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《A Promessa Esquecida sob a Neve》Capítulo 2

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Clarinha encarou-o e, após segurar por muito tempo, não conseguiu evitar.

"Irmã, o Dr. Lucas é muito insensível."

Sua voz era baixa, mas a raiva era real: "Você fez bem em deixá-lo no passado."

Tapei a boca dela imediatamente: "Clarinha, não diga bobagens."

Clarinha ainda estava com os olhos vermelhos, e seus cílios úmidos formavam tufos.

Ela segurou meu pulso e murmurou: "Quando eu receber alta, vou te ajudar a jogar fora todas as fotos que vocês têm juntos em casa."

Lucas já tinha chegado à porta, a mão sobre a maçaneta, sem girá-la imediatamente.

Observei as costas dele, sentindo um aperto doloroso no peito.

O Lucas de cinco anos atrás era quem mais temia que eu jogasse aquelas fotos fora.

Ao ver a protagonista de um filme rasgar as fotos do ex e jogá-las no lixo, Lucas virava-se e beliscava meu rosto.

"Lívia, não aprenda esse mau hábito com ela. Podemos nos separar temporariamente, mas não pode jogar nossas fotos fora. Enquanto você as mantiver, saberei que ainda me ama."

Eu ria dele por ser infantil naquela época, mas agora, ao lembrar, só sentia um gosto amargo na boca.

Lucas abriu a porta para sair.

Do lado de fora, uma enfermeira que trazia uma sacola de papel entrou apressada ao ver a porta abrir de repente e tentou desviar.

A sacola escorregou dos braços dela, e dinheiro se espalhou pelo chão.

Um pedaço de papel também caiu e foi trazido pelo vento, através da fresta da porta, até os pés de Lucas.

A enfermeira ficou vermelha de vergonha: "Desculpe, Dr. Lucas."

Ela se agachou para recolher o dinheiro e olhou para mim.

"Srta. Lívia, um cavalheiro deixou isso na estação de enfermagem e disse que eu deveria entregar pessoalmente para você."

Soltei a boca da Clarinha lentamente.

No segundo seguinte, ele se abaixou e pegou o bilhete que estava sujo pela sola dos sapatos.

Ao ver o canto do papel, meu rosto empalideceu.

Mas já era tarde demais.

Lucas desdobrou o bilhete e seus olhos pousaram sobre ele.

No bilhete estava escrito:

【O dinheiro que você queria está aí.】

【Não entre mais em contato comigo.】

【Não quero que minha esposa saiba sobre nós.】

Capítulo 3

O constrangimento veio em minha direção como uma maré.

Lucas, sem mudar de expressão, colocou o bilhete de volta sobre aquele maço de dinheiro.

Apertei levemente as palmas das mãos; já estava preparada para ouvir coisas desagradáveis dele.

Mas ele não disse nada, nem perguntou nada. Simplesmente foi embora.

Antes, quando discutíamos, eu sempre dizia coisas rudes para irritá-lo, mas quem cedia primeiro era sempre ele.

Ele dizia: "Lívia, eu sei que você só age assim porque se importa comigo. Se uma pessoa realmente não sente nada pela outra, ela não demonstrará nem um pingo de emoção."

Agora, ele não demonstrou nem um pingo de emoção por mim.

A jovem enfermeira colocou o dinheiro de volta na sacola de papel pardo e me olhou com um pedido de desculpas.

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"Senhorita Lívia, aquele cavalheiro é seu irmão, certo? Seus traços são muito parecidos."

Ela também viu o bilhete, hesitou por um instante e então acrescentou: "Não há desentendimentos entre irmãos que não possam ser resolvidos; não leve isso a peito."

Senti como se toda a alegria tivesse sido drenada de mim.

Não consegui reunir forças para responder ao consolo da enfermeira.

Clarinha, por outro lado, sorriu: "Enfermeira, você é muito gentil, bem melhor que aquele cara frio!"

A enfermeira deu uma risadinha e olhou na direção por onde Lucas tinha saído.

Ela abaixou a voz e disse baixinho: "Na verdade, o Dr. Lucas tinha uma personalidade ótima antes. Mas, depois de ser traído pelo seu primeiro amor, ele perdeu metade de sua vida."

"Não sei qual era o problema daquela garota. O Dr. Lucas é bonito, rico e muito competente, mas ela ainda assim teve coragem de terminar com ele."

Quanto mais Clarinha ouvia, mais seu sorriso desaparecia.

Ela olhou para mim em silêncio, com os olhos arregalados.

A enfermeira, ainda com um olhar de inveja, continuou: "Mas, felizmente, o Dr. Lucas superou a fase ruim. A noiva dele é super bonita, até é uma cantora meio famosa. O nome dela é Alice. Você já ouviu as músicas dela?"

O remédio que eu havia preparado para Clarinha caiu da minha mão com um baque seco no chão.

Alice. Minha melhor amiga na faculdade.

A enfermeira foi chamada às pressas pelo botão de emergência, e restou apenas Clarinha e eu no quarto.

Clarinha olhava para aquele maço de dinheiro e depois para mim, com um olhar de cortar o coração.

"Irmã, você foi implorar para o irmão?"

"Ele já foi tão cruel ao cortar relações conosco. Quanto tempo você teve que implorar para ele te dar esse dinheiro..."

Eu tinha me informado; a cirurgia de Clarinha custaria pelo menos cento e cinquenta mil.

Mesmo com esses vinte mil, ainda não era suficiente.

Meu irmão não era cruel.

Para tratar a doença de Clarinha, ele vendeu a casa e o carro, e até abriu mão da faculdade para ganhar dinheiro e pagar o tratamento.

Agora, na metade de sua vida, ele queria viver um pouco para si mesmo, e eu não queria culpá-lo.

Fiz um cafuné na cabeça da Clarinha: "Isso não é algo com o que você deva se preocupar. A única coisa que você precisa fazer é descansar bem..."

O restante das minhas palavras foi interrompido por Clarinha: "Tomar os remédios direitinho, dormir bem... Meus ouvidos já estão com calos de tanto ouvir isso."

Dei um sorriso forçado e me virei para preparar outro sachê de remédio para ela.

"Então, tome seu remédio direitinho. A irmã vai comprar o jantar para você."

Do lado de fora do hospital havia uma barraquinha que vendia mingau três reais mais barato que a cantina, e as porções eram mais generosas.

No caminho de volta, com o mingau, começou a chover forte.

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Gotas do tamanho de feijões batiam no meu corpo, e a água suja levantada pelos carros na rua me espirrava.

As gotas de chuva formavam uma cortina; cinco anos atrás, foi em uma noite de tempestade como essa.

Minha melhor amiga disse que estava bêbada e pediu que eu a buscasse em um clube.

Fui lá e, quando acordei, minhas fotos indecentes estavam espalhadas pelos fóruns da universidade.

Um estrondo de trovão ressoou repentinamente, iluminando meu rosto pálido.

"Lívia!"

Uma voz masculina agitada me tirou de meus pensamentos. Ao me virar, vi um rosto familiar.

Era Beto.

Depois de me formar, comecei a trabalhar como substituta de bebida num bar, e ele era o promotor de eventos de lá.

Um copo de bebida custava quinhentos, dez copos, cinco mil; o dinheiro vinha rápido.

Ele sempre me arranjava clientes. Quando minha irmã precisou de dinheiro com urgência para sobreviver, ele, sem hesitar, me deu o dinheiro que guardava para o dote do seu casamento.

"Minha esposa e eu viemos fazer exames pré-nupciais, que coincidência te encontrar aqui."

"O que foi, a doença de sua irmã voltou?"

As pessoas boas recebem presentes do destino. Três dias depois de me emprestar o dinheiro, ele ganhou quinhentos mil na loteria.

Respondi com um sorriso impotente: "Essa doença vai e volta. A medicina atual não consegue curar completamente; só nos resta suportar."

"Parabéns, você vai se casar em breve."

Ele olhou para meu rosto cansado, tirou um cartão de crédito da carteira.

"Você é teimosa, gosta de carregar tudo sozinha. Sei que sua irmã precisa de dinheiro agora; use isso primeiro."

Eu estava prestes a recusar, quando levantei os olhos e vi uma figura alta.

A chuva caía em cascata; Lucas, segurando um buquê de rosas brancas, apareceu na minha visão.

Enquanto a chuva batia forte, Beto se aproximou e me perguntou de forma sincera e séria.

"Lívia, por que não considera voltar a trabalhar no bar? Aquele clientes disseram que sentem muito a sua falta."

Capítulo 4

O olhar de repulsa de Lucas caiu sobre mim.

Frio como uma faca, mas não surpreendente; era assim que ele me via agora.

Afrouxei o punho cerrado, as unhas deixando marcas rasas na palma da mão.

"Lucas."

Minha voz ao chamá-lo soou tensa, quase abafada pelo som da chuva: "Não me entenda mal, eu trabalhava no bar como substituta de bebida..."

Antes que eu pudesse terminar a frase, uma garota com um vestido amarelo longo se aproximou por trás dele. Suave e radiante, ela pegou o buquê de flores da mão dele.

"Lucas, você comprou minhas tulipas favoritas! Daqui a pouco vou tirar a foto da nossa certidão de casamento segurando esse buquê!"

Era Alice.

O carinho e a ternura nos olhos de Lucas eram tão intensos que quase podiam afogar alguém. Ele tirou o paletó e o colocou gentilmente sobre os ombros dela.

"Com essa chuva forte, eu não te disse para me esperar lá embaixo?"

"Fique quietinha aqui, vou buscar o carro. Você não pode pegar friagem; já está gripada."

Dizendo isso, ele se virou para pegar o carro, enquanto Beto também foi chamado pela esposa.

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