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《A Promessa não Cumprida》Capítulo 10

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O carro parou na entrada do centro de detenção.

O portão de ferro era alto e havia cercas elétricas.

Fiquei parada na entrada, segurando as franjas do cachecol vermelho.

“Quer que eu entre com você?” ele perguntou.

“Não precisa. Vou sozinha.”

Soltei sua mão e entrei.

O portão de ferro atrás de mim fechou-se lentamente com um ruído surdo.

Lucas encostou-se no carro e acendeu um cigarro, mas não fumou.

Apenas olhou para o portão fechado, esperando por mim.

O céu escurecia aos poucos, o cigarro queimava entre seus dedos e as cinzas caíam em pedaços.

Ele não sabia o que eu enfrentaria, nem se eu suportaria.

Mas eu estava lá dentro, e ele não iria embora.

Capítulo 18

A sala de visitas era pequena, com apenas uma mesa, um vidro e dois interfones.

Sentei-me na cadeira e esperei.

Havia um relógio na parede; o ponteiro dos segundos avançava tic-tac, um som não muito alto, mas que parecia particularmente nítido na sala vazia.

A porta se abriu.

Elisa vestia o uniforme da prisão, seu cabelo estava curto e seco, rente às orelhas.

Ela estava muito mais magra do que antes de eu sair do país.

Suas maçãs do rosto sobressaíam, as órbitas dos olhos estavam fundas; já não era possível reconhecer a mulher que, cinco anos atrás, usava um vestido de noiva branco e sorria dizendo: “Qing-tang, a irmã finalmente tem um lar”.

Ela me viu, hesitou por um momento e pegou o telefone.

Eu também peguei o meu.

“Está satisfeita?” a voz dela soou pelo alto-falante com interferência elétrica. “Mandou-me de volta novamente.”

Não respondi, apenas observei Elisa do outro lado do vidro, achando-a uma estranha.

Antigamente, essa pessoa me protegia de todas as tempestades; agora, era ela quem as criava.

Eu disse: “Ouvi dizer que a pena de Zhou-cheng foi reduzida. Antes que ele saísse, apresentei novamente as provas de seus crimes; ele terá que passar mais uns dez anos lá dentro.”

Ela bateu com força no vidro: “Sua desgraçada.”

Em seguida, encolheu-se sob a repreensão do guarda.

Não me assustei, mantendo a voz estável.

“Quanto a você, se não tivesse ido atrás de Lucas, não teria acontecido nada. Desta vez, você mesma se enviou para cá.”

Seus olhos se arregalaram, finalmente demonstrando medo: “Irmã! Ajude-me! Peça por mim a ele! Eu sou sua irmã!”

Suas unhas arranharam o vidro, emitindo um som estridente.

O guarda ao lado se aproximou e pressionou seus ombros.

Ela lutou, mas não conseguiu se soltar; as lágrimas escorriam por seu rosto, colando os fios de cabelo secos à pele.

Olhei em seus olhos, sem me mover.

“Naquele copo d'água de cinco anos atrás, quando você me serviu,” minha voz era tão baixa que parecia ter medo de perturbar algo, “você pensou que eu era sua irmã?”

Seu grito parou. Ela abriu a boca, mas nenhum som saiu.

As lágrimas ainda escorriam, mas em seus olhos não havia remorso, apenas algo indefinível — talvez ressentimento, talvez insatisfação, ou talvez um ódio que nem ela mesma compreendia.

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“Eu cuidei de você por tantos anos,” sua voz estava rouca, “quem cobria seus ouvidos quando papai e mamãe brigavam? Quem te defendia quando os colegas te intimidavam? Quem pagou sua faculdade de medicina? Você esqueceu tudo?”

“Não esqueci,” eu disse. “Mas aquele copo d'água, eu nunca vou esquecer.”

Seu rosto se contorceu.

Ela começou a amaldiçoar, chamando-me de ingrata, dizendo que eu merecia não poder ter filhos e que ninguém me quereria por toda a vida.

Sua voz passava pelo vidro, indistinta e aguda, como unhas arranhando um quadro-negro.

Levantei-me e pendurei o telefone de volta.

Virei-me e fui embora.

Sem olhar para trás.

Atrás de mim, sua voz ia ficando cada vez mais distante e indistinta, até ser interrompida pelo pesado portão de ferro.

O corredor era longo, com luzes pálidas. O som dos meus saltos no chão, um a um, com as costas eretas.

Saí do portão de ferro e a luz do sol me fez semicerrar os olhos.

Lucas estava encostado no carro, com a ponta do casaco balançando ao vento.

Ele me viu sair, apagou o cigarro e endireitou-se.

Vi que seus olhos estavam avermelhados, mas ele não perguntou o porquê.

Ele caminhou em minha direção; segurei sua mão, e a minha, que estava sempre fria, finalmente ganhou um pouco de calor.

“Está tudo bem?” ele perguntou.

Assenti.

Olhei para cima, para o céu, onde uma nuvem branca e espessa flutuava lentamente em nossa direção.

“Lucas, você já pensou,” eu disse com a voz suave, “que talvez não consigamos chegar até o fim?”

Ele apertou minha mão: “Já. Mas não quero desistir.”

Não disse mais nada, apenas abaixei a cabeça, encostando-me em seu ombro.

O vento soprou meu cabelo contra meu rosto, e ele não o tirou.

Apenas ficou ali, deixando-me encostar.

Ao longe, o portão de ferro do centro de detenção fechou-se novamente.

Aquele som surdo parecia ter trancado algo definitivamente lá dentro.

Um passado que ninguém mais quer revisitar.

Capítulo 19

Ao retornar para a cidade, eu não queria ir para casa, nem para a residência dele.

No final, ele organizou uma estadia em um hotel diferente.

Não era um cinco estrelas, mas um hotel de campo no limite oeste da cidade, limpo e silencioso.

Eu não fui à casa antiga, não fui ver as coisas que ficaram para trás.

Eu não queria ir; não queria mais ver nada que tivesse relação com aquela parte do passado.

Se ela pudesse viver de forma contida ao sair de lá, a casa ficaria para o sustento de seus anos finais.

Entrei no quarto, coloquei a mala no canto, pendurei o cachecol vermelho no cabide e posicionei a foto no criado-mudo. Então, sentei-me na beira da cama e fiquei muito tempo em silêncio.

Ele estava ao lado, fazendo-me companhia, sem me apressar.

Era uma suíte; ele ficou no quarto ao lado.

Assim como na Noruega, ele me guardava dia e noite na distância que me era mais confortável.

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Eu não precisava vê-lo a cada instante, mas sabia que ele estava lá.

“Lucas.” Chamei por ele.

“Sim.”

“Você disse no caminho para cá que alguém queria me ver. Quem é?”

Ele respondeu: “Você saberá quando a vir.”

Hesitei por um momento e balancei a cabeça.

O encontro foi marcado em um café no oeste da cidade, com janelas de vidro voltadas para a rua.

Quando cheguei, vi uma mulher sentada em um canto — Beatriz.

Ela estava sozinha, com um latte à frente e uma revista nas mãos.

Estava mais magra do que no dia do casamento, mas com um aspecto saudável e uma maquiagem leve.

Caminhei até lá e sentei-me à sua frente.

“Doutora Su.” Ela levantou a cabeça e sorriu. “Quanto tempo.” O sorriso era franco, sem qualquer hostilidade ou constrangimento, como se encontrasse uma velha amiga.

“Quanto tempo.” Forcei um sorriso também.

Ela fechou a revista e tomou um gole do café.

Olhou para mim, percorrendo meu rosto de cima a baixo, e disse: “Você emagreceu muito.”

Não respondi; não sabia o que dizer.

Sentada ali estava a mulher com quem ele quase se casou, a noiva daquela cerimônia.

E eu era a mulher que, ao virar as costas no dia do casamento, arruinou indiretamente o dia de outra pessoa.

“Não precisa se sentir culpada por mim.” Ela pousou a xícara. “Eu e ele não tínhamos sentimentos, era apenas um casamento de conveniência. Ele me disse há muito tempo que havia alguém em seu coração. Na verdade, quando te encontrei na outra cidade antes, já sentia que ele estava estranho.”

Meus dedos vacilaram.

“Eu perguntei, ele não mencionou você,” ela sorriu, “mas dava para notar. Toda vez que ele mencionava algo sobre o tempo aqui, seus olhos mudavam. Naquele momento, eu soube que ele não tinha deixado aquela pessoa para trás.”

“Desculpe.” Eu disse.

“Não precisa se desculpar.” Ela me olhou. “Na verdade, eu devo agradecer a vocês.”

Fiquei surpresa.

“Porque eu também tinha um relacionamento que não conseguia deixar para trás,” sua voz suavizou. “Minha família não aceitava, e aquela pessoa ficava se escondendo de mim. Só aceitei o casamento por estar cansada.”

“Até que ele soube que o casamento fora cancelado e, pensando que eu estava muito ferida, finalmente teve coragem de aparecer. Você sabe, algumas pessoas só encontram coragem quando acham que você precisa delas.”

Ela olhou pela janela.

Lá fora, um homem de aparência atraente, vestindo um sobretudo preto, estava parado sem guarda-chuva.

Seu olhar estava fixo em Beatriz, sem desviar um segundo sequer.

Através do vidro, não conseguia ver sua expressão, mas vi suas mãos — caídas ao lado do corpo, cerradas em punhos.

De repente, sorri.

Olhei para ela: “Ainda assim, preciso te agradecer e, parabéns!”

Lucas, ao meu lado, também observava o homem lá fora.

Houve um breve silêncio, então ela assentiu: “Melhor do que eu.”

Beatriz lançou-lhe um olhar de desdém, soltou uma risada e levantou-se, pegando a bolsa.

“Vou nessa. Doutora Su, desejo que seja feliz.” Ela pausou e acrescentou: “Você merece.”

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