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《A Promessa não Cumprida》Capítulo 9

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“Não preciso me meter?” Ela levantou-se. “Você arruinou o compromisso, o que direi à família dela? Você sabe que seu pai está hospitalizado de tanta raiva?”

Os dedos de Lucas vacilaram. “O que aconteceu com o papai?”

“Hipertensão, por sua causa.” Ela olhou para ele. “Volte comigo agora, peça desculpas a Beatriz, o casamento ainda pode—”

“Impossível.” Lucas a interrompeu.

Ela silenciou por alguns segundos e virou-se para mim. “Srta. Su, posso falar com você a sós?”

“Mãe—”

“Saia.” O tom dela não aceitava recusas.

Lucas olhou para mim. Eu balancei a cabeça para ele.

Ele hesitou, pegou o casaco e saiu. A porta se fechou. Restamos apenas nós duas no apartamento.

Ela sentou-se novamente e apontou para a borda da cama oposta. “Sente-se.”

Sentei-me com as mãos sobre os joelhos.

“Aquelas coisas que te disse há cinco anos,” ela começou, “você se lembra?”

“Lembro.”

“Eu disse que você não era digna do meu filho. Continuo com a mesma opinião.” Sua voz era calma, sem crueldade ou escárnio, apenas declarando o que ela considerava ser um fato.

“Ouvi sobre sua história. Sua irmã, seu cunhado, aquelas coisas. Não te culpo. Aquilo não foi sua culpa.”

Levantei a cabeça, surpresa.

“Mas você não pode ter filhos, não é?” Ela me encarou.

Meus dedos se encolheram na palma da mão. “É verdade.”

“A família tem apenas um herdeiro por geração, e ele é filho único.” Ela disse: “Se você o ama, deve pensar nele.”

Não respondi.

“Não vim aqui para te forçar.” Ela levantou-se. “Vim apenas te dizer que vocês não são compatíveis. Nunca foram, e agora menos ainda. Pense nisso.”

Ela pegou a bolsa e caminhou até a porta.

Ao chegar lá, parou, sem olhar para trás.

“Srta. Su, você é uma boa pessoa. Era há cinco anos e continua sendo. Mas uma boa pessoa nem sempre se torna uma boa nora.”

Capítulo 16

A mãe de Lucas foi embora.

Fiquei sentada na beira da cama, imóvel.

A chuva lá fora continuava a cair, deixando a janela embaçada, como um futuro que não conseguia enxergar.

Ouvi as vozes de Lucas e sua mãe no corredor; não entendia o conteúdo, mas o tom era urgente.

Depois, o som do elevador: porta abre, porta fecha.

O corredor ficou em silêncio.

A porta abriu novamente. Lucas entrou, com gotas de chuva no sobretudo.

Ele caminhou até mim, agachou-se e olhou nos meus olhos.

“O que ela disse?”

Olhei para os olhos dele. Havia muitas coisas ali — preocupação, culpa e um vislumbre de medo que eu não conseguia compreender totalmente.

Ele tinha medo de que eu me fechasse novamente. Medo de que aquela fresta, aberta a custo, fosse fechada.

“Ela disse que a linhagem da família depende apenas dele.” Minha voz era plana. “Disse que não somos compatíveis.”

“Não a escute—”

“Ela tem razão.” Interrompi-o. “Lucas, o que sua mãe disse sobre você ter aceitado o compromisso naquela época, era verdade? Ou ela mentiu para mim?”

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Ele silenciou por alguns segundos. “Ela mentiu.”

“E quanto tempo você me esperou?”

“Desde o dia em que você desapareceu, esperei por três anos. No quarto ano, meu pai adoeceu e minha mãe ameaçou se matar.”

Minha voz tremia: “Então você e Beatriz se conheciam há apenas um ano?”

“Sim,” ele disse.

Minhas lágrimas começaram a cair: “Eu fui te procurar naquela época, e sua mãe me convenceu de que você tinha aceitado o compromisso. Eu acreditei. Levei cinco anos para digerir a frase ‘não estou à sua altura’.”

Ele segurou minha mão: “Agora você não precisa mais digerir nada, pois sou eu quem não estou à sua altura.”

Balancei a cabeça. “Lucas, desperdiçamos cinco anos.”

Minha voz era fraca. “Mas ainda não consigo superar. Preciso de tempo.”

Ele estava agachado na minha frente, olhando para cima.

“Eu espero. Esperarei o tempo que for.”

Estendi a mão e toquei o cabelo dele.

O cabelo dele era duro e espetado.

Como há cinco anos, não mudou nada.

“Sua mãe disse que uma boa pessoa não é necessariamente uma boa nora.” Falei. “Não sei se poderei ser uma boa nora. Mas sei que não quero mais fugir.”

Os olhos dele ficaram marejados.

“Lucas, vamos voltar.” Disse eu. “Vamos voltar para a cidade.”

Lá fora, a chuva em Bergen parou, não sei dizer quando.

Havia gaivotas voando sobre o mar, seus gritos soavam intermitentes, como se estivessem se despedindo de alguém.

Ele olhou para mim, sem pressa, sem dizer um simples “está bem”.

Ele apenas disse calmamente: “Você está pronta? Não precisa se forçar por minha causa.”

“Não vou mais fugir.” Minha voz era leve, como se falasse para mim mesma. “Fugi por cinco anos, chega.”

“Tem certeza?” ele perguntou.

Virei-me para encará-lo. “Tenho. O que precisa ser enfrentado, mais cedo ou mais tarde, será.”

Ele assentiu. Sem comemorações, sem expressões de alívio.

Ele apenas se levantou e começou a me ajudar a arrumar as malas.

Eu não tinha muitas coisas: algumas roupas, alguns livros, a foto e o cachecol.

Ele dobrava as roupas e as colocava na mala, com movimentos cuidadosos.

Fiquei encostada no batente da porta, observando suas costas, e senti uma pontada de tristeza no nariz.

Quando cheguei, pensei que viveria aqui por muito, muito tempo.

Talvez nem voltasse mais ao país nesta vida. Mas agora, estou partindo.

Não é uma fuga, é um retorno.

Antes de embarcar, enviei um e-mail para o hospital, agradecendo pelo acolhimento e dizendo que meu voluntariado terminava ali.

Nem um minuto depois, recebi a resposta da enfermeira-chefe: “Sentiremos sua falta, Su. Boa sorte.”

Desliguei o celular e me encostei no assento.

Lucas sentou-se ao meu lado e segurou minha mão, como fazia antigamente.

Ao ver nossas mãos entrelaçadas, ele sorriu de repente.

“Sabe, na última vez que nos encontramos por acaso no avião de volta, eu precisei de um autocontrole imenso para não pegar na sua mão instintivamente.”

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Pisquei os olhos e apertei a mão dele com força.

Capítulo 17

Quando o avião decolou, fechei os olhos.

Bergen ficava cada vez mais longe: aquela cidade chuvosa, o pequeno apartamento, a foto na estante.

Não sei se voltarei algum dia, mas sei que não esquecerei este lugar.

Vim aqui para curar minhas feridas. Agora, embora a cicatriz não esteja totalmente fechada, posso seguir caminho carregando-a.

Porque a pessoa que me salvou veio me buscar.

Quando acordei, percebi que estava encostada no ombro de Lucas.

Não sabia quando adormeci nem por quanto tempo dormi.

Além da escotilha, as nuvens estavam espessas, com a luz do sol vazando pelas frestas, dourada e radiante.

Ele não dormia, estava apenas me observando.

“O que você está olhando?” perguntei, minha voz ainda rouca de sono.

“Tinha medo de que você tivesse desaparecido,” disse ele.

Fiquei paralisada.

Sua mão segurava a minha, e seu polegar acariciava suavemente o dorso da minha mão.

“Não estou brincando, eu estava realmente com medo.”

“Cinco anos atrás, você estava planejando a lua de mel comigo no dia anterior, mas não apareceu para registrar o casamento no dia seguinte.”

“Quando a raiva passou e fui te procurar, você tinha sumido completamente. E eu, acreditando naqueles boatos, proibi qualquer um de mencionar seu nome dali em diante. Fui tão tolo naquela época. Desta vez, tive medo de que você desaparecesse de novo.”

“Eu não vou desaparecer,” eu disse.

Ele não respondeu, apenas apertou minha mão com mais força.

Dez horas de voo, uma distância que atravessa o oceano.

Refleti um pouco: “Se eu tivesse corrido para tão longe na primeira vez, talvez tudo tivesse sido diferente.”

Lucas apertou minha mão, não com força, mas com um semblante magoado.

Sorri: “Mas você não me encontrou mesmo assim?”

Quando o avião pousou em Lin-cheng, era fim de tarde.

O pôr do sol tingia todo o aeroporto de alaranjado, com sombras longas projetadas no chão.

Olhei pela janela e respirei fundo.

Lin-cheng, estou de volta.

Desta vez, meu estado de espírito era completamente diferente da última vez.

As coisas dentro de mim — as feridas, as cicatrizes e o que nunca mais cresceria de volta — começaram a cicatrizar.

Aqueles eventos, aquelas pessoas, já não podiam ser armas para me ferir.

“Está com medo?” ele perguntou.

“Não,” respondi. “Tenho você ao meu lado.”

Segurei sua mão, minhas pontas dos dedos estavam um pouco frias.

“Vamos,” eu disse. “Me acompanhe a um lugar.”

Ele perguntou: “Onde?”

Olhei para o céu e disse suavemente: “Ao centro de detenção.”

Antes de voltarmos, ele me contou que tinha mandado Elisa de volta para lá.

Ele me olhou, mas não perguntou o porquê.

Entramos no carro, ele deu o endereço ao motorista e seguimos pela estrada em direção ao subúrbio.

Apoiei-me no vidro do carro, observando as nuvens brancas se dispersarem aos poucos.

Não sabia se Elisa choraria ao me ver, nem o que ela diria.

Eu nem sabia por que queria vê-la.

Talvez quisesse um pedido de desculpas, talvez não.

Talvez apenas quisesse vê-la — ver como a pessoa que antigamente me fazia tranças e cobria meus olhos dizendo “a irmã está aqui” se tornaria depois de entrar lá novamente.

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