《Minha Noite de Núpcias Quase Virou Meu Fim》Parte 7

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Depois de descobrir que Eduardo Ferraz Albuquerque estava ligado ao passado da minha família, uma coisa ficou clara.

Nós não estávamos enfrentando apenas um inimigo.

Estávamos enfrentando uma história que começou antes mesmo de eu conhecer Gabriel Vasconcelos.

Durante anos, Gabriel chamou Eduardo de irmão.

Ele confiou nele mais do que em qualquer pessoa.

Dividiu sonhos.

Dividiu medos.

Dividiu segredos.

Mas agora precisávamos descobrir se aquela amizade realmente existiu.

Ou se tudo tinha sido apenas uma mentira cuidadosamente construída.

Naquela manhã, Gabriel decidiu investigar a vida de Eduardo desde o início.

Não apenas os últimos anos.

Mas toda a história dele.

O delegado Rafael Martins conseguiu autorização para acessar documentos antigos relacionados às empresas da família Albuquerque.

E quanto mais descobríamos, mais assustador ficava.

Eduardo Ferraz Albuquerque não era apenas o homem que apareceu na vida de Gabriel durante a faculdade.

A família dele já tinha uma ligação antiga com os Vasconcelos.

Uma ligação marcada por ressentimento.

O pai de Eduardo, Henrique Albuquerque, era um empresário ambicioso.

No começo dos anos 2000, ele tentou expandir sua empresa de tecnologia.

Mas perdeu uma grande disputa comercial contra Augusto Vasconcelos, pai de Gabriel.

A empresa de Henrique entrou em crise.

Investidores abandonaram o negócio.

E, em poucos anos, o império que ele tentava construir desapareceu.

Mas Henrique nunca aceitou a derrota.

Ele acreditava que a família Vasconcelos tinha destruído sua vida.

E transmitiu esse ódio para o próprio filho.

Rafael colocou um relatório sobre a mesa.

"Eduardo cresceu ouvindo que os Vasconcelos eram responsáveis pela queda da família dele."

Gabriel ficou olhando para o documento.

"Então desde criança ele me via como inimigo?"

O delegado respirou fundo.

"Talvez não no começo. Mas tudo indica que ele foi educado para se aproximar de vocês."

Aquelas palavras foram difíceis de aceitar.

Porque significavam que cada lembrança de Gabriel poderia ter sido uma mentira.

Eu observei meu marido em silêncio.

Ele estava tentando ser forte.

Mas eu sabia que aquilo destruía uma parte dele.

Porque perder um inimigo era fácil.

O difícil era descobrir que alguém que você amava como família nunca esteve realmente do seu lado.

Encontramos registros da juventude de Eduardo.

E foi quando descobrimos algo ainda mais estranho.

A primeira vez que Eduardo conheceu Gabriel não aconteceu por acaso.

Ele escolheu aquele momento.

Escolheu aquela universidade.

Escolheu aquela aproximação.

Segundo os documentos, Eduardo sabia exatamente quem Gabriel era.

O herdeiro da Vasconcelos Tecnologia.

O filho de Augusto Vasconcelos.

O homem que um dia poderia controlar todo o império.

Clara ficou chocada quando descobriu.

"Então ele se aproximou dele por interesse?"

Ninguém respondeu.

Porque a resposta parecia óbvia.

Mas Gabriel ainda tentava encontrar uma explicação.

"Não."

Todos olharam para ele.

Ele continuou:

"Eu conheci Eduardo antes de ele ter qualquer influência na empresa."

Sua voz ficou baixa.

"Ele estava comigo quando eu não tinha nada."

Eu segurei sua mão.

Porque eu sabia que ele não estava defendendo Eduardo.

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Ele estava tentando proteger as próprias memórias.

Gabriel fechou os olhos.

"Eu lembro do primeiro dia em que conversamos."

Ele sorriu por um segundo.

"Eu tinha acabado de perder um grande contrato. Todo mundo dizia que a empresa do meu pai nunca seria grande."

Ele respirou fundo.

"E Eduardo foi a pessoa que ficou comigo naquela noite."

Mas então Rafael colocou outro documento sobre a mesa.

"Senhor Gabriel, nós verificamos essa história."

Ele apontou para uma página.

"E encontramos algo estranho."

Gabriel pegou o documento.

Era um registro de acesso.

Dois dias antes daquele encontro.

Eduardo já tinha pesquisado informações sobre Gabriel.

Sobre a empresa.

Sobre a família.

Sobre os investimentos.

O silêncio tomou conta da sala.

"Ele já sabia quem eu era."

Rafael confirmou.

"Sim."

Naquele momento, uma lembrança começou a mudar de significado.

A amizade de vinte anos.

Os conselhos.

As conversas.

As noites trabalhando juntos.

Tudo poderia ter sido uma preparação.

Uma espera.

Uma vingança construída lentamente.

Naquela tarde, fomos até a antiga casa da família Albuquerque.

Com autorização judicial, procuramos documentos que pudessem explicar o passado de Eduardo.

A casa estava abandonada há anos.

Os móveis cobertos por poeira.

As fotografias antigas ainda nas paredes.

Era como entrar na memória de uma família destruída.

Em um escritório antigo, Clara encontrou uma caixa cheia de cartas.

E uma delas chamou nossa atenção.

Era uma carta de Henrique Albuquerque para Eduardo.

A data era de quando Eduardo ainda era jovem.

Gabriel abriu.

As primeiras linhas pareciam uma mensagem de pai para filho.

Mas depois o tom mudou.

Henrique escreveu sobre vingança.

Sobre recuperar o que acreditava ter perdido.

Sobre fazer a família Vasconcelos pagar.

Gabriel parou de ler.

Ele fechou os olhos.

"Ele cresceu com isso."

Eu me aproximei.

"Gabriel..."

Ele balançou a cabeça.

"Durante vinte anos eu chamei esse homem de irmão."

Sua voz falhou.

"Mas ele passou vinte anos esperando o momento certo para me destruir."

Naquele momento, recebemos uma nova informação.

O delegado Rafael encontrou uma conta antiga ligada a Eduardo.

Uma conta criada quando ele ainda era estudante.

E nela havia pagamentos feitos por uma empresa ligada ao pai dele.

Pagamentos para acompanhar movimentos da Vasconcelos Tecnologia.

Para reunir informações.

Para observar Gabriel.

Eduardo não começou sua vingança quando entrou na empresa.

Ele começou antes.

Muito antes.

Naquela noite, Gabriel ficou sozinho no escritório.

Eu entrei e encontrei ele olhando uma caixa de fotografias antigas.

Ele segurava uma imagem nas mãos.

"Olha isso."

Peguei a fotografia.

Era uma foto antiga de um funeral.

A imagem estava desgastada pelo tempo.

Nela estava Augusto Vasconcelos.

Ao lado dele estavam funcionários e amigos da família.

Mas havia uma pessoa que chamou minha atenção.

Um menino.

Muito jovem.

Parado próximo ao caixão.

Gabriel aproximou a fotografia da luz.

Seu rosto mudou completamente.

"Não pode ser."

Eu olhei para ele.

"Quem é?"

Ele passou os dedos sobre a imagem.

A voz saiu quase em um sussurro.

"Eduardo."

Meu corpo ficou gelado.

Era impossível.

Eduardo era apenas uma criança naquele momento.

Mas a pergunta era:

O que ele fazia no funeral do meu sogro?

Gabriel virou a fotografia.

No verso havia uma anotação antiga.

Uma frase escrita à mão.

"Algumas dívidas passam de geração em geração."

Naquele instante, entendemos.

Eduardo não tinha entrado na vida de Gabriel por acaso.

Ele estava conectado à família Vasconcelos desde a infância.

E talvez aquela vingança tivesse começado no dia em que ele viu alguém ser enterrado.

Mas ainda existia um detalhe que ninguém conseguia explicar.

Por que Augusto Vasconcelos permitiu que o filho do seu maior inimigo estivesse naquele funeral?

E por que, vinte anos depois, esse mesmo menino se tornou o homem mais próximo de Gabriel?

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