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《O Preço da Rendição》Capítulo 11

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Capítulo 11: Cinzas e Diamantes

O ronco possante do motor esportivo cortava a neblina densa da rodovia que serpenteava pelo interior de São Paulo, rasgando a escuridão da madrugada com faróis implacáveis.

Lorenzo mantinha as duas mãos firmes no volante de couro, com os nós dos dedos brancos de tanta força enquanto o ponteiro do velocímetro ultrapassava duzentos quilômetros por hora.

Helena sentava-se ao lado dele no banco do passageiro, com o olhar fixo na estrada deserta e o coração batendo no ritmo acelerado de uma contagem regressiva.

A perseguição ao tio traidor Sérgio Valeri chegava ao seu capítulo final, exatamente nas ruínas isoladas de uma antiga mansão histórica abandonada havia décadas.

O carro freou bruscamente diante dos portões de ferro estilhaçados da propriedade, erguendo nuvens de poeira e cascalho sob os refletores automotivos.

"Fique atrás de mim, Helena", Lorenzo ordenou com voz fria e cortante, destravando a porta de seu lado e sacando uma pistola preta compacta do coldre oculto sob o paletó.

"Eu não vou ficar escondida enquanto o homem que destruiu a minha vida tenta escapar", Helena retrucou de imediato, abrindo a porta do passageiro e descendo para a grama úmida.

A mansão abandonada erguia-se à frente deles como uma carcomida mandíbula de pedra, com janelas quebradas e paredes cobertas por trepadeiras escuras sob a luz pálida da lua.

Eles caminharam em total silêncio pelas tábuas podres do piso de entrada, guiados apenas pelo som abafado de passos apressados vindos do segundo andar.

A porta do salão principal estava entreaberta, deixando escapar um filete de luz amarela que rasgava a penumbra do corredor principal.

Lorenzo empurrou o batente com o cano da arma, invadindo o aposento com a agilidade silenciosa de um predador pronto para o bote definitivo.

Sérgio Valeri estava no centro da sala empoeirada, segurando uma maleta de couro gasta e tentando forçar a abertura de uma janela lateral para escapar em direção ao matagal.

Ao ouvir o ruído, o velho homem girou os calcanhares abruptamente, revelando o rosto suado, os olhos arregalados de pavor e uma arma trêmula apontada em direção à porta.

"Ora, ora... vejam só quem resolveu aparecer para a festa de despedida", Sérgio zombou com um riso nervoso, engatilhando o revólver com dedos trêmulos. "Pensaram mesmo que poderiam me caçar como a um cão?"

" Abaixe essa arma, Sérgio, você está cercado por todos os lados", Lorenzo sibilou, avançando lentamente com o corpo tenso como a mola de um relógio reluzindo perigo.

"Não dê um passo mais perto, Lorenzo, ou eu estoure os miolos desta garotinha insolente", Sérgio gritou, apontando o cano trêmulo diretamente para o peito de Helena.

Helena não recuou um único centímetro; ela ergueu o queixo com altivez, encarando o velho traidor com uma serenidade gélida que o desestabilizou por completo.

"Você não tem para onde fugir, Sérgio", Helena falou com voz firme e cortante. "Suas contas estão zeradas, seus parceiros foram presos e os registros físicos que você roubou não valem absolutamente nada."

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"Você acha mesmo que o seu pai era um santo, meninota?", Sérgio sibilou com um sorriso sádico e venenoso, tentando uma última cartada desesperada de chantagem psicológica. "O Doutor Bernardo Silva não sofreu um derrame por acaso... ele sabia que eu iria expor as fraudes dele, e preferiu enfartar de medo quando percebeu que a máscara havia caído!"

Ouvir aquelas palavras fez o estômago de Helena dar uma volta dolorosa, reacendendo fantasmas antigos que tentavam corroer a paz recém-conquistada em seu peito.

Antes que ela pudesse processar o golpe, Lorenzo avançou como um animal enjaulado, cruzando a distância entre eles com uma velocidade aterrorizante e desumana.

Sérgio tentou erguer a arma para disparar, mas o punho fechado de Lorenzo desceu com força brutal e seca diretamente contra a mesa de vidro ao lado, estilhaçando-a em milhares de cacos.

O estrondo ensurdecedor do impacto fez com que o revólver escapasse dos dedos do tio, caindo ruidosamente sobre o piso de madeira empoeirada.

Sérgio caiu de joelhos entre os cacos de vidro, agarrando o próprio pulso machucado e implorando por misericórdia com gemidos de puro pavor.

"Por favor, Lorenzo... eu sou da sua família... tenha piedade!", Sérgio gemia choramingando, encolhendo-se diante da fúria homicida estampada nas íris âmbar do sobrinho.

Lorenzo ergueu a bota, pronto para desferir um chute definitivo que esmagaria a dignidade do traidor, mas uma mão firme segurou o seu braço no último segundo.

Era Helena. Ela tocou o pulso dele com delicadeza, balançando a cabeça lentamente para indicar que a violência física já não era necessária.

Lorenzo paralisou, respirando fundo enquanto a insanidade em seus olhos dava lugar à lucidez ao olhar para a mulher que agora controlava cada batida de seu coração.

Helena deu um passo à frente, olhando para o homem patético que jazia de joelhos no chão, e proferiu a frase definitiva que encerrou aquela guerra de fantasmas:

"O meu pai cometeu erros, Sérgio, mas ele morreu com a dignidade que você jamais vai ter... e o passado dele não pertence a você, nem a este império de mentiras, porque o presente agora é inteiramente nosso."

Sérgio abriu a boca para retrucar, mas nenhum som saiu de sua garganta diante da força esmagadora daquelas palavras que o aniquilaram por completo.

Nesse exato instante, o som estridente de sirenes cortou a noite escura lá fora, aproximando-se rapidamente pela estrada de terra da mansão abandonada.

Feixes de luz de dezenas de viaturas policiais invadiram as janelas quebradas do salão, iluminando o ambiente com um brilho vermelho e azul implacável.

O Delegado Farias, um oficial incorruptível da Polícia Federal de quarenta e cinco anos, entrou no salão acompanhado por meia dúzia de agentes fortemente armados.

"Sérgio Valeri, você está preso por lavagem de dinheiro, fraude corporativa e desvio de fundos", o Delegado Farias anunciou com voz solene, algemando o prisioneiro sem cerimônia.

Enquanto Sérgio era arrastado para fora do aposento, um dos agentes federais apontou para uma lareira antiga onde os papéis da dívida haviam sido jogados por precaução.

"Senhor Valeri, há um princípio de incêndio controlado na lareira... os documentos originais estão queimando", o policial informou olhando para Lorenzo.

"Deixe que queimem", Lorenzo respondeu friamente, envolvendo a cintura de Helena com um braço firme e puxando-a para perto de seu corpo.

Eles caminharam juntos para fora da mansão em ruínas, observando a fumaça cinzenta e densa subir em direção ao céu estrelado, consumindo as cinzas do passado.

Helena fechou os olhos por um instante, sentindo o calor do fogo purificar cada réstia de dor, e jogou-se firmemente nos braços de Lorenzo em meio às cinzas.

O fogo que um dia ameaçou destruir os dois havia se transformado na fornalha que solidificou para sempre a união de suas almas.

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