasconcelos Participações em um centro de investigação.

Ele cancelou reuniões.

Adiou viagens.

Ignorou compromissos importantes.

Pela primeira vez em muitos anos, o império deixou de ser sua prioridade.

A verdade sobre Helena era.

Lucas Ferreira passou todas as noites analisando documentos antigos.

Contratos.

Transferências.

Relatórios financeiros.

Cada papel revelava uma nova parte da mentira.

Na manhã de sexta-feira, Lucas entrou no escritório de Henrique segurando uma grande pasta.

Pela expressão do advogado, Henrique percebeu que ele tinha encontrado algo.

"Lucas, o que aconteceu?"

O advogado colocou os documentos sobre a mesa.

"Eu revisei todas as contas da empresa dos últimos três anos."

Henrique ficou em silêncio.

"E?"

Lucas abriu a primeira página.

"Mais de quinze milhões de reais desapareceram através de contratos falsos."

A sala ficou em silêncio.

Henrique olhou para os números.

Era dinheiro suficiente para destruir uma empresa menor.

Mas para a Vasconcelos Participações, era algo ainda mais grave.

Era uma tentativa de controlar o patrimônio da família.

"Quem assinou esses contratos?"

Lucas respirou fundo.

"A maioria passou pela área financeira, mas todos tinham uma ligação."

Henrique levantou os olhos.

"Qual ligação?"

"Marcelo Ferraz Montenegro."

O nome voltou a aparecer.

Como uma sombra impossível de escapar.

Henrique apertou a mandíbula.

"Ele usava a empresa para roubar de nós."

Lucas assentiu.

"Não era apenas roubo."

Ele mostrou outro documento.

"Ele criava empresas de fachada, enviava valores para contas intermediárias e depois apagava os rastros."

Henrique caminhou até a janela.

Lá embaixo, centenas de funcionários trabalhavam sem saber que o homem responsável por parte dos negócios estava tentando destruir a própria empresa.

"Helena descobriu tudo."

Lucas respondeu:

"Sim."

"E por isso ela morreu."

Lucas ficou em silêncio.

Ele sabia que aquela era uma possibilidade.

Mas ainda não havia uma prova definitiva.

Henrique voltou para a mesa.

"Vamos encontrar."

Enquanto isso, Patrícia Montenegro tentava recuperar o controle da situação.

Ela sabia que Henrique estava cada vez mais perto.

E sabia que Marcelo começava a pensar apenas em salvar a própria pele.

Naquela tarde, os dois se encontraram em um estacionamento discreto em Pinheiros.

Patrícia entrou no carro de Marcelo nervosa.

"Você disse que estava tudo resolvido."

Marcelo nem olhou para ela.

"Você deveria ter controlado Sofia."

Patrícia ficou irritada.

"Ela é uma criança."

Marcelo virou o rosto lentamente.

"Uma criança que guardou provas durante dez meses."

Patrícia ficou em silêncio.

Aquela frase mostrou algo que ela não queria admitir.

Eles tinham subestimado Sofia.

"Henrique sabe dos contratos."

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Marcelo respirou fundo.

"Então precisamos agir rápido."

Patrícia olhou para ele.

"Você está pensando em fugir?"

"Estou pensando em sobreviver."

Ela ficou assustada.

"Você prometeu que ninguém descobriria."

Marcelo respondeu friamente:

"E você prometeu que Helena nunca falaria."

Patrícia sentiu o peso daquela resposta.

Por anos, ela acreditou que tinha controle sobre tudo.

Acreditou que Henrique continuaria confiando nela.

Acreditou que Sofia esqueceria.

Mas agora tudo estava desmoronando.

Naquela noite, Henrique recebeu uma nova informação.

Lucas havia encontrado uma sequência de pagamentos suspeitos.

Todos autorizados durante o período em que Helena ainda era presidente da empresa.

Mas havia um detalhe.

A assinatura digital dela foi usada em horários em que Helena não estava no escritório.

Henrique olhou para o computador.

"Então eles falsificaram a assinatura dela."

Lucas confirmou.

"E fizeram isso por meses."

Henrique sentiu uma mistura de tristeza e raiva.

Helena não estava apenas tentando descobrir um roubo.

Ela estava tentando salvar a empresa.

E ninguém acreditou nela.

Ele abriu novamente o telefone antigo.

Procurou entre os arquivos.

Havia uma pasta que ele ainda não tinha visto.

O nome era:

"Para Henrique."

Seu coração acelerou.

Ele abriu.

Dentro havia fotos de documentos.

Conversas.

E uma gravação que Helena nunca chegou a enviar.

A voz dela apareceu novamente.

"Henrique, se você encontrou essa mensagem, significa que eu estava certa."

Ele ficou imóvel.

Helena continuou:

"Patrícia não está apenas envolvida. Ela ajudou Marcelo a chegar até mim."

Henrique fechou os olhos.

A confirmação doía.

Mas ainda faltava entender uma coisa.

Por que Patrícia fez aquilo?

A resposta veio no próximo trecho.

Helena disse:

"Ela se aproximou de mim durante anos porque precisava saber todos os meus passos."

Henrique olhou para Lucas.

Aquela descoberta mudava tudo.

Patrícia não era apenas uma cúmplice.

Ela tinha sido colocada dentro da família.

Ela tinha conquistado a confiança de Helena para destruí-la.

Enquanto Henrique descobria tudo, Patrícia tomava uma decisão desesperada.

Ela arrumou uma mala.

Tirou documentos do cofre.

Pegou dinheiro.

E preparou sua saída de São Paulo.

Ela sabia que, se fosse presa, perderia tudo.

Mas antes que conseguisse sair do apartamento, ouviu uma batida na porta.

Patrícia congelou.

Ela olhou pelo olho mágico.

Do outro lado estava uma mulher.

Delegada Mariana Ribeiro.

A investigadora segurava um documento oficial.

Patrícia deu um passo para trás.

A voz de Mariana atravessou a porta.

"Patrícia Montenegro Ferraz, precisamos conversar."

O rosto de Patrícia perdeu completamente a cor.

Porque naquele momento ela percebeu:

A fuga tinha acabado antes mesmo de começar.

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