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《O Homem Escondido No Sofá》Parte 1

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A Mansão Vasconcelos, localizada no Jardim Europa, em São Paulo, sempre foi conhecida como uma das casas mais luxuosas da elite paulista.

Muros altos, jardins perfeitamente cuidados, lustres importados e uma decoração impecável faziam qualquer visitante acreditar que ali vivia uma família sem problemas.

Mas naquela tarde, dentro daquela casa silenciosa, uma verdade escondida por anos estava prestes a destruir tudo.

Isabela Almeida Vasconcelos tinha acabado de voltar de uma viagem curta ao litoral com algumas amigas.

Aos vinte anos, ela era conhecida por todos como uma jovem tranquila, inteligente e observadora.

Diferente dos outros membros da família, Isabela nunca se preocupou com festas luxuosas ou com a aparência de perfeição que sua mãe fazia questão de mostrar para a sociedade.

Ela gostava de observar.

E nos últimos meses, havia percebido algo estranho.

A mãe, Valentina Montenegro Vasconcelos, uma mulher elegante de quarenta e cinco anos, sempre parecia esconder alguma coisa.

As mudanças de humor.

As ligações em segredo.

As viagens inesperadas nos mesmos dias em que seu pai estava fora da cidade.

Tudo parecia pequeno demais para ser uma prova.

Mas grande demais para ser ignorado.

Naquela tarde, Isabela entrou na mansão e percebeu que o silêncio era diferente.

Normalmente, sua mãe estaria no salão principal conversando com alguém ou organizando algum evento.

Mas não havia ninguém.

Apenas o som distante do ar-condicionado e dos passos dos funcionários.

Ela caminhou pelo corredor principal e encontrou Dona Lúcia, a antiga governanta da família, limpando uma mesa de mármore.

A senhora levantou os olhos rapidamente.

"Senhorita Isabela, achei que a senhora voltaria apenas amanhã."

Isabela sorriu levemente.

"Decidi voltar antes. Minha mãe está em casa?"

Dona Lúcia hesitou por alguns segundos.

Foi uma hesitação pequena.

Mas Isabela percebeu.

"Ela está no quarto, senhorita. Disse que não queria ser incomodada."

Isabela franziu a testa.

"Ela está bem?"

A governanta abaixou o olhar.

"Disse que estava com dor de cabeça."

Isabela ficou parada por alguns segundos.

Mais uma vez.

A mesma desculpa.

Nos últimos meses, sempre que alguém tentava se aproximar de Valentina, ela dizia estar cansada, ocupada ou com algum problema.

Isabela respirou fundo e subiu as escadas.

Ela não queria invadir a privacidade da mãe.

Mas algo dentro dela dizia que precisava descobrir o que estava acontecendo.

Ao chegar diante da porta do quarto principal, ela parou.

A porta estava fechada.

Então ouviu algo.

Uma voz masculina.

Baixa.

Desconhecida.

O coração de Isabela acelerou.

Ela aproximou o ouvido da porta.

"Você precisa ir embora antes que Ricardo volte."

Era a voz da mãe.

Mas havia medo nela.

Não era o tom elegante e seguro que Valentina usava nas reuniões da família.

Era desespero.

Isabela sentiu um arrepio percorrer seu corpo.

Quem estava ali?

Sem pensar duas vezes, ela segurou a maçaneta.

E abriu a porta.

O quarto ficou em silêncio imediatamente.

Valentina estava perto da cama.

Seu rosto perdeu completamente a cor.

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Ela usava uma camisa de seda azul-clara e segurava o próprio colar com mãos trêmulas.

Por alguns segundos, mãe e filha apenas se olharam.

Mas Isabela percebeu algo.

A cama estava desarrumada.

Havia duas taças sobre a mesa.

E um perfume masculino desconhecido preenchia o ambiente.

"Isabela?"

A voz de Valentina saiu nervosa.

"Como você entrou aqui?"

Isabela olhou ao redor.

Ela não precisava de uma explicação.

Seu coração já tinha entendido.

"Quem estava aqui?"

Valentina mudou a expressão.

A surpresa virou raiva.

"Você perdeu completamente o respeito?"

Isabela ficou confusa.

"Eu só perguntei quem estava aqui."

"Você entrou no meu quarto sem bater?"

A voz de Valentina aumentou.

"Eu sou sua mãe, não uma pessoa qualquer. Você acha normal invadir minha privacidade?"

Isabela deu um passo para trás.

"Eu ouvi uma voz."

Por um instante, o rosto de Valentina mudou.

Foi apenas um segundo.

Mas Isabela viu.

Medo.

Puro medo.

"Você está imaginando coisas."

Isabela balançou a cabeça.

"Não estou."

Valentina se aproximou.

"Você sempre foi dramática, Isabela."

A jovem sentiu o peito apertar.

"Por que você está tentando esconder alguma coisa?"

Essa pergunta destruiu o último controle de Valentina.

O som da bofetada ecoou pelo quarto.

O impacto fez Isabela virar o rosto.

Por alguns segundos, ela ficou completamente imóvel.

A mão foi lentamente até a própria bochecha.

Ela não conseguia acreditar.

Sua própria mãe tinha acabado de bater nela.

"Você me bateu..."

A voz de Isabela saiu baixa, quase sem força.

Valentina respirava rapidamente.

Mas em vez de arrependimento, tentou recuperar o controle.

"Isso aconteceu porque você ultrapassou todos os limites."

As lágrimas começaram a cair dos olhos de Isabela.

"Eu só queria saber a verdade."

Valentina apontou para a porta.

"Saia daqui."

Isabela olhou para aquela mulher que durante toda sua vida acreditou conhecer.

Mas naquele momento, parecia uma completa desconhecida.

Ela saiu correndo do quarto.

Desceu as escadas tentando segurar o choro.

Mas cada passo parecia mais pesado.

Ela chegou ao enorme salão principal da mansão.

Ali estava o símbolo da família.

O enorme sofá italiano onde todos costumavam receber convidados importantes.

O mesmo sofá que custava uma fortuna.

Isabela tentou respirar.

Tentou se controlar.

Mas a dor e a raiva eram maiores.

Ela segurou uma das almofadas caras e jogou contra o chão.

"Eu não acredito que você fez isso comigo..."

Sua voz ecoou pela sala vazia.

Então aconteceu algo.

Um som.

Fraco.

Quase imperceptível.

Um movimento vindo debaixo do sofá.

Isabela congelou.

Ela olhou lentamente para o móvel.

Por alguns segundos, pensou que estava imaginando.

Mas novamente ouviu.

Um ruído.

Como alguém tentando respirar em silêncio.

O medo substituiu a raiva.

Ela deu alguns passos para trás.

"Tem alguém aí?"

Nenhuma resposta.

O salão inteiro parecia ter parado.

Até que uma parte escondida na estrutura inferior do sofá começou a se abrir lentamente.

Isabela ficou sem reação.

Um homem apareceu.

Primeiro uma mão.

Depois o rosto.

Depois o corpo inteiro.

Ele saiu de um compartimento secreto escondido dentro do sofá.

Um homem de aproximadamente quarenta e oito anos.

Roupas caras.

Olhar assustado.

Como alguém que sabia que tinha sido descoberto.

Isabela levou a mão à boca.

"Quem é você?"

O homem não respondeu.

Ele apenas olhou para a escada.

Como se esperasse alguém aparecer.

E naquele momento, a porta principal da mansão se abriu.

A voz de Ricardo Vasconcelos ecoou pelo salão.

"Cheguei."

O pai de Isabela entrou carregando uma pasta de documentos.

Ele havia voltado mais cedo da viagem de negócios.

Mas parou imediatamente.

Na frente dele estava sua filha pálida.

Ao lado dela, um homem desconhecido saindo de dentro do seu próprio sofá.

Ricardo ficou sem entender.

Então seus olhos encontraram a esposa descendo lentamente as escadas.

Valentina parou.

O rosto dela ficou completamente branco.

O silêncio daquela mansão nunca tinha sido tão pesado.

Ricardo olhou para o homem.

Depois olhou para sua esposa.

"Quem é ele?"

Valentina abriu a boca.

Mas nenhuma palavra saiu.

O homem respirou fundo.

E finalmente encarou Ricardo.

"Ricardo..."

Ele fez uma pausa.

Todos ficaram imóveis.

"Você realmente não sabe que sua esposa me deixa ficar aqui todas as vezes que você viaja para fora da cidade?"

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