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《A Promessa não Cumprida》Capítulo 5

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Ele a viu aproximar-se, com um leve sorriso nos lábios.

Eu o observava. Guardei cada detalhe no meu olhar.

O modo como ele baixou a cabeça para que ela colocasse o anel, os dedos segurando a taça de vinho, o contorno do seu perfil iluminado pelas luzes.

A partir de hoje, nada disso me pertence mais.

Na hora do brinde, eu estava em um canto, segurando a taça de champanhe que eu não tinha bebido.

Ele passava de mesa em mesa, parando ocasionalmente, sorrindo ocasionalmente.

Em certo momento, seu olhar varreu a multidão e parou por um instante.

Não sei o que ele estava olhando; talvez não estivesse olhando para nada, apenas por hábito.

Disse a ele em meu pensamento: Lucas, há cinco anos não consegui chegar, hoje eu vim.

Hoje, vendo você se casar com outra pessoa, vendo você feliz, eu não vou mais te esperar.

Coloquei a taça de champanhe de lado e virei-me em direção à saída.

Entreguei o envelope do presente à recepcionista; dentro, havia um cartão e um bilhete: “Desejo-lhes felicidade. Clara.”

Ao sair pelas portas do hotel, o vento soprava muito forte.

Parei um táxi e disse ao motorista: “Para o aeroporto, terminal internacional.”

……

No banquete de casamento.

Lucas, após terminar de brindar com todos, estava parado perto da janela.

“Lucas.” Uma mulher parou na frente dele. Vestia um sobretudo preto e tinha cabelos secos e amarelados.

Lucas achou que o rosto era familiar, mas não conseguiu reconhecê-la.

Ele perguntou: “Quem é você?”

Aquela mulher disse: “Sou a irmã de Clara, Elisa.”

Ele parou por um instante; era a irmã da mulher que havia seduzido o marido.

“É você quem dá apoio a Clara, não é?” A fala de Elisa era rápida, e seus olhos começaram a ficar injetados de sangue.

“Minha irmã era obediente desde pequena; ela fazia tudo o que eu dizia.”

“Mas ela te conheceu. Você deu apoio a ela, você a fez entender que uma mulher não precisa ter filhos, que ela não precisa se curvar aos sogros. Foi você quem a ensinou errado!!”

Lucas apertou a taça de vinho, com um zumbido na cabeça.

A mulher à sua frente estava cheia de ódio, com uma voz estridente.

“Se não fosse por você, ela teria tido um filho para o meu marido de bom grado! Ela não teria chamado a polícia! Eu não estaria na cadeia! E meu marido não teria sido preso por estupro! Tudo é culpa sua!”

“Por que você a engravidou naquela época, por que você feriu o ventre dela, impedindo que ela tivesse um filho do meu marido — devolva o útero dela para mim —!”

Capítulo 8

A voz de Elisa era como uma faca em brasa, cortando do tímpano de Lucas até o seu coração.

Ele permaneceu parado, a taça escorregando de sua mão.

Quebrou no tapete, e o líquido vermelho respingou em sua calça. Ele não olhou para baixo.

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Apenas observava Elisa, vendo sua boca abrir e fechar, ouvindo aquelas palavras que ele não conseguia compreender.

Clara? Crime de estupro? Engravidá-la? Ferir o ventre?

Ele conhecia cada uma das palavras, mas, unidas, não faziam sentido algum.

Virou-se para Beatriz. Ela estava pálida, mas, mantendo a calma, sinalizou para que os seguranças a retirassem.

Mesmo sendo arrastada, Elisa não parava; aquelas maldições cruéis penetravam como agulhas.

“Ela só se rebelou contra mim por sua causa, eu amaldiçoo você para que não tenha descendentes também…”

Na cabeça de Lucas, parecia haver dez mil abelhas zumbindo.

Ele lembrou-se da frase de Clara na cafeteria: “Não há nada para dizer”.

Ela não é que não tivesse nada para dizer; é que não conseguia colocar em palavras.

Ele lembrou-se dela dizendo na loja de noivas: “Nós não temos um passado”.

Não é que ela não tivesse um passado; é que esse passado era doloroso demais para ela carregar sozinha.

Ele lembrou-se de vê-la sob a muralha, com o vento soprando seu cabelo, sem olhar para ele.

Ela não é que não quisesse olhá-lo; ela não ousava. Com medo de que, se olhasse uma vez, nunca mais conseguiria partir.

Ele a odiou por cinco anos.

Ela suportou tudo sozinha por cinco anos.

Lucas empurrou a multidão e saiu correndo.

Alguém o chamou, mas ele não olhou para trás.

Atrás dele, exclamações e vozes chamando seu nome, mas ele não ouvia nada.

Em sua cabeça, apenas um pensamento — onde ela está? Ela partiu?

O carro corria velozmente.

A paisagem noturna da cidade passava pela janela, transformando-se em borrões de luz.

Suas mãos tremiam, ele mal conseguia segurar o volante.

Ele ultrapassou vários sinais vermelhos; não sabia, não se importava.

Ao chegar ao hotel onde Clara estava hospedada, a recepção respondeu educadamente:

“A Srta. Clara fez o check-out esta manhã.”

Lucas, com a voz rouca, perguntou: “Ela deixou algum recado?”

“Não. O quarto já foi limpo.”

Lucas correu para o andar de cima, sem perder a esperança.

A porta do quarto estava aberta, os lençóis trocados, as cortinas abertas, a luz iluminando o vazio.

Ela não deixou nada para trás. Como se nunca tivesse estado ali.

Ele ficou ali parado, na mesma solidão de cinco anos atrás, na frente do cartório.

Ligou para o hospital onde ela fez os exames pré-nupciais.

O diretor informou que a Dra. Clara tinha pedido demissão e que iria para o exterior, sem mencionar para onde.

Ele desligou o telefone, as mãos ainda tremendo.

Ligou para outro número.

“Ajude-me a localizar uma pessoa. Clara, nome atual Clara, sexo feminino, deixou a cidade hoje. Para onde ela foi?”

Do outro lado, houve um silêncio, seguido pelo som de digitação no teclado.

Imediatamente, a resposta veio: “Oslo, Noruega.”

Oslo.

Lucas reservou a passagem imediatamente.

O voo seria de madrugada, em duas horas.

Ao sair do hotel, a noite estava densa e o vento muito frio.

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Ele ficou parado nos degraus, olhando para o céu acinzentado.

Cinco anos atrás, ela desapareceu daqui; cinco anos depois, ela desapareceu daqui novamente. A mesma cidade, a mesma pessoa, a mesma sensação de impotência.

Enquanto aguardava na sala VIP, Lucas lembrou-se de Clara na muralha, com o cabelo soprando ao vento, sem olhá-lo.

Deixando apenas, ao passar, um suave e quase inaudível “Felicidades no casamento”.

Lembrou-se do brilho que passou por seus olhos quando ela disse que viria ao seu casamento.

Embarque, decolagem. A cidade abaixo diminuía, as luzes tornando-se pontos cada vez menores, até desaparecerem sob as nuvens.

Clara, espere por mim.

Desta vez, serei eu quem irá te encontrar.

Capítulo 9

Quando o avião pousou em Oslo, já era tarde no horário local.

Assim que passou pela alfândega, o celular de Lucas vibrou. Era uma ligação de Beatriz.

“Onde você está?”

“Na Noruega.”

Do outro lado da linha, houve um silêncio de alguns segundos. “Ela está aí?”

“Não sei. Estou procurando.”

Beatriz não questionou, não chorou, não acusou.

Depois de um tempo, ela disse: “Ainda bem que não assinamos a certidão, assim não precisamos passar pelo transtorno de um divórcio. Você tem o seu caminho, eu não vou te impedir.”

“Obrigado,” disse Lucas.

“Não precisa me agradecer. Nós não tínhamos sentimentos mesmo, foi apenas uma união por conveniência; agora que acabou, acabou.”

A voz de Beatriz estava muito calma, tão calma que parecia falar de algo que não tinha nada a ver com ela.

Ela fez uma pausa e acrescentou: “Lucas, você deve a ela mais do que deve a mim. Por isso, não guardo rancor de você.”

A ligação foi encerrada. Lucas ficou parado no saguão do aeroporto, segurando o celular e olhando para a cidade desconhecida do lado de fora da janela de vidro.

O céu cinzento pressionava as construções, como um pano de limpeza velho e muito lavado.

Ela estava em algum canto deste país, talvez em Oslo, talvez não.

Ela mudou de nome, trocou de identidade; ela não queria ser encontrada por ele. Mas ele precisava encontrá-la.

Ele se hospedou no hotel mais próximo e, assim que deixou as malas, saiu.

Perguntou de hospital em hospital; a cada entrada, tinha que repetir a explicação: procurava por uma médica chinesa, magra, de poucas palavras, especialista em obstetrícia.

Na recepção, balançavam a cabeça; as enfermeiras, balançavam a cabeça; os médicos, balançavam a cabeça.

Ninguém tinha ouvido falar de Clara, nem de Clara.

Ele foi a mercados chineses e colou cartazes de procura-se no quadro de avisos: “Procura-se Clara, mulher, médica chinesa. Quem tiver informações, por favor, entre em contato —” seguido de seu número de telefone.

Ficou colado por três dias e ninguém ligou.

Ele foi a restaurantes chineses, perguntou um por um; os donos balançavam a cabeça, os funcionários balançavam a cabeça. Ninguém a conhecia.

Na quarta noite, ele sentou na cama do hotel e olhou para aquela foto antiga no celular.

Na véspera de assinarmos os documentos há cinco anos, sob a muralha antiga, ela estava encostada em seu ombro, sorrindo com os olhos curvados como luas crescentes.

De repente, ele lembrou-se de uma coisa: na época da universidade, ela tinha dito uma frase.

“Lucas, um dia você me leva para ver o mar em Bergen? Dizem que lá é muito bonito.”

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