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《O Homem Escondido No Sofá》Parte 3

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A manhã seguinte na Mansão Vasconcelos parecia completamente diferente.

O mesmo lugar que antes transmitia riqueza e perfeição agora parecia frio.

Os grandes corredores, os móveis luxuosos e os quadros antigos da família pareciam carregar o peso de uma mentira que todos tinham ajudado a esconder.

Isabela Almeida Vasconcelos passou a noite inteira sem conseguir dormir.

Cada vez que fechava os olhos, lembrava da cena.

O homem saindo de dentro do sofá.

O rosto assustado da mãe.

E principalmente o silêncio de Valentina quando foi descoberta.

Uma mãe inocente teria gritado.

Teria explicado.

Teria mostrado indignação.

Mas Valentina apenas ficou com medo.

E aquilo era o que mais incomodava Isabela.

Pela primeira vez na vida, ela sentia que sua própria mãe era uma estranha.

Na manhã seguinte, Isabela encontrou o pai no escritório.

Ricardo estava sentado diante da mesa, cercado por documentos.

O homem que sempre parecia forte estava completamente diferente.

O rosto cansado.

Os olhos vermelhos.

Como se tivesse envelhecido anos em apenas uma noite.

Isabela entrou devagar.

"Pai..."

Ricardo levantou os olhos.

Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio.

Eles sempre foram próximos.

Mas naquele momento existia uma distância enorme entre eles.

"Você conseguiu dormir?"

Isabela balançou a cabeça.

"Não."

Ricardo olhou para os documentos.

"Eu também não."

Ela se aproximou.

"Você acredita nela?"

Ricardo demorou para responder.

Antes, ele teria defendido Valentina sem pensar.

Mas agora tudo parecia diferente.

"Eu não sei mais no que acreditar."

Aquelas palavras machucaram Isabela.

Porque ela sabia o quanto o pai amava a mãe.

Ricardo passou a mão pelo rosto.

"Durante vinte e cinco anos eu achei que conhecia minha esposa."

Ele respirou fundo.

"Agora parece que vivi uma vida inteira ao lado de alguém que eu não conheço."

Isabela sentiu os olhos encherem de lágrimas.

Mas naquele momento ela tomou uma decisão.

Ela precisava descobrir a verdade.

Não apenas pelo pai.

Mas por ela mesma.

Porque se a mãe era capaz de esconder um homem dentro da própria casa, talvez existissem muitos outros segredos escondidos.

Mais tarde, enquanto Ricardo conversava com o advogado, Isabela foi até a antiga biblioteca da mansão.

Era o lugar onde seu pai guardava documentos antigos da empresa e arquivos da família.

Desde criança, ela gostava daquele lugar.

Mas naquele dia, entrou ali procurando respostas.

Ela começou a pesquisar sobre Eduardo Ferraz.

O nome parecia familiar.

Mas ela não sabia de onde.

Depois de algumas horas procurando documentos antigos, encontrou uma pasta esquecida no fundo de uma gaveta.

Na capa estava escrito:

"Projeto Expansão Vasconcelos - 2004."

Isabela abriu.

E congelou.

Na primeira página havia uma fotografia antiga.

Nela estava seu pai, muito mais jovem, ao lado de um homem que ela reconheceu imediatamente.

Eduardo Ferraz.

Mas naquela foto ele não parecia um desconhecido escondido em sua casa.

Ele parecia um parceiro.

Um homem de confiança.

Ao lado deles estava Valentina.

Sorrindo.

Como se todos fossem parte de uma mesma história.

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Isabela começou a ler os documentos.

Eduardo Ferraz tinha sido um dos principais responsáveis pelo crescimento da Vasconcelos Construções.

Ele havia ajudado Ricardo a fechar grandes contratos.

Participado das primeiras negociações.

E, segundo os documentos, era considerado quase um irmão pelo seu pai.

Mas havia algo estranho.

No final daquele ano, Eduardo desapareceu.

Sem explicação.

Sem despedida.

Sem nenhuma notícia.

Isabela continuou lendo.

Até encontrar uma anotação feita à mão.

"Parceria encerrada após conflito familiar."

Ela franziu a testa.

Conflito familiar?

Que conflito?

Naquele momento, percebeu que Eduardo não era apenas um homem que tinha um caso com sua mãe.

Ele fazia parte da história da família.

Uma história que Ricardo aparentemente desconhecia.

Isabela fechou a pasta.

Seu coração estava acelerado.

Ela precisava falar com alguém que soubesse do passado.

Então procurou Dona Lúcia.

Encontrou a governanta organizando flores no jardim interno da mansão.

Quando viu Isabela se aproximar, a senhora imediatamente percebeu que havia algo diferente.

"Senhorita Isabela, aconteceu alguma coisa?"

A jovem mostrou a fotografia.

O rosto de Dona Lúcia mudou.

Foi rápido.

Mas suficiente.

Isabela percebeu.

"Você conhece Eduardo Ferraz."

Não era uma pergunta.

Era uma afirmação.

Dona Lúcia ficou em silêncio.

"Eu preciso saber a verdade."

A governanta olhou para os lados.

Como se tivesse medo que alguém estivesse ouvindo.

"Senhorita, existem coisas dessa família que deveriam permanecer enterradas."

Isabela sentiu um arrepio.

"Por quê?"

Dona Lúcia suspirou.

"Porque algumas verdades destroem tudo quando aparecem."

Isabela segurou a fotografia com força.

"Minha família já está destruída."

Aquelas palavras fizeram a governanta abaixar a cabeça.

Depois de alguns segundos, ela falou:

"Eduardo Ferraz não era apenas um parceiro do seu pai."

Isabela ficou imóvel.

"O que ele era então?"

Dona Lúcia olhou para a mansão.

"Ele era alguém muito próximo da sua mãe."

O coração de Isabela apertou.

"Você está dizendo que eles já se conheciam antes?"

Dona Lúcia não respondeu diretamente.

Mas o silêncio confirmou.

Naquela noite, Isabela começou a procurar todos os arquivos antigos relacionados à mãe.

Ela entrou no antigo quarto de Valentina, enquanto a mãe estava fora.

Não queria fazer aquilo.

Mas precisava.

Cada gaveta.

Cada caixa.

Cada documento.

Ela procurava qualquer coisa que explicasse quem realmente era Valentina Montenegro Vasconcelos.

Depois de quase uma hora, encontrou uma pequena caixa de madeira escondida no fundo do armário.

A caixa estava trancada.

Mas a chave estava presa junto a um colar antigo.

Um colar que Isabela nunca tinha visto antes.

Ela abriu.

Dentro havia cartas antigas.

Recibos.

Fotos.

E um envelope amarelado pelo tempo.

Ela pegou a primeira fotografia.

Era uma imagem de vinte anos atrás.

Sua mãe era muito jovem.

Muito diferente.

Ela estava em um hospital.

Nos braços dela havia um bebê.

Isabela sentiu o corpo inteiro congelar.

Ela aproximou a foto da luz.

Não era apenas uma criança qualquer.

No verso havia uma data.

O mesmo ano em que Eduardo Ferraz desapareceu.

As mãos de Isabela começaram a tremer.

Então ela virou a fotografia.

E viu uma frase escrita atrás.

Uma frase feita pela própria letra de sua mãe.

"Nosso segredo nunca pode chegar ao conhecimento de Ricardo."

Isabela ficou parada no quarto escuro.

Sem conseguir respirar.

Porque naquele instante ela percebeu algo muito pior do que uma traição.

Sua mãe não estava apenas escondendo um homem.

Ela estava escondendo uma parte inteira da história da família.

E talvez...

Um filho que Ricardo nunca soube que existia.

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