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《A Promessa Esquecida sob a Neve》Capítulo 5

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Antes que eu pudesse terminar, uma voz masculina de meia-idade soou do outro lado da linha.

Não era Clarinha. A voz era grave e carregada de uma hesitação visível.

Ele disse: "Sra. Lívia, sua irmã, Clarinha, pulou do prédio há quinze minutos..."

Não consegui ouvir mais nenhuma palavra do que veio a seguir; meus ouvidos pareciam cheios de água, e o mundo inteiro ficou abafado.

O celular escorregou da minha mão e atingiu o chão, com rachaduras se espalhando pela tela como uma teia de aranha densa.

Fitei aquela tela quebrada, apoiei-me na parede e usei o chão para me levantar.

Minhas pernas estavam fracas e meu estômago ainda revirava, mas não me importei; saí correndo aos tropeços.

Meu peito doía como se estivesse sendo rasgado, e cada respiração trazia uma dor surda.

Lá fora, não sei quando, começou a cair um temporal.

A rua estava vazia, sem um único carro.

Corri para a beira da estrada e tentei sinalizar, mas ninguém parava.

A chuva escorria pelo meu cabelo e nublava minha visão.

Eu não conseguia ver a estrada, apenas corria para frente.

Nesse momento, dois faróis cegantes iluminaram a cortina de chuva, aproximando-se e brilhando cada vez mais.

Fiquei parada no meio da estrada, pregada ao chão.

O carro disparou em minha direção e, quando faltava apenas um pouco, brecou bruscamente, o guincho dos pneus cortando a noite chuvosa.

A janela desceu lentamente; Lucas estava no banco do passageiro, exibindo um rosto frio e austero.

Ele me observou, sem qualquer temperatura no olhar.

Eu estava encharcada e em um estado lastimável.

A chuva rolava pelos meus cílios e eu mal conseguia ver seu rosto.

Mesmo assim, caminhei até ele, com a voz tão trêmula que parecia não ser minha: "Lucas, por favor..."

"Me leve ao hospital."

Cinco anos atrás, quando meu pai morreu e Clarinha ficou doente, não implorei a ele.

Mais tarde, quando fiquei sem um centavo e bebi até ter uma hemorragia estomacal, também não implorei.

Mas agora era diferente; eu precisava chegar ao hospital, precisava ver Clarinha pela última vez.

Ela estava sozinha no hospital, devia estar sentindo muita dor, devia estar com muito medo.

Agarrei a borda da janela, com as pontas dos dedos embranquecidas pela água.

"Lucas, eu te imploro..."

"Clarinha, ela..."

Antes que eu terminasse, Lucas virou o rosto com frieza: "Você precisa de ajuda, é isso?"

Balancei a cabeça com força: "Sim..."

Lucas franziu a testa, achando um incômodo sequer me ouvir: "Então procure a polícia, mas se não soltar o carro agora, eu é que vou ligar para a polícia."

Capítulo 8

A chuva fria batia no meu peito como pedras duras, causando dor a cada respiração.

O carro partiu, e os pneus esmagaram as poças, espirrando água suja em mim.

Uma van velha parou ao meu lado; a porta se abriu e Beto saltou com um guarda-chuva.

"Lívia! Você está querendo morrer, ajoelhada no meio da rua com essa chuva?!"

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Minhas emoções desabaram naquele momento.

"Beto, a Clarinha... ela pulou do prédio. Por favor, me leve ao hospital, eu te imploro."

Do bar ao hospital, quinze minutos.

Aqueles quinze minutos pareceram uma eternidade; a cada segundo, eu rezava: troque a minha vida pela dela, faça a minha Clarinha sobreviver.

Ela tinha apenas catorze anos, não teve tempo de ver nada, de crescer, de viver uma vida plena.

No hospital, as luzes do corredor eram cegantemente brancas.

Clarinha já tinha sido levada para o necrotério, com um lençol branco cobrindo seu rosto.

Fiquei parada na porta, com mãos e pés rígidos, incapaz de qualquer movimento.

Não tive coragem de abrir o lençol.

Acontece que, quando a dor chega ao extremo, é impossível chorar.

Acuada no chão, minha garganta parecia obstruída; eu não conseguia emitir som algum.

A enfermeira se aproximou, com os olhos marejados.

"Isso é o que ela deixou para você."

Ela me entregou um papel dobrado e deu um tapinha gentil no meu ombro.

"Sinta muito, mas Clarinha, de onde estiver, também espera que você seja feliz."

No papel, havia a escrita infantil de Clarinha com uma frase curta.

【Irmã, Clarinha não quer mais ser um peso para você. Seja feliz, seja livre, seja abençoada.】

Junto ao papel, estava o ursinho que ela mais amava.

Curvei-me e, através do lençol branco, dei um abraço suave nela.

Contive as lágrimas para não caírem.

Porque eu sabia que, se elas caíssem sobre ela, ela não partiria em paz.

"Clarinha, para a irmã, você nunca foi um peso."

"O que a irmã vai fazer agora... a irmã ficou realmente sozinha."

Beto ficou ao lado, em silêncio, apenas me acompanhando.

Mais tarde, providenciei o atestado de óbito de Clarinha e chamei um restaurador de corpos para cuidar dela.

No dia seguinte, sentei-me no carro funerário que a levaria para a cremação.

Quando passamos por um hotel, levantei o olhar e vi totens em tamanho real de Lucas e Alice na entrada.

Na foto, os dois se beijavam em uma montanha nevada, com letras douradas embaixo.

【Bem-vindos à festa de noivado de Lucas e Alice.】

Observei por um momento e desviei o olhar.

Pensei que minha Clarinha logo poderia morar em uma nova casa.

Beto, sentado ao lado, ficou em silêncio por um tempo antes de falar: "Lívia, você nunca pensou em esclarecer tudo para Lucas?"

"Afinal, quem errou não foi você..."

Fora da janela, o fluxo de carros não parava.

Esta cidade continuava girando; ninguém pararia para esperar por quem morreu ou por quem vive.

Disse calmamente: "Já passou."

"Clarinha sempre quis ir a Yunnan ver as montanhas douradas pelo sol; acho que vou levá-la para ver."

Carregarei o desejo de Clarinha e seguirei em frente, sempre em frente.

...

Um mês depois, Hotel Deiya.

Alice segurava o braço de Lucas, com o véu caindo sobre os ombros, seu sorriso terno e elegante.

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O mestre de cerimônias no palco perguntou sorrindo:

"Sr. Lucas, deseja aceitar a Srta. Alice como sua esposa, na pobreza ou na riqueza..."

Lucas ficou parado ali, mas em sua mente, outra imagem brilhou.

Diante da loja de noivas, Lívia olhou para ele com um brilho sincero e esperançoso nos olhos.

Ela perguntou: "Lucas, você acha que um dia nos casaremos?"

Naquela época, ele respondeu com convicção que sim.

Ao lembrar disso, ele recordou daquelas fotos indecentes e das palavras duras e frias dela.

"Lucas, eu simplesmente te traí."

Ele afastou aqueles pensamentos confusos; ela era a quem o havia traído.

Por cinco anos inteiros, foi ela quem não deu uma única explicação.

Ele não deveria mais se abalar por causa dela.

Lucas levantou a cabeça e sua voz estava estável, sem oscilações.

"Eu aceito."

Aplausos soaram, e o sorriso de Alice brilhou um pouco mais.

O mestre de cerimônias continuou sorridente: "Por favor, troquem as alianças."

Lucas virou-se e pegou o anel de diamantes de lua e estrela das mãos do padrinho.

Tudo estava terminado e o casamento foi um sucesso.

Nesse momento, Song Ci levantou-se com uma taça de champanhe, girando-a entre os dedos com um sorriso leve.

"Lucas, para parabenizá-lo pelo seu grande casamento."

Ele ergueu a mão; sua voz não era alta, mas silenciou todo o salão de uma só vez.

"Senhoras e senhores, o banquete de hoje é por minha conta."

Lucas franziu a testa e olhou para ele, claramente sem entender que loucura ele estava cometendo.

Song Ci não parou; mantinha o sorriso, mas cada frase era mais cruel que a anterior.

"Já que realizaram o casamento e registraram a união, posso falar com toda a segurança!"

"Lucas, quem entregou a mulher que você mais amava, Lívia, na cama do seu próprio pai, foi Alice."

"Quem enviou as fotos indecentes de Lívia para os fóruns foi Alice."

"Quem, passo a passo, forçou Lívia a se calar, sem se atrever a respirar, escondida em uma casa alugada, foi Alice."

"Ah, claro, há um mês, Alice foi ameaçar a irmã de Lívia, Clarinha, apavorando a pequena garota, com medo de que sua irmã fosse drogada e entregue a outro novamente, e por causa do medo, ela pulou do prédio e morreu!"

"Lembro-me de que chovia muito naquele dia, você quase atropelou Lívia, não é? Tsc, tsc, que vida cruel..."

Ele fez uma pausa, o sorriso se aprofundando.

"Agora que você finalmente se casou com essa vadia de mãos sujas de sangue, não merece que eu comemore?"

Após essas palavras, todo o salão parecia ter sido silenciado por um botão de mute.

Capítulo 9

A caixa da aliança caiu no chão.

O anel de diamantes de lua e estrela rolou para fora, quicou duas vezes e entrou debaixo da cadeira.

Alice estendeu a mão para puxar a manga de Lucas.

Assim que seus dedos tocaram o pulso dele, foram afastados bruscamente.

Ela cambaleou um passo para trás, com o véu torto para o lado.

"O que ele disse", a voz de Lucas parecia vir do fundo da garganta, "é verdade?"

Os lábios de Alice tremiam: "Lucas, deixa eu explicar..."

"Eu perguntei se é verdade!"

Com esse grito, as taças de champanhe nas mesas da frente vibraram.

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