localização atual: Novela Mágica Moderno A Promessa não Cumprida Capítulo 3

《A Promessa não Cumprida》Capítulo 3

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A loja estava silenciosa. Apertei meus dedos e comecei: “Sua noiva é muito bonita”.

Ele levantou a cabeça, olhou para mim e não disse nada.

Continuei: “E tem uma personalidade muito boa também”.

O olhar dele pousou no meu rosto, com um toque de frieza.

“O que você quer dizer, afinal?” ele perguntou.

Uma amargura indescritível subiu pela minha garganta; funguei, tentando contê-la. “Nada, apenas achei que vocês combinam muito.”

Ele me observou e, de repente, deu um sorriso sem qualquer temperatura.

“Hum.” Ele disse. “Pelo menos ela não desaparece sem motivo, nem me dá o bolo no cartório.”

Senti como se uma faca tivesse me atravessado o peito.

“É verdade.” Eu respondi, com a voz muito baixa. “Ela também não foge do casamento.”

Ele me encarava, seu olhar como uma lâmina.

Virei o rosto para o lado, observando um vestido na parede. O tule branco era bordado com pequenas pérolas, e a luz o fazia brilhar de forma cegante.

“Vocês já assinaram os papéis?” minhas perguntas se seguiam. “Onde planejam realizar a cerimônia?”

A voz dele tornou-se ainda mais fria: “Por que você pergunta isso? O que isso tem a ver com você?”

Eu não sabia. Talvez porque não soubesse em que dia eu poderia desaparecer novamente.

Por isso, eu queria agarrar algumas lembranças e felicidades sobre ele para passar o resto da minha vida.

Baixei a cabeça para que ele não visse o brilho das lágrimas em meus olhos: “Só por curiosidade”.

“Clara.” Ele chamou meu nome, com a voz bem baixa. “Você cruzou a linha.”

Olhei para ele.

Ele demonstrava uma ponta de impaciência e cansaço: “Não quero que minha noiva saiba sobre o nosso passado. Então, por favor, pare por aqui”.

Pare por aqui.

“Entendido.” Eu sorri, com a voz bem suave. “Nós não temos um passado.”

Ele me olhou intensamente por um longo tempo e, finalmente, soltou friamente: “É bom que saiba disso.”

Em seguida, tomou um gole de café e voltou seus olhos para a janela.

Entre nós, voltou aquele silêncio mortal.

O espelho da loja refletia nossas imagens. Vi que meu próprio rosto estava pálido e feio, como o de um espírito atormentado.

“Vou ao banheiro.” Levantei-me.

O banheiro ficava no fim do corredor.

Entrei, fechei a porta e, encostada nela, finalmente tive coragem de respirar fundo.

Ele disse: “Pelo menos ela não desaparece sem motivo”.

Ele disse: “Você cruzou a linha”.

Ele disse: “Não tem nada a ver com você”.

Cada frase era uma ferida no coração que não podia ser cicatrizada.

Meus olhos, refletidos no espelho, estavam vermelhos.

Joguei água fria no rosto e, depois de esperar um pouco, empurrei a porta e saí.

O corredor era longo e, no final, ficava o salão da loja de vestidos de noiva.

Ao caminhar de volta, vi que Beatriz já estava vestida e parada diante do espelho.

Lucas estava atrás dela; os dois estavam próximos, discutindo algo.

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Eu estava prestes a me aproximar quando ouvi Beatriz dizer:

“Este vestido está muito apertado na cintura. Não será ruim para o bebê?”

Capítulo 5

Fiquei paralisada na curva do corredor. Beatriz estava grávida.

O filho em seu ventre era de Lucas.

Esse pensamento foi como uma agulha que me perfurou, cravando-me onde eu estava.

Meu coração foi agarrado por algo, contraindo-se a cada instante, doendo a ponto de eu não conseguir respirar.

Minhas mãos pressionaram involuntariamente o meu próprio baixo-ventre — vazio, onde nada mais existiria.

“Doutora?” Beatriz me viu através do espelho e virou-se, apontando para a roupa nas mãos do atendente.

“Estou ajudando minha irmã a escolher um vestido de festa. Pode dar uma olhada e me dizer se este não parece inadequado?”

“Minha irmã está grávida; ela disse que o vestido está muito apertado na cintura e que faz mal ao bebê, então pediu para eu trocar.”

Era a irmã dela.

Meus dedos relaxaram lentamente a ponta do meu jaleco.

Há uma semana, ela tinha feito os exames pré-nupciais, e todos os relatórios passaram por mim; ela não estava grávida.

Eu cheguei a entrar em pânico. Cheguei a esquecer os resultados dos exames que eu mesma assinei.

Quando se trata dele, perco até o meu profissionalismo como médica.

“Está um pouco apertado, sim,” disse eu, com a voz ainda tremendo levemente. “Troque por um mais solto.”

“Eu também acho.” Beatriz disse ao atendente: “Traga outros para mim. O vestido de noiva também precisa ser trocado; o modelo sem alças não está bom.”

Ela voltou para o provador e o salão ficou silencioso.

Lucas estava parado diante do espelho, sem olhar para mim.

Fiquei na curva do corredor, de olhos baixos.

“Clara.” Ele chamou meu nome de repente.

Levantei o olhar para ele.

Ele não se virou, apenas permaneceu ali, com a voz plana: “Você não precisa fazer essa cara toda vez.”

Essa cara? Que cara? A cara de quem foi esfaqueada e não ousa gritar de dor?

“Eu não estou fazendo nada,” respondi.

Ele não disse mais nada.

Até que, após terminar de provar as roupas, Beatriz segurou o braço de Lucas e olhou para mim com um sorriso.

“Obrigada por hoje, Doutora. Minha irmã gostou muito das peças que você ajudou a escolher. Posso te convidar para um jantar de agradecimento?”

Lucas varreu-me novamente com aquele olhar indiferente.

Percebi o momento e respondi: “Não precisa. Já vou indo, tenho compromissos à noite.”

Beatriz suspirou com um pouco de lamento: “Tudo bem, então.”

Ela se virou para Lucas: “Então vamos dar uma passada naquela loja de artigos para bebês ali perto, preciso comprar algo para minha irmã.”

Lucas murmurou um “hum” e não olhou mais para mim.

Eles se viraram e foram embora.

Fiquei na porta da loja, observando-os caminhar lado a lado em direção ao outro extremo do shopping.

Beatriz virava a cabeça para falar algo com ele, e ele abaixava a cabeça para ouvir, respondendo ocasionalmente.

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Aquela cena era tão natural, tão natural que chegava a ser ofuscante.

O vento que entrava pela porta do shopping fazia a gente tremer de frio.

Virei-me e caminhei na direção oposta.

Andando sozinha na rua, o vento fazia meus olhos arderem.

Não era choro, era apenas o vento que estava forte demais.

Até que, ao chegar ao ponto de ônibus e ver um anúncio com a imagem de um bebê, as lágrimas finalmente transbordaram sem controle.

Um filho. Eu também tive um filho. De Lucas.

Mas ele morreu com a minha alma naquela tragédia.

Naquele dia, o médico saiu da sala de cirurgia com um tom de voz desprovido de emoção: “O útero sofreu danos graves; a possibilidade de engravidar no futuro é extremamente baixa.”

Foi por isso que não ousei procurar Lucas depois; eu nem sequer poderia dar a ele uma família completa.

Mas hoje, ao pensar que ele teria um filho, senti uma inveja tão grande que tive vontade de chorar.

Ao final da licença, voltei ao hospital. Encerrei o meu afastamento, vesti o jaleco branco e coloquei a máscara. Sentei-me no consultório, agindo como se nada tivesse acontecido.

À tarde, a porta do consultório foi aberta.

Lucas estava parado na entrada, segurando um envelope vermelho.

“O que faz aqui?” perguntei.

“Vim resolver um assunto por aqui,” disse ele, entrando e colocando o envelope sobre a mesa. “Passei para te entregar um convite.”

Levantei os olhos para ele; ele continuava indiferente.

“Beatriz insistiu que eu te entregasse. Ela é mimada e temperamental, se eu não entregasse, ela faria um escândalo. Você não é obrigada a ir.”

Foi Beatriz quem quis enviar. Ele não queria desagradá-la, por isso veio. Não tinha nada a ver comigo.

“Entendido,” eu disse.

Ele permaneceu ali por alguns segundos, sem intenção de sair, mas também sem dizer nada.

“Mais alguma coisa?” perguntei.

“Não.” Ele se virou, abriu a porta e saiu.

A porta se fechou.

Fiquei sozinha no consultório novamente. Peguei aquele convite vermelho, abri-o e olhei para os dois nomes impressos lado a lado.

Sr. Lucas & Sra. Beatriz.

Data: 8 de abril. Local: Grande Hotel da Cidade.

Fixei o olhar no endereço. Cidade natal.

Na cidade onde tínhamos marcado de nos encontrar no cartório, ele ia se casar com outra pessoa.

Meu celular vibrou. Era uma mensagem de Elisa.

“Clara, sua irmã está te esperando na cidade. Se você não vier, irei te buscar.”

Não respondi.

Coloquei o convite na gaveta, junto com aquela foto de cinco anos atrás.

Uma representava o passado, a outra, o futuro. As duas folhas sobrepostas, pressionadas no fundo da gaveta.

Todos estavam se movendo em direção ao lugar que eu mais odiava, tentando me arrastar de volta.

Capítulo 6

No dia em que entreguei a carta de demissão, o diretor me observou por um longo tempo.

“Tem certeza?” ele perguntou.

“Tenho,” respondi, sem hesitar.

Ele não perguntou mais nada.

Na gaveta do consultório, ainda estavam o convite e a foto. Coloquei-os na bolsa e joguei fora todo o resto.

Ao sair pela porta do hospital, olhei para trás uma última vez. Cheguei sozinha há três anos e partiria sozinha após três anos.

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