《A Mulher De 78 Anos Do Meu Marido》PARTE 1

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A primeira joia chegou em uma terça-feira à noite.

Camila Almeida estava colocando os pratos na mesa da pequena casa onde morava havia vinte anos quando viu uma caixa de veludo preta ao lado do seu lugar.

Ela parou por alguns segundos.

Seu marido, Rafael Almeida, estava encostado na porta da cozinha com um sorriso estranho no rosto.

Um sorriso que ela não via há muito tempo.

"Abra."

Camila olhou para ele desconfiada.

"Rafael... o que é isso?"

"É para você."

Ela abriu lentamente a caixa.

Quando viu o brilho da pulseira de diamantes, suas mãos ficaram paradas no ar.

"Meu Deus..."

Ela nunca tinha recebido algo assim.

Não porque Rafael fosse um homem sem dinheiro.

Mas porque ele nunca gastava dinheiro com coisas consideradas luxuosas.

Durante vinte anos de casamento, Camila aprendeu que Rafael era o tipo de homem que esquecia datas importantes.

Ele já tinha esquecido aniversários de casamento.

Já tinha dito que flores eram um desperdício de dinheiro.

Para ele, uma noite simples em casa era mais importante do que qualquer presente caro.

Por isso, aquela pulseira parecia completamente fora de lugar.

"É mesmo para mim?"

Rafael se aproximou e beijou sua testa.

"Claro. Para quem mais seria?"

Camila sorriu, tentando esconder a confusão dentro do peito.

Ela queria acreditar que aquele era apenas um novo começo.

Queria acreditar que depois de tantos anos Rafael finalmente tinha percebido que ela também merecia ser surpreendida.

Mas uma pequena sensação de medo começou a crescer dentro dela.

Porque uma coisa era mudar.

Outra coisa era mudar de repente.

Nas três semanas seguintes, os presentes não pararam.

Primeiro veio uma bolsa de luxo que Camila tinha visto em uma vitrine meses antes.

Depois, um colar de ouro delicado.

Em seguida, um perfume importado que custava mais do que ela gastaria em um mês inteiro.

E então vieram os brincos que combinavam perfeitamente com o colar.

A casa simples no bairro de Campinas começou a parecer uma loja de luxo.

Caixas elegantes estavam espalhadas pelo quarto.

Sacolas de marcas famosas ocupavam o armário.

E cada noite Rafael chegava em casa com algo novo nas mãos.

Mas junto com os presentes vinha uma distância que Camila não conseguia explicar.

Ele estava mais elegante.

Mais preocupado com a aparência.

Mais misterioso.

Antes, Rafael saía da oficina de carros com a roupa suja de óleo e cheiro de gasolina.

Agora, todos os dias ele chegava em casa, tomava banho demorado, vestia camisas caras e passava perfumes que ela nunca tinha visto antes.

"Seu trabalho está indo tão bem assim?"

Camila perguntou certa noite enquanto observava Rafael colocar o relógio no pulso.

Ele evitou olhar diretamente para ela.

"Melhor do que nunca."

A resposta veio rápida demais.

Camila percebeu.

E aquilo doeu.

Porque depois de vinte anos juntos, ela conhecia cada pequeno movimento dele.

Sabia quando ele estava cansado.

Sabia quando estava preocupado.

E sabia quando estava escondendo alguma coisa.

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"Você parece diferente."

Rafael sorriu.

"Talvez eu só esteja tentando cuidar melhor de você."

Camila queria acreditar.

Ela realmente queria.

Mas naquela noite, quando ficou sozinha na cama enquanto Rafael dizia que precisava resolver algo no computador, ela abriu o aplicativo do banco.

Precisava entender.

Talvez ele tivesse recebido um grande contrato.

Talvez a oficina tivesse crescido.

Talvez finalmente eles pudessem realizar alguns sonhos antigos.

Mas quando abriu a conta, sentiu o coração acelerar.

Nada.

Nenhuma transferência grande.

Nenhum pagamento inesperado.

Nenhum empréstimo.

Nenhuma movimentação que explicasse aqueles presentes.

Era como se o dinheiro simplesmente tivesse aparecido.

No dia seguinte, Camila decidiu conversar com Bruno Ferreira, sócio de Rafael na oficina.

Ela tentou parecer casual.

"Bruno, o Rafael comentou alguma coisa sobre algum contrato novo?"

Bruno franziu a testa.

"Contrato novo?"

"Sim. Ele disse que os negócios estão melhores do que nunca."

O homem ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois respirou fundo.

"Camila... eu não sei se ele te contou, mas nós perdemos alguns clientes nos últimos meses."

Ela sentiu o rosto esquentar.

"Perderam?"

"Sim. Estamos tentando recuperar o movimento."

Bruno olhou para ela preocupado.

"Por quê? Aconteceu alguma coisa?"

Camila forçou um sorriso.

"Não. Eu só queria saber."

Mas naquele momento alguma coisa dentro dela começou a quebrar.

Porque a única explicação que parecia existir era a pior de todas.

Naquela sexta-feira, Rafael chegou mais cedo em casa.

Ele estava usando um terno azul escuro.

Camila ficou olhando.

Aquele não era o homem que ela conhecia.

Aquele parecia alguém tentando impressionar uma pessoa.

Ele percebeu o olhar dela.

"Gostou?"

Camila respondeu lentamente.

"Você vai sair de novo?"

"Tenho uma reunião."

"À noite?"

"É importante."

Antes que ela pudesse perguntar mais alguma coisa, Rafael tirou uma pequena caixa do bolso.

Dentro havia um colar de pérolas.

Camila ficou sem palavras.

Ela tinha admirado aquele colar em uma loja meses atrás.

Só uma vez.

Ela nem tinha comentado com ninguém.

Como ele lembrava?

Rafael colocou o colar no pescoço dela.

"Eu vi e pensei em você."

Camila tocou nas pérolas.

Por um instante, seu coração quase desistiu da desconfiança.

Porque aquele era o problema.

Um homem que estava traindo sua esposa não deveria lembrar de todos os pequenos detalhes dela.

Não deveria saber exatamente o que ela gostava.

Não deveria continuar olhando para ela daquele jeito.

Mas então Rafael pegou as chaves do carro.

E saiu.

Camila ficou parada na porta.

Cinco minutos.

Dez minutos.

Quinze minutos.

Até que finalmente pegou sua bolsa e as chaves do próprio carro.

Ela não queria fazer aquilo.

Mas precisava saber a verdade.

Pela primeira vez em vinte anos de casamento, Camila Almeida seguiu o próprio marido.

O carro preto de Rafael atravessou as ruas de Campinas e depois pegou a estrada em direção a São Paulo.

Ela manteve distância.

Seu coração batia tão forte que parecia que ele podia ouvir.

Depois de quarenta minutos, Rafael entrou em uma das regiões mais luxuosas da cidade.

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Morumbi.

O lugar onde os maiores empresários do Brasil tinham suas mansões.

Camila diminuiu a velocidade.

Ela nunca tinha estado ali.

Nunca imaginou que um dia seguiria seu marido por aquelas ruas.

Rafael passou por um portão de segurança sem sequer precisar parar.

O guarda conhecia ele.

Aquela informação foi como uma facada.

Ele já tinha estado ali antes.

Muitas vezes.

Camila estacionou longe e ficou observando.

Poucos minutos depois, encontrou o carro dele parado em frente a uma mansão gigantesca.

Era uma propriedade que parecia pertencer a outro mundo.

Muros altos.

Jardins perfeitos.

Fontes de mármore.

Luzes douradas iluminando a entrada.

Então a porta principal se abriu.

Um motorista saiu primeiro.

Depois Rafael apareceu.

Mas ele não estava sozinho.

Nas mãos, carregava um enorme buquê de rosas brancas.

Camila sentiu suas mãos tremerem.

Quem era aquela pessoa?

Então uma mulher apareceu na porta.

Uma mulher elegante.

Cabelos completamente prateados.

Postura impecável.

Brincos de diamantes brilhando sob a luz.

Ela parecia ter quase oitenta anos.

Rafael sorriu quando a viu.

Um sorriso que Camila não via havia meses.

A mulher segurou o rosto dele com carinho.

E então aconteceu.

Rafael beijou aquela mulher.

Não foi um beijo no rosto.

Não foi um gesto de educação.

Foi um beijo nos lábios.

Camila ficou imóvel dentro do carro.

Seu corpo inteiro perdeu a força.

Durante vinte anos, ela acreditou conhecer o homem com quem dividia sua vida.

Mas naquele momento, olhando aquela cena, percebeu que talvez nunca tivesse conhecido Rafael de verdade.

A mulher riu suavemente.

Rafael entrou com ela na mansão.

As enormes portas de madeira se fecharam.

E Camila ficou sozinha na rua.

Com o colar de pérolas ainda no pescoço.

O mesmo colar que ele tinha dado a ela poucas horas antes.

Ela dirigiu de volta para casa sem lembrar do caminho.

Quando Rafael chegou depois da meia-noite, trazia mais uma sacola de presente.

"Para você."

Camila olhou para ele.

A vontade de gritar era enorme.

Mas ela apenas perguntou:

"Onde você estava?"

Rafael tirou o casaco.

"Uma reunião de negócios."

Camila quase riu.

Quase.

Mas não conseguiu.

Ela pegou a sacola.

Dentro estava uma echarpe de seda exatamente igual à que ela tinha visto em uma vitrine meses atrás.

Ele lembrava.

Ele sempre lembrava.

E isso tornava tudo ainda mais doloroso.

Naquela madrugada, enquanto Rafael dormia ao seu lado, Camila abriu o computador.

Se ele tinha outra mulher...

Ela precisava saber quem era.

Depois de algumas pesquisas, encontrou o nome.

Helena Montenegro.

78 anos.

Viúva.

Dona de um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo.

Uma das mulheres mais ricas do Brasil.

Sem filhos.

Uma fortuna avaliada em bilhões de reais.

Camila fechou o computador lentamente.

Nada fazia sentido.

Por que um homem simples como Rafael frequentava a mansão de uma milionária?

Por que aquela mulher beijava seu marido?

E por que ele ainda chegava em casa todos os dias trazendo presentes para ela?

Na manhã seguinte, Rafael entrou no banho.

O celular dele ficou sobre a mesa de cabeceira.

Então a tela acendeu.

Uma nova mensagem apareceu.

O nome fez o sangue de Camila congelar.

Helena.

Ela olhou para o telefone.

Suas mãos começaram a tremer.

Apenas uma frase apareceu na prévia da mensagem:

"Não conte nada para sua esposa até que os documentos estejam assinados."

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