Ele fungou, enxugou as lágrimas e então fez algo que a pegou totalmente de surpresa.
Ele se agachou, colocou as rosas brancas no chão e tirou uma caixinha do bolso.
Abriu-a.
Dentro estava um anel.
Não era novo.
Era a mesma aliança de quando Giovana se casou.
"Você..."
"Quando você foi embora, deixou no criado-mudo. Eu o trouxe comigo o tempo todo." Ele ergueu a cabeça para olhá-la. "Giovana, você não quis usar este anel, e eu o guardei por quase um ano. Agora quero devolvê-lo a você. Não porque eu queira que você volte ao passado, mas porque quero começar de novo com você. Começando por este anel, começando pelo dia de hoje. Você aceita?"
Giovana olhou para ele ajoelhado no chão, oferecendo aquele anel.
Havia hematomas em seus joelhos deixados pelo treinamento de reabilitação.
Havia vasos sanguíneos rompidos em seus olhos e também lágrimas.
Ele tinha emagrecido muito, parecia mais velho, muito mais abatido.
Mas ele estava mais bonito do que em qualquer outro momento.
"Julian, levante-se."
"Se você não colocar, eu não levanto."
"Sua perna acabou de melhorar, se ficar ajoelhado por muito tempo vai doer de novo."
"Se doer, que doa. Eu te esperei por um ano, não faz diferença este momento."
Giovana agachou-se, ficando na altura dos olhos dele.
"Me dê o anel."
Ele, atrapalhado, tirou o anel da caixinha e entregou a ela.
Ela não o pegou.
Em vez disso, estendeu a própria mão.
"Coloque em mim."
Ele paralisou.
"O que você disse?"
"Disse para colocar em mim."
As mãos dele estavam tremendo.
O anel falhou em entrar várias vezes.
Quando finalmente conseguiu colocar, ele segurou a mão dela e a pressionou contra o próprio rosto.
"Giovana, obrigado."
Sua voz era baixa e rouca, escondendo um embargo que havia sido reprimido por tempo demais.
"Obrigado por quê?"
Giovana baixou os olhos, relaxando levemente as pontas dos dedos.
"Obrigado por estar disposta a me dar mais uma chance."
Ela puxou suavemente a mão, com um tom de voz calmo porém sério, pronunciando cada palavra com clareza.
"Não me agradeça. Se tiver que agradecer a alguém, agradeça a você mesmo. Foi você quem correu atrás."
Após uma pausa, ela olhou para o profundo sentimento que transbordava nos olhos dele e completou lentamente a segunda metade da frase.
"Foi você mesmo que não quis desistir, foi você mesmo que aprendeu a me amar."
Capítulo 25
As lágrimas de Julian caíram novamente, pingando no dorso da mão de Giovana.
"Julian, pare de chorar. Se você continuar, eu também vou chorar."
"Então chore. Eu estarei aqui com você."
Naquela noite, nevou pela primeira vez em Anhe desde o início do inverno.
Eles estavam parados na porta do centro de serviços, sem que nenhum dos dois se movesse.
A neve caía sobre as rosas brancas, sobre o cabelo dele e sobre as mãos deles que estavam dadas.
"Julian, você está com frio?"
"Não."
"Você está mentindo, suas mãos estão geladas."
"Suas mãos estão quentes."
Julian segurou a mão de Giovana e a colocou dentro do bolso do seu casaco.
"Giovana, vamos para casa."
"Para qual casa?"
"Para a nossa casa. O apartamento que aluguei. Você aceita se mudar para lá?"
Giovana olhou para ele e deu um sorriso.
"Primeiro, devolva-me todos aqueles bilhetes."
"Que bilhetes?"
"Aqueles que você deixava em cima da tigela de mingau todos os dias. Eu guardei todos. Depois que você foi embora, eu os lia todas as noites."
Ele hesitou por um momento e depois sorriu.
"Você os guardou?"
"Sim. Guardei para me lembrar de que houve um bobo que se demitiu da cirurgia cardíaca por mim, que quase perdeu a perna por mim e que fez tantas coisas que nunca tinha feito antes por mim."
Ela apertou a mão dele com mais força.
"Esse bobo, eu o aceito."
A neve caía cada vez mais forte.
Ele estava parado na neve, sorrindo como alguém que tinha conquistado o mundo inteiro.
Quando voltaram a morar juntos, Julian pegou o anel que ela tinha tirado uma vez e segurou sua mão.
Desta vez, a mão dele não tremeu; ele deslizou o anel com firmeza no dedo anelar dela.
"Pronto", disse ele. "Você é minha esposa novamente."
"Eu sempre fui. Você não assinou o acordo de divórcio."
"Então, de agora em diante, assinarei menos ainda."
Giovana sorriu levemente, com o olhar arqueado de forma suave e relaxada.
Julian observava aquele sorriso fixamente, seus olhos avermelharam-se silenciosamente, e ele apertou os dedos dela com força.
"Giovana, obrigado."
Ele baixou o olhar, com os cantos dos olhos levemente avermelhados.
"Obrigada pelo quê?"
Ela ergueu o olhar para ele, com os olhos ternos, tendo deixado para trás a frieza de antes, com um sorriso leve e aliviado nos cantos dos lábios, observando-o em silêncio.
"Obrigado por estar disposta a me dar mais uma chance e obrigado por me mostrar como é a sensação de amar alguém."
"Que sensação?"
Ele ergueu os olhos e a fitou profundamente, sua garganta oscilou, e sua voz saiu rouca e sincera.
"É um coração dilacerado quando se perde, e uma paz absoluta quando se possui. É só depois de ter sentido a dor que se entende o que significa não querer perder alguém."
Naquela noite, sentaram-se na varanda para observar as estrelas. O céu noturno de Anhe era limpo e as estrelas estavam densamente espalhadas.
Giovana virou a cabeça para olhar para Julian, escondendo um vestígio imperceptível de insegurança no olhar, enquanto as pontas de seus dedos seguravam suavemente os dele.
Ele imediatamente fechou o braço, abraçando-a, com o rosto colado ao topo da cabeça de Giovana, com o olhar solene.
"Não vai acontecer de novo."
Julian baixou a cabeça, encostando a testa na dela, com total sinceridade e arrependimento no olhar.
"Antes, eu fui egoísta e indiferente, tratando sua tolerância como algo natural."
"Tendo sentido a dor da perda uma vez, nesta vida, não me atreverei a repetir o mesmo erro."
"De agora em diante, guardarei toda a minha teimosia e impaciência; serei gentil apenas com você."
Ele virou a cabeça para olhar para ela, com o luar caindo sobre o seu rosto.
"Não acontecerá. Porque eu já vi como são os dias sem você, e não quero vivê-los novamente."
Giovana estendeu a mão e segurou a dele.
As mãos dele estavam quentes, tão quentes quanto na primeira vez em que as segurou.
A diferença é que, desta vez, ela nunca mais precisaria soltá-las.
No parapeito da janela, as rosas brancas balançavam suavemente sob o luar.
"Julian."
"Sim."
"Bem-vindo ao lar."
"Voltei."
— Fim do livro —