Depois que Helena Vasconcelos voltou, nós finalmente entendemos a dimensão da guerra que estávamos enfrentando.
Eduardo Ferraz Albuquerque não queria apenas a empresa.
Ele queria apagar toda a história da família Vasconcelos.
Durante vinte anos, ele construiu uma mentira.
Uma amizade falsa.
Uma aproximação calculada.
Um plano que esperou o momento perfeito para acontecer.
Mas agora nós tínhamos algo que ele nunca imaginou.
Provas.
E pela primeira vez, Eduardo estava com medo.
Na manhã seguinte ao reencontro com Helena, Gabriel convocou uma reunião de emergência com o conselho da Vasconcelos Tecnologia.
O objetivo era simples.
Retomar o controle da empresa.
Mas todos sabíamos que Eduardo não entregaria o poder facilmente.
Ele ainda tinha aliados.
Ainda tinha influência.
E principalmente, ainda tinha uma última jogada.
Antes da reunião começar, o delegado Rafael Martins recebeu uma ligação urgente.
A expressão dele mudou imediatamente.
"Temos um problema."
Gabriel se levantou.
"O que aconteceu?"
Rafael respirou fundo.
"Uma das principais testemunhas desapareceu."
O silêncio tomou conta da sala.
"Quem?"
O delegado respondeu:
"Marcos Almeida."
Todos conheciam aquele nome.
Marcos era um antigo contador da família Vasconcelos.
Ele havia trabalhado durante os primeiros anos da empresa.
E segundo Helena, era uma das poucas pessoas que sabia como Henrique Albuquerque manipulava os documentos.
"Ele tinha provas contra Eduardo."
Rafael confirmou.
"E agora não conseguimos encontrá-lo."
Meu coração acelerou.
Eduardo tinha descoberto que estávamos perto da verdade.
E estava eliminando qualquer pessoa capaz de destruí-lo.
Naquele mesmo dia, recebemos outra notícia.
Um incêndio começou em um antigo depósito de documentos ligado à família Albuquerque.
O fogo destruiu arquivos importantes.
Mas os bombeiros conseguiram impedir que tudo fosse perdido.
Quando Rafael chegou ao local, encontrou algo estranho.
Alguns documentos tinham sido separados antes do incêndio.
Não era um acidente.
Alguém entrou ali para destruir provas específicas.
E todos sabíamos quem era.
Eduardo.
Enquanto isso, na sede da empresa, ele continuava agindo como se fosse o verdadeiro dono.
Convocou uma coletiva de imprensa.
Apareceu diante das câmeras.
E falou com uma calma assustadora.
"Durante anos, dediquei minha vida à Vasconcelos Tecnologia."
"Neste momento difícil, minha prioridade é proteger milhares de funcionários e preservar a empresa."
Era uma atuação perfeita.
Ele parecia um líder preocupado.
Não um homem acusado de tentativa de assassinato.
Mas eu sabia a verdade.
Gabriel sabia.
Helena sabia.
E naquele momento, decidimos acabar com a mentira.
A reunião do conselho começou às três da tarde.
Todos os principais acionistas estavam presentes.
Eduardo entrou na sala sorrindo.
Ele parecia completamente seguro.
Como alguém que já tinha vencido.
"Espero que essa reunião seja rápida."
Ele colocou uma pasta sobre a mesa.
"Tenho muitos assuntos para resolver como CEO."
Gabriel olhou para ele.
"Você nunca foi o CEO."
Eduardo sorriu.
"Mas todos aqui sabem que sou a única pessoa capaz de manter essa empresa funcionando."
Os conselheiros ficaram em silêncio.
Porque Eduardo tinha preparado o terreno.
Ele havia usado a crise pública.
A investigação.
E a dúvida sobre Isabela para parecer indispensável.
Então ele olhou para mim.
"Talvez algumas pessoas aqui precisem explicar por que esconderam informações importantes."
Todos olharam.
Mas dessa vez eu não abaixei a cabeça.
Eu me levantei.
E coloquei uma pasta sobre a mesa.
"Eu vou explicar."
Eduardo perdeu o sorriso por um segundo.
Dentro da pasta estavam todas as provas.
A gravação da câmera instalada na suíte.
Os registros financeiros de Henrique Albuquerque.
Os documentos falsificados.
A apólice de seguro.
O relatório da substância encontrada na bebida.
E as provas da ligação entre Eduardo e todos os acontecimentos.
O primeiro vídeo começou a passar na tela.
Todos viram Eduardo entrando na suíte antes do casamento.
Instalando a câmera.
Observando o quarto.
A sala inteira ficou em silêncio.
Eduardo tentou interromper.
"Isso não prova nada."
Gabriel respondeu:
"Prova que você estava planejando algo antes da minha noite de casamento."
Depois mostramos os documentos financeiros.
As transferências secretas.
Os pagamentos antigos.
Os acordos escondidos.
Depois veio o relatório da bebida.
A prova de que alguém tentou causar a morte de Gabriel.
Eduardo começou a perder a calma.
"Vocês estão manipulando tudo."
Helena entrou na sala.
E naquele momento todos ficaram surpresos.
Ela caminhou lentamente até a mesa.
Durante vinte anos, muitos acreditaram que Helena Vasconcelos estava morta.
Mas ela estava ali.
Viva.
E pronta para falar.
Eduardo ficou pálido.
"Isso é impossível."
Helena olhou para ele.
"Você acreditou que meu silêncio significava que eu tinha perdido."
Ela colocou outros documentos sobre a mesa.
"Mas eu passei vinte anos reunindo provas contra você."
O rosto de Eduardo mudou.
Pela primeira vez, ele parecia realmente derrotado.
Gabriel olhou para ele.
"Por quê?"
Eduardo permaneceu em silêncio.
"Por que fingiu ser meu irmão durante vinte anos?"
Por alguns segundos, Eduardo pareceu voltar ao passado.
Mas então sorriu.
Um sorriso frio.
"Porque era a única maneira de chegar até você."
A sala ficou chocada.
Ele finalmente admitiu.
Todos aqueles anos.
Toda aquela amizade.
Tudo fazia parte de um plano.
"Seu pai destruiu minha família."
Eduardo continuou.
"Eu só fiz vocês sentirem a mesma dor."
Gabriel respondeu:
"Você tentou destruir pessoas inocentes."
Eduardo olhou para mim.
"Ela era a peça perfeita."
Eu senti raiva.
Porque para ele, minha vida era apenas uma parte de um jogo.
O conselho imediatamente iniciou o processo para afastá-lo.
A polícia entrou na sala.
Eduardo percebeu que não tinha mais saída.
Mas antes de ser levado, ele pegou um último documento que estava sobre a mesa.
Um documento que ninguém tinha visto antes.
Ele olhou para Gabriel.
Depois para mim.
E sorriu.
"Vocês acham que venceram."
Os policiais se aproximaram.
Mas Eduardo continuou.
"Vocês recuperaram a empresa."
Ele fez uma pausa.
"Mas não sabem quem realmente é o inimigo."
Gabriel ficou sério.
"Do que você está falando?"
Eduardo apenas entregou o documento ao delegado.
Depois foi levado.
Quando Rafael abriu o papel, seu rosto mudou.
Ele leu algumas linhas.
Depois olhou para Gabriel.
Eu senti um medo estranho crescer dentro de mim.
Porque mesmo derrotado, Eduardo parecia ter deixado uma última armadilha.
E naquele documento havia apenas uma frase escrita:
"Quando vocês descobrirem a verdade sobre o traidor que ainda está dentro da família Vasconcelos, entenderão que eu nunca fui o maior perigo."