Capítulo 10: O Sangue dos Valeri
O céu de São Paulo despencou em um blecaute implacável justo quando a guerra financeira entre os acionistas da Valeri Holdings atingiu o seu clímax absoluto.
A imponente cobertura em Itaim Bibi mergulhou de repente em uma escuridão total, rompida apenas pela luz azulada e trêmula das telas de laptops e tablets de alta performance.
Helena estava sentada à mesa de vidro do escritório particular de Lorenzo, com os dedos voando agilmente sobre o teclado em uma sequência frenética de códigos bancários.
Ao seu lado, a jovem Camila Valeri, de vinte e quatro anos, cruzava os braços com nervosismo visível, mordendo o lábio inferior enquanto observava as linhas de dados criptografados.
A prima de Lorenzo, uma herdeira rebelde que odiava a corrupção do tio Sérgio, tornara-se a aliada relutante perfeita para desvendar as senhas das contas offshore.
"Se você errar o algoritmo de autenticação de duas etapas, o sistema vai bloquear os servidores de Zurique por setenta e duas horas, Helena", Camila alertou com a voz tensa.
"Eu não vou errar", Helena respondeu com uma frieza cirúrgica, sem desviar os olhos verdes da tela brilhante. "O Sérgio é previsível na ganância dele; ele usa as mesmas chaves de criptografia há quase uma década."
Lorenzo mantinha-se de pé logo atrás da cadeira de Helena, com as mãos firmes apoiadas no encosto de couro, monitorando cada movimento com a precisão de um falcão.
Ele vestia apenas uma camisa escura com as mangas dobradas até os cotovelos, exalando uma aura perigosa de quem estava pronto para destruir qualquer um que ousasse tocar em sua parceira.
"O cerco está se fechando, passarinho", Lorenzo murmurou roucamente, inclinando-se para perto do ouvido dela enquanto o som da chuva fustigava os vidros blindados. "Mostre ao meu querido tio o que acontece quando se mexe com o que é nosso."
"Falta apenas um comando para burlar o firewall principal", Helena sussurrou, sentindo o hálito quente dele roçar a pele sensível de seu pescoço.
O ar na sala estava denso, carregado pelo cheiro de café frio, eletricidade estática e uma tensão erótica de alta voltagem que desafiava o caos financeiro do lado de fora.
"Faça isso agora", Lorenzo sussurrou novamente, descendo os lábios lentamente para beijar a curva delicada do seu pescoço com uma possessividade febril.
Um calafrio percorreu a espinha de Helena, mas ela manteve o foco absoluto, respirando fundo para não se perder naqueles lábios que queimavam sua pele.
Com um último toque firme no teclado, Helena pressionou a tecla de confirmação e digitou o código final que autorizava a transferência massiva.
Na mesma fração de segundo, as contas offshore e os paraísos fiscais de Sérgio Valeri foram completamente esvaziados e redirecionados para os fundos de reestruturação dos Silva.
"Pronto", Helena exclamou com um sorriso vitorioso nos lábios, recostando-se contra o peito largo de Lorenzo que a abrigava por trás. "As contas dele estão zeradas. Sérgio está financeiramente morto."
"Magnífico", Camila murmurou boquiaberta, olhando para a tela com uma mistura de pavor e profunda admiração pela genialidade da nova co-executiva. "Você acabou de desossar o império pessoal do meu tio em menos de dez minutos."
"O meu tio nunca soube lidar com adversários que pensam além dos números", Lorenzo comentou com um sorriso sombrio, abraçando Helena com mais força pela cintura.
Antes que pudessem saborear o triunfo por mais alguns instantes, o telefone celular particular de Lorenzo vibrou estridentemente sobre a mesa de vidro.
Lorenzo atendeu a chamada no viva-voz com um gesto impaciente, mantendo os olhos fixos na tela onde o saldo confiscado de Sérgio exibia zeros à esquerda.
"Presidente Valeri, aqui é o chefe da segurança particular", uma voz masculina soou ofegante e tensa do outro lado da linha. "Acabamos de receber uma denúncia anônima do nosso informante no aeroporto de Congonhas."
"Vá direto ao ponto", Lorenzo ordenou com a voz cortante como uma lâmina.
"O senhor Sérgio Valeri burlou o cerco policial e embarcou em um jato particular rumo ao Uruguai há poucos minutos", o segurança relatou rapidamente. "E antes de fugir, ele invadiu o cofre secundário da holding e levou os últimos registros físicos dos negócios do falecido Doutor Bernardo Silva."
O som daquelas palavras atingiu Helena como um soco no estômago, fazendo o sangue sumir instantaneamente de seu rosto.
"Os documentos originais sobre a falência do meu pai?", Helena perguntou com a voz estrangulada, levantando-se abruptamente da cadeira. "Ele levou as provas que faltavam!"
"Ele levou a única via física que ainda continha as assinaturas originais do acordo que incrimina os dois lados", Lorenzo completou, com as íris âmbar brilhando com uma fúria mortal.
Camila colocou as mãos sobre a boca, horrorizada com a reviravolta inesperada que ameaçava destruir a vitória que acabavam de conquistar.
"Ele não vai escapar com os papéis do meu pai", Helena declarou com os olhos verdes faiscando de uma determinação feroz e inegociável. "Eu não vou permitir."
Lorenzo virou-se lentamente, caminhou até a mescla de mogno onde repousava um pesado chaveiro metálico com o logotipo prateado de seu carro esportivo favorito.
Ele pegou as chaves com dedos firmes, girou-as no ar por um segundo e fitou Helena com um olhar que prometia o fim do mundo para quem cruzasse o caminho deles.
Lorenzo olhou para Helena, com um sorriso perigoso e absolutamente letal desenhando-se nos cantos de sua boca, e disparou as palavras que selavam o destino daquela noite:
"Vamos terminar o que começamos."