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《O Homem Escondido No Sofá》Parte 2

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Durante alguns segundos, ninguém conseguiu se mover dentro da Mansão Vasconcelos.

O relógio antigo no salão continuava marcando os segundos, mas parecia que o tempo havia parado.

Ricardo Vasconcelos permanecia parado perto da porta principal.

A pasta de documentos ainda estava em sua mão.

Mas toda a atenção dele estava naquele homem desconhecido que tinha acabado de sair de dentro do sofá da sua própria casa.

Um homem que parecia conhecer sua esposa melhor do que ele.

Ricardo olhou para Valentina.

Esperava uma explicação.

Esperava ouvir que aquilo era um engano.

Uma coincidência.

Qualquer coisa que pudesse destruir aquela imagem horrível diante dos seus olhos.

Mas Valentina não conseguia falar.

Pela primeira vez em muitos anos, a mulher que sempre parecia ter controle de tudo estava completamente perdida.

"Ricardo, não é o que você está pensando."

A voz dela finalmente saiu.

Mas estava trêmula.

Ricardo soltou uma risada curta.

Uma risada sem alegria.

"Então me explica."

Ele apontou para o homem.

"Me explica por que existe um estranho escondido dentro do meu sofá."

Valentina deu alguns passos para frente.

"Ele veio conversar comigo."

O homem abaixou o olhar.

Mas não negou.

Ricardo percebeu.

"E conversar significa se esconder dentro da minha casa?"

O silêncio respondeu por ela.

Isabela continuava no meio do salão.

Ela ainda sentia a bochecha ardendo pelo tapa que recebeu da mãe.

Mas naquele momento, a dor física parecia pequena perto da destruição que estava acontecendo diante dela.

Durante toda a vida, Isabela acreditou que seus pais eram um casal perfeito.

Ricardo era o homem trabalhador que passava dias longe de casa para construir o império da família.

Valentina era a esposa elegante que aparecia nas revistas de sociedade, sempre sorrindo ao lado dele.

Mas agora aquela imagem estava quebrada.

A mulher que ensinou Isabela sobre honestidade estava escondendo um homem dentro da própria casa.

"Qual é o nome dele?"

Ricardo perguntou.

Valentina ficou em silêncio.

O homem respondeu antes dela.

"Eduardo Ferraz."

Ricardo virou lentamente o rosto.

Como se aquele nome tivesse despertado uma lembrança antiga.

"Eduardo..."

Ele repetiu em voz baixa.

Valentina percebeu a mudança no olhar do marido.

"Ricardo, por favor, não faça isso."

"Fazer o quê?"

A voz dele ficou mais firme.

"Descobrir a verdade?"

Eduardo permaneceu calado.

Mas sua presença dizia tudo.

Ele não parecia um homem perdido.

Parecia alguém que sabia exatamente o que estava acontecendo.

Ricardo caminhou até ele.

"Há quanto tempo você entra na minha casa?"

Valentina imediatamente respondeu.

"Ele não entra aqui há muito tempo."

Mas antes que Eduardo pudesse falar, uma voz veio do fundo do salão.

"Isso não é verdade."

Todos olharam.

Era Dona Lúcia.

A governanta da família estava parada perto da entrada da cozinha.

Ela segurava um pano nas mãos.

Seu rosto mostrava medo.

Mas também mostrava culpa.

Valentina arregalou os olhos.

"Dona Lúcia, cuidado com o que vai dizer."

A senhora respirou fundo.

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Durante décadas, ela tinha protegido aquela família.

Guardou segredos.

Ignorou conversas.

Fingiu não perceber muitas coisas.

Mas naquele momento, não conseguia mais mentir.

"Desculpe, dona Valentina."

Ela olhou para Ricardo.

"Mas o senhor precisa saber."

O coração de Ricardo acelerou.

"Saber o quê?"

Dona Lúcia apertou as mãos.

"Esse homem já esteve aqui muitas vezes."

O silêncio voltou a dominar o salão.

Isabela sentiu um frio no corpo.

Ricardo ficou imóvel.

"Muitas vezes?"

Dona Lúcia confirmou.

"Sim, senhor."

Valentina tentou interromper.

"Ela está confundindo as coisas."

Mas Dona Lúcia continuou.

"Ele sempre chegava quando o senhor viajava."

Ricardo olhou para a esposa.

A expressão dele mudou.

Não era mais apenas surpresa.

Era uma mistura de dor e humilhação.

"Você sabia?"

Ele perguntou para Valentina.

Ela não respondeu.

E aquele silêncio foi pior do que qualquer confissão.

Isabela observava tudo.

Então percebeu outra coisa.

Dona Lúcia não parecia apenas com medo.

Ela parecia alguém que tinha sido obrigada a esconder aquilo.

"Minha mãe sabia que todos estavam vendo?"

Isabela perguntou.

Dona Lúcia abaixou os olhos.

"Senhorita Isabela..."

"Responda."

A jovem estava chorando.

Mas sua voz estava firme.

A governanta respirou fundo.

"Todos os funcionários receberam ordens para nunca comentar sobre as visitas."

Ricardo fechou os olhos por alguns segundos.

Aquilo doeu mais do que a traição.

Não era apenas uma mentira da esposa.

Era uma mentira construída dentro da própria casa.

Uma mentira onde todos foram obrigados a participar.

Valentina tentou recuperar o controle.

"Ricardo, você está exagerando."

Ele olhou para ela sem acreditar.

"Exagerando?"

A voz dele aumentou.

"Minha esposa esconde um homem dentro da nossa casa, meus funcionários sabem disso e eu sou o último a descobrir?"

Valentina começou a chorar.

Mas Isabela percebeu algo estranho.

Mesmo chorando, sua mãe não parecia arrependida.

Parecia com medo.

Como se existisse algo ainda pior escondido.

Naquela noite, Ricardo deixou Valentina sozinha no quarto.

Ele não conseguiu dormir.

Pela primeira vez em vinte e cinco anos de casamento, ele olhava para a própria esposa como uma desconhecida.

No escritório da mansão, ele abriu antigos documentos.

Contratos.

Relatórios financeiros.

Extratos da empresa.

Se havia uma coisa que Ricardo conhecia bem, era investigação.

Ele construiu a Vasconcelos Construções do zero.

Sabia identificar quando algo estava errado.

E depois de algumas horas analisando os números, encontrou algo que fez seu coração parar.

Transferências.

Grandes valores.

Milhões de reais saindo das contas da empresa.

E o destino?

Contas desconhecidas.

Empresas sem funcionários.

Empresas criadas recentemente.

Ricardo passou a mão pelo rosto.

"Não pode ser..."

Ele continuou olhando os documentos.

Durante os últimos dois anos, Valentina tinha movimentado uma fortuna sem que ele soubesse.

Não era apenas uma traição pessoal.

Era algo envolvendo o império que ele construiu durante toda a vida.

Na manhã seguinte, Ricardo chamou seu advogado de confiança.

Dr. Marcelo Ribeiro chegou à mansão antes do almoço.

Ele conhecia a família há mais de quinze anos.

Mas nunca tinha visto Ricardo daquele jeito.

O empresário colocou os documentos sobre a mesa.

"Marcelo, eu preciso que você descubra tudo."

O advogado analisou os papéis.

Quanto mais lia, mais sério ficava.

"Ricardo..."

"Fala."

O advogado respirou fundo.

"Essas movimentações não parecem ser apenas gastos pessoais."

Ricardo ficou em silêncio.

"Então o que são?"

Marcelo fechou a pasta lentamente.

"Eu ainda preciso investigar."

Ele fez uma pausa.

"Mas existe uma coisa que encontrei antes mesmo de começar."

Ricardo levantou os olhos.

"O quê?"

O advogado hesitou.

Como se soubesse que aquela informação mudaria tudo novamente.

"Senhor Ricardo..."

Ele segurou a pasta com força.

"Esse homem que estava escondido na sua casa..."

Ricardo ficou atento.

"Ele não é a única pessoa que sua esposa escondeu de você."

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