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《A Promessa não Cumprida》Capítulo 13

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O vento bagunçava nossos cabelos; não o afastei, ele também não.

“Clara,” ele finalmente começou, “meu maior arrependimento foi não ter ido te procurar naquela época, não ter te protegido bem.”

Meus cílios tremeram.

“Não é sobre não ter filhos. Não é sobre o casamento fracassado. Não é sobre nada disso,” ele disse, palavra por palavra. “É sobre você, sozinha na mesa de cirurgia, sem que eu estivesse ao seu lado.”

Meus olhos marejaram.

“Você me pergunta se vou me arrepender daqui a cinco ou dez anos,”

ele estendeu a mão para colocar meu cabelo, bagunçado pelo vento, atrás da orelha, “posso te responder agora: Não. Nunca. Porque já me arrependi uma vez. Não quero sentir esse gosto uma segunda vez.”

Abaixei a cabeça; as lágrimas caíram no chão e foram secas pelo vento. Apertei as mangas do seu sobretudo com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos.

“Lucas, você tem certeza?”

Ele tirou um papel do bolso, dobrado duas vezes, e entregou-me.

“O que é isso?” Recebi e abri.

Era um atestado de cirurgia de vasectomia do hospital. Com o nome dele. A data era de ontem.

Meus dedos travaram.

“Você...”

“Eu disse, se não tivermos filhos, seremos apenas nós dois.” Sua voz era calma. “Se quiser, criamos um gato, ou um cachorro. Ou não criamos nada, apenas nós.”

Olhei para aquele documento enquanto as lágrimas pingavam sobre o papel.

“Lucas, você é um bobo?”

“Talvez seja.”

Joguei-me em seus braços e disse, chorando: “Eu aceito. Eu aceito.”

Ele me abraçou com força: “Eu sei.”

“Disse que aceito me casar com você. Eu aceito.”

“Eu sei,” ele respondeu com a voz embargada.

Sob a muralha antiga, o vento forte entrelaçava nossos cabelos.

Ao longe, a torre do relógio soou algumas vezes; o badalar abafado ecoou pela cidade, batida por batida, como se testemunhasse algo por aquela muralha milenar.

Não chorei mais. Tirei um lenço amassado do bolso, assoei o nariz e olhei para cima, para ele.

“Então vamos registrar o casamento,” disse eu. “Vamos amanhã.”

“Tudo bem,” ele respondeu. “Amanhã.”

A luz da rua alongava as sombras de ambos, sobrepondo-as.

Não perguntei “você não vai se arrepender”, e ele não disse mais “eu não vou”.

Algumas coisas, basta dizer uma vez.

Ao longe, o vento soprava há anos nas frestas dos tijolos da muralha, mas não a derrubava.

Algumas coisas são assim também.

Capítulo 25

No dia do casamento, o tempo estava muito bom.

Não escolhemos um grande hotel, nem convidamos muitos convidados.

Foi na nossa própria livraria; como ela é grande, liberamos um espaço no centro e colocamos algumas cadeiras.

Não veio muita gente — Beatriz e seu marido, os dois que finalmente superaram suas batalhas e se casaram.

Também estavam presentes alguns amigos da época da universidade de Lucas e minha, além de alguns clientes antigos da livraria.

Não houve mestre de cerimônias, nem daminhas de honra, nem processos complicados.

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Eu vestia um vestido branco, não era um vestido de noiva, sem cauda, sem renda.

A barra do vestido chegava exatamente até a panturrilha, e na cintura havia uma fita de cetim fina.

Deixei o cabelo solto e usava um par de brincos de pérola.

Eram os que Lucas tinha me dado anos atrás; eu os guardei desde então.

Ele usava um terno cinza-escuro, sem gravata, e o botão superior da camisa estava aberto.

Ele estava parado ao lado da estante, segurando o anel.

A luz do sol entrava pela janela, caindo sobre seus ombros e sobre as lombadas dos livros ordenadamente alinhadas na estante.

Desci a escada em espiral do segundo andar.

Ao chegar à frente dele, olhamo-nos nos olhos; os olhos de ambos estavam um pouco vermelhos, mas ambos sorriam.

“Clara.” Ele começou.

“Lucas, estou aqui.” Minha voz soou clara.

“Você está muito bonita hoje.” Havia lágrimas nos cantos de seus olhos.

Curvei levemente os cantos da boca: “Você também está muito bonito, por isso tenho uma carta de amor para te entregar.”

Alguém ao lado riu. Eu não liguei.

Tirei um papel do bolso, desdobrei-o; nele, havia algumas linhas escritas.

Minhas mãos tremiam, e o papel tremia junto.

Limpei a garganta e li em voz alta: “Lucas, cinco anos atrás você esperou por mim na porta do cartório e não me encontrou. Porque, naquela época, eu não conseguia nem salvar a mim mesma, então escolhi fugir. Cinco anos depois, você ainda estava me esperando e, peça por peça, juntou a mim, que estava quebrada. Obrigada por não ter desistido.”

Minha voz estava trêmula, mas cada palavra era clara.

Minhas lágrimas caíram, batendo no papel e formando uma pequena mancha.

Ele estendeu a mão e, com o polegar, enxugou as lágrimas do meu rosto.

“Clara, desculpe-me, eu te amo.”

“Obrigado por me deixar te encontrar de volta. Obrigado por proteger tão bravamente minha garotinha.”

Sua voz era muito baixa, tão baixa que parecia ser apenas para eu ouvir.

Ao trocar as alianças, nossas mãos tremiam.

Empurrei o anel para o dedo dele, e ele baixou a cabeça para observar por um momento.

Ele colocou o anel em meu dedo anelar, lado a lado com aquele do pedido de casamento.

Olhei para baixo, vendo os dois anéis — um que ele pediu em casamento ajoelhado na livraria, e o outro que usava hoje.

Os dois juntos, o brilho prateado reluzindo suavemente sob a luz do sol.

Ele estendeu a mão, segurou meu rosto gentilmente e baixou a cabeça para me beijar.

Não foi um beijo vertiginoso como nos filmes; foi um beijo muito leve e gentil.

Como quando ele me beijou pela primeira vez na universidade, cauteloso, com medo de me assustar.

Fechei os olhos. Lágrimas deslizaram pelos cantos dos meus olhos, caindo em seus dedos.

Ele não as enxugou, apenas continuou o beijo.

Ao terminar, abri os olhos e olhei para ele. Ele olhava para mim.

“Lucas,” eu disse.

“Sim.”

“Você tem algo para me dizer?”

Ele pensou um pouco e disse: “Vamos para casa, para a casa de verdade.”

Fiquei atônita. A casa que seria nosso lar há cinco anos, onde ninguém pisava desde o incidente.

Então, eu sorri. Desta vez, foi um sorriso verdadeiro.

Não era um sorriso forçado, amargo ou contido; era aquele sorriso com os olhos brilhantes, que crescia lá do fundo do coração.

Quando eu estava ao lado dele há cinco anos, eu sorria exatamente assim.

“Certo,” eu disse. “Vamos para casa.”

Caminhamos de mãos dadas para fora.

O pôr do sol alongou nossas sombras, estendendo-as até as frestas dos tijolos da muralha, até aquela porta que esteve fechada por tantos anos e que finalmente se abria.

Desta vez, não fugirei mais.

E ele também não me deixará fugir.

(Fim)

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