《Minha Noite de Núpcias Quase Virou Meu Fim》Parte 8

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Durante dias, uma pergunta continuou perseguindo minha mente.

Como Eduardo Ferraz Albuquerque sabia que eu estaria escondida debaixo da cama naquela noite?

Aquela era a única coisa que não fazia sentido.

Ele sabia onde procurar.

Sabia que eu não estaria no banheiro.

Sabia que eu não estaria escondida em outro lugar.

Ele foi direto até a cama.

Como se já soubesse exatamente onde eu estava.

Depois de descobrir toda a história sobre a família Albuquerque, eu percebi que Eduardo tinha planejado tudo durante anos.

Mas aquela resposta ainda faltava.

E talvez fosse a mais importante de todas.

Naquela manhã, o delegado Rafael Martins voltou à Mansão Vasconcelos com novos arquivos da investigação.

Ele colocou um notebook sobre a mesa.

"Conseguimos recuperar todo o conteúdo da câmera encontrada no quarto."

Gabriel ficou atento.

"E a câmera estava funcionando antes do casamento?"

Rafael confirmou.

"Sim. E foi instalada dois dias antes da cerimônia."

Eu senti um arrepio.

Dois dias antes.

Antes da festa.

Antes de eu entrar naquele quarto.

Antes de eu imaginar que aquela brincadeira mudaria minha vida.

O delegado abriu o primeiro vídeo.

A imagem mostrava a suíte da Fazenda Santa Helena vazia.

Tudo parecia normal.

As flores.

A cama preparada.

As velas.

Era o mesmo quarto onde eu me escondi naquela noite.

Mas então a porta abriu.

Eduardo entrou.

Sozinho.

Ele caminhava lentamente.

Observando cada detalhe.

Como alguém que conhecia aquele lugar.

Gabriel fechou as mãos.

"Ele esteve lá antes."

Rafael assentiu.

"Sim."

Continuamos assistindo.

Eduardo colocou um pequeno dispositivo perto da cama.

A mesma câmera que encontramos depois.

Mas então aconteceu algo que mudou tudo.

Eduardo não instalou aquela câmera apenas para observar Gabriel.

Ele apontou o equipamento para um lugar específico.

A cama.

O local onde eu acabaria escondida.

O delegado pausou o vídeo.

"Agora veja o horário."

Na tela apareceu a data.

Era o dia anterior ao casamento.

Poucas horas antes de eu preparar minha surpresa.

Meu coração acelerou.

Porque então veio a verdade.

Eduardo sabia.

Ele sabia que eu planejava me esconder ali.

Mas como?

Rafael avançou a gravação.

A imagem mostrou Eduardo saindo do quarto.

Depois, algumas horas mais tarde, uma nova gravação começou.

Dessa vez, eu aparecia na tela.

Eu entrava na suíte sozinha.

Com meu vestido de casamento.

Sorrindo.

Sem imaginar que alguém estava observando.

Eu me vi preparando tudo.

Arrumando as flores.

Organizando a surpresa.

E depois me escondendo debaixo da cama.

O silêncio tomou conta da sala.

Gabriel olhou para mim.

Eu não conseguia dizer nada.

Porque aquela imagem provava uma coisa terrível.

Eduardo não descobriu onde eu estava.

Ele já sabia.

Ele esperou que eu fosse para aquele lugar.

Esperou que eu ficasse presa naquela posição.

Esperou que eu ouvisse tudo.

"Ele queria que ela escutasse."

A voz de Gabriel saiu baixa.

Rafael olhou para ele.

"Essa é uma possibilidade."

Eu fiquei confusa.

"Por que ele faria isso?"

Todos olharam para mim.

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E aquela pergunta era a mais assustadora.

Porque talvez Eduardo não quisesse apenas me incriminar.

Talvez ele quisesse que eu descobrisse.

Queria que eu carregasse o peso daquela verdade.

Queria que eu tentasse salvar Gabriel.

E depois fosse destruída junto com ele.

Rafael continuou analisando as imagens.

"Tem mais uma coisa."

Ele voltou o vídeo.

A gravação continuou depois que Eduardo deixou o quarto.

Algumas horas passaram.

Então a porta abriu novamente.

Uma pessoa entrou.

Não era Eduardo.

Era uma mulher.

Ela caminhou lentamente pelo quarto.

Gabriel ficou imediatamente sério.

"Quem é essa?"

Ninguém respondeu.

A mulher estava de costas.

Mas a forma como caminhava parecia familiar.

Ela olhou para as fotografias da família.

Tocou uma delas.

Depois abriu uma gaveta.

Ela parecia procurar alguma coisa.

Não parecia uma invasora.

Parecia alguém que conhecia aquele quarto.

Alguém que tinha uma ligação com aquela família.

O delegado aumentou a imagem.

O rosto ainda não aparecia completamente.

Mas era possível ver alguns detalhes.

O cabelo.

A postura.

A maneira de segurar os objetos.

Gabriel ficou parado.

Como se estivesse tentando lembrar de algo.

"Não pode ser."

Eu olhei para ele.

"Gabriel, você conhece essa pessoa?"

Ele não respondeu.

A mulher da gravação se aproximou da cama.

Ela deixou um envelope escondido dentro de uma gaveta.

Depois ficou alguns segundos parada.

Como se estivesse emocionada.

Então saiu.

Rafael pausou o vídeo.

"Precisamos melhorar a imagem."

Algumas horas depois, os técnicos conseguiram recuperar parte da gravação.

Voltamos a assistir.

Dessa vez, o rosto apareceu.

Gabriel ficou sem reação.

Eu vi a expressão dele mudar.

Como se todos os anos da vida dele tivessem acabado de desmoronar.

Ele se levantou lentamente.

"Não."

A voz dele falhou.

"Isso não é possível."

Clara, que estava ao lado dele, olhou para a tela.

E levou a mão à boca.

"Meu Deus..."

Eu olhei para o monitor.

E finalmente entendi.

A mulher que entrou no quarto.

A mulher que Eduardo parecia conhecer.

A mulher que escondia algo naquela noite.

Era alguém que deveria estar morta.

A mãe de Gabriel.

Helena Vasconcelos.

Durante vinte anos, todos acreditaram que Helena havia desaparecido para sempre.

Gabriel cresceu acreditando que nunca mais ouviria a voz dela.

Nunca mais sentiria seu abraço.

Nunca mais teria respostas.

Mas agora ela estava ali.

Naquela gravação.

Dentro da suíte.

Antes do casamento.

Antes do plano de Eduardo acontecer.

Gabriel se aproximou da tela.

Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

"Minha mãe estava viva."

Ninguém conseguiu responder.

Porque aquela descoberta mudava tudo.

Se Helena estava viva e esteve naquele quarto antes do casamento, então ela sabia de alguma coisa.

Talvez soubesse sobre Eduardo.

Talvez soubesse sobre o plano.

Talvez tivesse tentado impedir algo.

Ou talvez fosse parte de um segredo ainda maior.

Gabriel precisava encontrá-la.

Mas antes que pudéssemos continuar analisando o vídeo, Rafael recebeu uma nova informação.

Ele atendeu o telefone.

Ouviu por alguns segundos.

Depois ficou completamente sério.

"Delegado?"

Ele desligou lentamente.

Todos olharam para ele.

"O que aconteceu?"

Rafael respirou fundo.

"A pessoa que entregou essa gravação para nós deixou uma mensagem."

Gabriel se aproximou.

"Quem entregou?"

O delegado olhou para a tela onde aparecia Helena Vasconcelos.

E respondeu:

"Ela mesma."

O silêncio tomou conta da sala.

Então Rafael colocou um envelope sobre a mesa.

O nome de Gabriel estava escrito na frente.

Mas havia uma frase abaixo.

Uma frase que fez meu marido perder completamente a cor.

"Meu filho, eu preciso contar por que deixei você acreditar que eu estava morta."

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