Capítulo 8: Orgulho e Cinzas
A lâmina fria pressionava a carótida de Leonardo, mas o Alpha não recuou um único milímetro diante da promessa de morte nos olhos de Alexis.
"Se eu quisesse te destruir com um veneno, Alexis, não teria arriscado a minha vida para te tirar daquele porto," disse Leonardo, mantendo a voz firme e grave.
"Palavras não mudam a assinatura da sua família naquele documento," retrucou Alexis, com a mão tremendo levemente pela tempestade de dor que o sufocava.
"Então venha ver a verdade com os seus próprios olhos antes de rasgar a minha garganta," desafiou Leonardo, encarando o rival com uma determinação inabalável.
Horas mais tarde, o veículo blindado de Leonardo cortava a estrada sinuosa que subia a Serra dos Órgãos sob um nevoeiro denso.
No banco do carona, Alexis mantinha uma pistola tática no colo, em silêncio absoluto, recusando-se a olhar para o homem ao seu lado.
Eles pararam diante de uma fenda na rocha, onde uma porta de aço reforçado escondia o bunker abandonado de Hector Castro.
Ao entrarem na instalação fria e escura, o som de passos ressoou pelo corredor revestido de concreto militar.
"Este era o laboratório pessoal de Hector," explicou Leonardo, ligando os geradores de emergência que fizeram as luzes piscarem devagar.
"O cheiro de mofo e produtos químicos aqui é repugnante," comentou Alexis, varrendo o local com o olhar treinado de um comandante.
Antes que Leonardo pudesse acessar o terminal central, o som característico de vidros se estilhaçando cortou o silêncio da instalação.
Dezenas de mercenários armados com fuzis de assalto invadiram o galpão superior, disparando rajadas letais contra a posição dos dois.
"Emboscada!" gritou Leonardo, puxando Alexis para trás de uma bancada de aço reforçado no momento em que o concreto ao redor virava poeira.
"Eles rastrearam o sinal do seu computador!" exclamou Alexis, sacando a pistola e devolvendo dois tiros precisos que derrubaram o primeiro invasor.
A raiva e a dor acumuladas entre os dois evaporaram instantaneamente sob a ameaça iminente de morte violenta.
Nenhum instinto de Alpha ou Omega importava naquele momento; a essência de dois guerreiros de elite assumiu o controle absoluto do ambiente.
Com uma sincronia assustadora, forjada em anos de duelos mortais entre si, Leonardo e Alexis moveram-se como uma única máquina de guerra.
Leonardo avançou pelo flanco esquerdo, atraindo o fogo pesado com rajadas de sua submetralhadora, enquanto Alexis cobria sua progressão com tiros cirúrgicos.
Um mercenário tentou flanquear Leonardo por trás de uma coluna, mas Alexis disparou através da fumaça, atingindo o inimigo no peito antes que ele puxasse o gatilho.
"A sua retaguarda está limpa, Castro!" gritou Alexis, trocando o carregador da arma com uma agilidade hipnotizante.
"Ótimo disparo, Voronov!" respondeu Leonardo, cravando uma bala na cabeça de outro invasor que tentava avançar pela passarela metálica.
Eles não precisavam de ordens ou sinais manuais; cada passo e cobertura aconteciam com a perfeição de dois reis que conheciam cada reflexo um do outro.
Enquanto mantinha os mercenários sob pressão, Alexis notou um atirador de elite posicionando-se no nível superior para alvejar o peito descoberto de Leonardo.
Sem hesitar um segundo, Alexis projetou seu próprio corpo para fora da cobertura, disparando para cima enquanto se colocava na linha de tiro do inimigo.
O projétil de calibre pesado cortou o ar e deitou um sulco profundo no ombro direito de Alexis, fazendo o sangue jorrar e manchar sua camisa preta.
O impacto fez o ex-comandante cambalear para trás, mas ele manteve o braço firme e abateu o atirador antes de atingir o chão.
"Alexis!" rugiu Leonardo, e uma onda incontrolável de fúria cega tomou conta de seus sentidos ao ver o rival atingido.
A aura de Alpha de Leonardo explodiu com uma violência aterrorizante, e o chefe da máfia avançou pela fumaça eliminando os últimos três mercenários a queima-roupa.
O silêncio voltou ao bunker, quebrado apenas pelo chiar de canos atingidos e pela respiração pesada dos dois sobreviventes.
Leonardo correu na direção de Alexis, ajoelhando-se ao lado do ex-Alpha com as mãos trêmulas para avaliar o ferimento no ombro.
"Por que você fez isso?" perguntou Leonardo, com a voz rouca e o peito subindo e descendo em desespero ao ver o sangue de Alexis.
"Se você morrer aqui, quem vai responder pelas atrocidades da sua família?" respondeu Alexis, segurando o ferimento com um grunhido de dor.
Apesar das palavras duras, o olhar que eles trocaram no meio da poeira revelava um respeito mútuo que nenhuma biologia ou conspiração poderia destruir.
"Precisamos pegar os dados e sair agora," disse Leonardo, ajudando Alexis a se levantar enquanto o apoiava em seu próprio peito.
Eles se aproximaram do terminal principal, onde o sistema exibia a fórmula completa do antídoto parcial capaz de neutralizar os efeitos colaterais do soro.
Leonardo inseriu o drive criptografado para extrair o arquivo, mas a transferência acionou o protocolo de emergência do velho Hector.
Uma sirene vermelha começou a piscar nas paredes, e uma voz sintetizada anunciou a contagem regressiva de sessenta segundos para a autodestruição do bunker.
"A extração dos dados travou a porta principal!" avisou Leonardo, digitando comandos no teclado com uma velocidade frenética.
"Esqueça a trava, use as cargas explosivas na parede da ventilação!" ordenou Alexis, apontando para os dinamites táticos no cinto de um mercenário morto.
Leonardo pegou os explosivos e os instalou na tubulação de ar, acionando o detonador no exato segundo em que o drive concluiu o download.
A explosão abriu uma brecha na rocha, revelando a luz da tarde que cortava o nevoeiro da montanha do lado de fora.
O teto do bunker começou a ceder, lançando blocos gigantes de concreto sobre o laboratório clandestino enquanto as chamas se espalhavam.
Leonardo puxou Alexis pela cintura, saltando através da fumaça e dos destroços no momento em que a instalação desabava por completo atrás deles.
Eles rolaram pela grama molhada da montanha, tossindo por causa da fumaça densa que subia da fenda na rocha.
Alexis deitou de costas na terra, com o ombro sangrando e o rosto coberto de fuligem, mas com um brilho feroz de triunfo em seus olhos azuis.
Ele puxou a pistola do cinto com a mão esquerda, ejetou o carregador vazio e encaixou um novo pente com um estalo limpo e preciso.
Com a manga rasgada e o sangue escorrendo pelo braço, Alexis passou a mão pelo rosto para limpar a sujeira antes de encarar o rival.
Leonardo observava o ex-comandante deitado na grama, fascinado pela beleza selvagem e pela resiliência indomável daquele homem.
No meio da fumaça da explosão que destruía o passado dos Castro, Alexis abriu um sorriso provocante e mortal para o Alpha dominante.
"Ainda sabe atirar, Castro," perguntou Alexis, ajustando a pegada na arma, "ou vou ter que fazer todo o trabalho?"