《Minha Noite de Núpcias Quase Virou Meu Fim》Parte 4

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Depois daquela mensagem anônima, eu percebi que a guerra tinha mudado de fase.

Antes, Eduardo Ferraz Albuquerque estava escondido.

Ele agia nas sombras.

Criava provas falsas.

Manipulava pessoas.

Mas agora ele tinha escolhido outro caminho.

Ele queria destruir Isabela diante de todo o Brasil.

Na manhã seguinte, quando acordei na Mansão Vasconcelos, meu celular não parava de tocar.

Mensagens.

Chamadas.

Notificações.

Eu ainda não sabia o motivo.

Até Clara entrar na sala com o rosto completamente assustado.

"Gabriel, você precisa ver isso."

Ela colocou o celular sobre a mesa.

Na tela estava uma notícia de um grande portal de notícias de São Paulo.

A manchete ocupava toda a página.

"Nova esposa de bilionário é suspeita de tentativa de assassinato durante noite de núpcias."

Meu corpo ficou gelado.

Isabela pegou o aparelho.

A cada linha que lia, seu rosto perdia a cor.

A matéria contava uma história completamente diferente da realidade.

Segundo a reportagem, uma jovem esposa havia se casado com um dos homens mais ricos do país.

Poucas horas depois, uma substância perigosa havia sido encontrada perto do quarto.

Uma apólice milionária estava registrada em nome dela.

E a polícia investigava a possibilidade de um crime motivado por dinheiro.

Era uma mentira.

Mas era uma mentira cuidadosamente construída.

Uma mentira que parecia verdade.

Isabela colocou o celular sobre a mesa.

"Ele fez isso."

Sua voz tremia.

"Eduardo colocou tudo em movimento."

Eu olhei para a televisão da sala.

Outros canais já repetiam a mesma história.

A imagem de Isabela aparecia em todos os lugares.

A mulher que deveria estar vivendo seu primeiro dia como esposa agora era apresentada como uma criminosa.

A mulher que salvou minha vida estava sendo transformada na pessoa que tentou tirar ela.

Senti uma raiva enorme.

"Eu vou acabar com isso."

Peguei meu telefone.

Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, meu advogado ligou.

A voz dele estava preocupada.

"Gabriel, precisamos conversar imediatamente."

Algumas horas depois, uma reunião extraordinária foi marcada na sede da Vasconcelos Tecnologia, na Avenida Faria Lima.

Quando chegamos, o clima era completamente diferente do que eu conhecia.

Os mesmos homens que costumavam apertar minha mão agora evitavam olhar para Isabela.

O conselho administrativo estava reunido.

E a cadeira que antes pertencia a Eduardo estava vazia.

Ele tinha desaparecido.

Mas sua presença estava em todos os lugares.

O presidente do conselho abriu a reunião.

"Gabriel, todos sabemos que a situação é delicada."

Olhei para ele.

"Delicada? Minha esposa está sendo acusada injustamente."

Ele respirou fundo.

"Ninguém está dizendo que ela é culpada."

Mas todos naquela sala pensavam isso.

Eu conseguia ver nos olhos deles.

O medo.

A dúvida.

A pressão.

Um dos conselheiros abriu uma pasta.

"Por causa da investigação, precisamos proteger a empresa."

Meu rosto ficou sério.

"O que exatamente vocês querem dizer?"

Ele hesitou.

Depois respondeu:

"Queremos suspender temporariamente o acesso de Isabela a qualquer informação relacionada ao grupo."

Isabela ficou em silêncio.

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Mas eu sabia que aquelas palavras machucavam.

Não era apenas uma decisão empresarial.

Era uma forma de dizer que ela não era confiável.

"Ela nunca teve acesso aos dados da empresa."

O conselheiro respondeu:

"Mas ela aparece como beneficiária da apólice."

Eu bati a mão na mesa.

"Uma apólice falsa."

A sala ficou em silêncio.

Mas eu sabia que Eduardo tinha planejado exatamente aquilo.

Ele não precisava provar que Isabela era culpada.

Ele só precisava fazer todos duvidarem dela.

Depois da reunião, Clara me chamou em particular.

Ela segurava alguns documentos.

"Gabriel, eu encontrei uma coisa estranha."

Entramos em uma sala reservada.

Ela colocou a apólice de seguro sobre a mesa.

"Olhei novamente a data."

Eu analisei o documento.

A primeira coisa que notei foi uma assinatura parecida com a de Isabela.

Mas não era isso que Clara queria mostrar.

"Observe aqui."

Ela apontou para a data de emissão.

Meu rosto mudou.

"Três semanas antes do casamento."

Ela confirmou.

"Exatamente."

Fiquei alguns segundos sem falar.

Porque aquela informação mudava tudo.

Alguém não apenas preparou uma armadilha.

Alguém sabia que Isabela se casaria comigo.

Sabia que ela estaria naquela posição.

Sabia que, no momento certo, ela seria a pessoa perfeita para ser acusada.

"Isso não foi planejado depois da nossa noite de casamento."

Clara balançou a cabeça.

"Não."

Ela olhou para mim.

"Foi preparado antes mesmo de vocês dizerem sim no altar."

Meu coração acelerou.

Eduardo tinha planejado tudo com antecedência.

Mas por quê?

Por que Isabela?

Por que transformar justamente ela no alvo?

Naquela noite, voltei para casa e encontrei Isabela sentada sozinha na varanda.

As luzes da cidade de São Paulo brilhavam ao longe.

Ela parecia distante.

Sentei ao lado dela.

"Eu sinto muito."

Ela me olhou.

"Por quê?"

"Porque você entrou nessa família achando que encontraria uma vida nova."

Fiz uma pausa.

"E acabou sendo colocada no meio de uma guerra."

Ela tentou sorrir.

Mas não conseguiu.

"Gabriel, eu só queria que você acreditasse em mim."

Segurei sua mão.

"Eu acredito."

Ela olhou para mim surpresa.

"Mesmo com tudo isso?"

"Principalmente por causa de tudo isso."

Naquele momento, eu percebi algo.

Eduardo queria nos separar.

Ele queria que eu olhasse para minha esposa como uma suspeita.

Queria destruir a única pessoa que estava tentando me salvar.

Mas eu ainda precisava descobrir uma coisa.

Quem era a pessoa que ajudava Eduardo?

Porque alguém precisou falsificar documentos.

Alguém precisou conseguir informações particulares.

Alguém precisou copiar minha assinatura.

No dia seguinte, o delegado Rafael Martins voltou à mansão.

Mas dessa vez ele não estava procurando Eduardo.

Ele estava procurando respostas sobre Isabela.

Ele entrou carregando uma pequena caixa de evidências.

"Encontramos algo importante."

Isabela ficou tensa.

"O quê?"

Rafael abriu a caixa.

Dentro havia um material usado para coleta de impressões digitais.

"Analisamos os documentos encontrados no quarto."

Ele olhou para mim.

"Existe uma coisa que não faz sentido."

"Qual?"

Ele retirou uma folha.

"Encontramos impressões digitais de Isabela na apólice."

Meu corpo ficou imóvel.

Isabela também ficou surpresa.

"Mas eu nunca toquei nesse documento."

O delegado levantou a mão.

"Esse é exatamente o problema."

Ele colocou outra folha ao lado.

"As impressões parecem reais."

Eu olhei para ele sem entender.

"Como alguém poderia copiar uma impressão digital?"

Rafael ficou em silêncio por alguns segundos.

Então respondeu:

"Porque alguém teve acesso às digitais dela antes."

A sala ficou completamente quieta.

Isabela segurou meu braço.

"Isso significa que alguém pegou minha impressão."

O delegado confirmou.

"Sim."

Ele respirou fundo.

"E essa pessoa provavelmente está perto o suficiente para conhecer seus hábitos, seus documentos e sua rotina."

Naquele momento, todos nós entendemos.

Eduardo não tinha apenas preparado uma armadilha.

Ele tinha construído uma rede inteira para destruir Isabela.

Mas antes de sair, Rafael recebeu uma ligação.

Ele ouviu alguns segundos.

Depois sua expressão mudou.

"Delegado?"

Ele desligou lentamente.

Olhou para nós.

E disse:

"Encontramos quem copiou as digitais de Isabela."

Ficamos esperando a resposta.

Mas Rafael apenas abriu a pasta que carregava.

Dentro dela havia uma fotografia.

Uma fotografia tirada dentro da Mansão Vasconcelos.

E nela aparecia uma pessoa que ninguém imaginava estar envolvida.

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