《O Adeus Silencioso do Maquiador de Defuntos》Capítulo 11

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"Tenho", disse ele, "mas tenho muito mais medo de te perder."

As lágrimas de Giovana caíram.

Ela baixou a cabeça, tentando desesperadamente contê-las, mas não conseguiu.

Três anos.

Na outra cidade, ela o esperou todos os dias, esperou que ele a olhasse uma vez, que dissesse uma palavra de carinho.

Não conseguiu nada.

Agora, por ela, ele abandonou a cirurgia cardíaca.

Abriu mão do que mais amava.

Veio para onde ela trabalha.

De "guardião dos vivos", ele se tornou um colega da "barqueira dos mortos".

"Julian, você realmente pensou bem?"

"Pensei."

"Você não vai se arrepender?"

"Não."

"Você está mentindo. Você vai se arrepender no futuro."

"Então falaremos sobre isso no futuro." Ele estendeu a mão e enxugou as lágrimas no rosto dela. "Pelo menos agora, eu não me arrependo."

Suas mãos estavam quentes.

Tão quentes quanto antes.

Mas desta vez, Giovana não se esquivou.

Porque ela sabia o quão longo foi o caminho que ele percorreu para se aproximar dela.

Da outra cidade para cá, quatrocentos quilômetros.

Da cirurgia cardíaca para a funerária, foi uma mudança de toda a sua trajetória profissional.

De pedir que ela desinfetasse as mãos três vezes, para entrar na sala onde ela trabalha.

Ele caminhou noventa e nove passos.

O último passo agora dependia dela.

"Julian."

"Sim."

"Os trâmites da contratação já foram feitos?"

"Ainda não, o diretor disse para esperar você concordar."

"Concordar com o quê?"

"Concordar que eu trabalhe aqui. Ele disse que este é o seu território e a decisão é sua."

Giovana olhou para ele, e ele a olhou de volta.

A luz do sol filtrava-se pelas folhas das árvores, projetando manchas de luz e sombra no rosto dele.

Havia um brilho em seus olhos, intenso e estável.

Não era mais aquele brilho vazio e frio de antes.

Era um brilho sincero, determinado e cheio de expectativa.

"Venha trabalhar amanhã", ela disse.

Ele ficou paralisado: "O que você disse?"

"Disse para vir trabalhar amanhã. Administração e logística, três meses de experiência."

Ele ficou parado ali, e seus olhos começaram a ficar vermelhos aos poucos.

"Giovana..."

"Não chore, se chorar, não precisa vir trabalhar."

Ele fungou, segurando as lágrimas.

"Não estou chorando."

"Seus olhos estão vermelhos."

"O vento está forte."

No verão, não havia vento.

Giovana se virou e caminhou em direção ao centro de serviços.

Depois de alguns passos, ela parou.

"Julian."

"Sim."

"No café da manhã de amanhã, quero

xiaolongbao

. Aprenda a fazer."

Houve um segundo de silêncio atrás dela, seguido pela voz dele.

"Está bem."

Sua voz carregava um sorriso.

Giovana se virou e viu que ele estava sorrindo.

Seus olhos estavam semicerrados de alegria, e os cantos da boca estavam bem levantados.

Era uma pessoa totalmente diferente daquele Julian da foto de casamento.

Totalmente diferente daquele cirurgião indiferente de antes.

O Julian de agora era o Julian desta cidade.

O Julian disposto a abandonar tudo por ela.

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O Julian que aprenderia a fazer

xiaolongbao

por ela.

O Julian que merecia uma nova chance dela.

Capítulo 21

No dia seguinte, Julian começou a trabalhar.

Ele vestia uma camisa azul-escura, o cabelo estava curto e a barba bem feita.

Parado na entrada do centro de serviços, carregava dois sacos de papel.

Um continha

xiaolongbao

(bolinhos no vapor) e o outro, leite de soja.

"Seu café da manhã", disse ele, entregando a Giovana.

"Eu que fiz. Não estão muito bonitos, mas são comestíveis."

Giovana abriu o saco de papel; o formato dos bolinhos estava torto, alguns estavam abertos e outros grudados uns aos outros.

Dava para ver que eram obra de um iniciante.

"Onde você aprendeu?"

"Vi vídeos na internet. Fiz quatro fornadas; joguei fora as três primeiras. Esta é a quarta, dá para comer."

"Que horas você dormiu ontem à noite?"

"Às três."

"Você ainda tem trabalho hoje."

"Sim, mas eu queria que você comesse algo quente."

Giovana pegou um bolinho e deu uma mordida.

A massa estava um pouco grossa, o recheio pouco abundante e o sabor, mediano.

Mas ela comeu tudo.

"Está gostoso?", ele perguntou, com os olhos cheios de expectativa.

"Está bom."

Ao ouvir isso, ele sorriu com satisfação.

Geraldo saiu de dentro e, ao ver Julian, ficou atônito.

"Você veio mesmo?"

"Você é um cirurgião cardíaco; vir trabalhar aqui na administração não é um desperdício do seu talento?"

Julian olhou para Giovana: "Não é um desperdício."

Geraldo seguiu o olhar dele até ela e sorriu.

"Certo, venha comigo. Vou te levar para tratar da papelada."

Julian entrou acompanhando Geraldo.

Giovana ficou na entrada, segurando o saco de papel vazio, observando as costas dele enquanto se afastava.

Sua perna esquerda ainda mancava levemente, mas estava muito melhor do que antes.

Ele caminhava com mais firmeza e mais rapidamente.

Depois de entrar no saguão, ele parou.

Virou-se e olhou para ela.

Através da porta de vidro, ele sorriu.

Giovana baixou a cabeça, jogou o saco de papel no lixo e virou-se para entrar em seu estúdio.

Mas seu coração batia acelerado.

Tão acelerado que ela não conseguia controlar.

Soraia logo soube que Julian havia se demitido.

Foi o próprio Julian quem contou a Giovana.

Soraia havia publicado em suas redes sociais: "Algumas pessoas, por causa de outra, são capazes de abandonar tudo. Eu perdi."

Ele mostrou o celular a Giovana, que abriu o perfil de Soraia e viu a postagem.

"Algumas pessoas, por causa de outra, são capazes de abandonar tudo. Eu perdi."

Havia comentários embaixo perguntando o que tinha acontecido.

Ela respondeu: 【Ele se demitiu, por causa dela.】

Giovana desligou o celular e encostou-se na parede.

Soraia disse que perdeu.

Mas o que ela perdeu?

Ela nunca o teve.

Assim como Giovana nunca o teve.

Ambas perderam para a mesma coisa: a indiferença dele.

Só que agora, a indiferença dele havia derretido.

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Transformou-se em uma tigela de mingau, um buquê de rosas brancas, um "sinto sua falta" e a decisão de trocar a cirurgia cardíaca pelo centro de serviços funerários.

Ele abandonou o que mais amava.

Escolheu ficar ao lado dela.

Mesmo que esse "lado" fosse o escritório administrativo de uma funerária.

Mesmo que esse trabalho não tivesse relação alguma com sua especialidade.

Ele escolheu.

Então, ela deveria escolher também?

À tarde, Julian foi procurar Giovana no estúdio.

Ele ficou na porta, sem entrar.

"Geraldo disse que a estação de trabalho da administração fica no térreo, e seu estúdio no segundo andar. Posso subir para te ver todos os dias?"

"Se você quer subir, suba."

"Não vou atrapalhar seu trabalho."

"Eu sei."

"Só ficarei parado na porta olhando um pouco."

Giovana virou-se para olhá-lo.

"Julian, por que você ficou tão prolixo agora?"

Ele hesitou e então sorriu.

"Talvez porque antes eu falava pouco demais. Agora quero compensar."

"Então continue compensando, eu preciso trabalhar."

"Certo."

Ele se virou para sair.

Após dois passos, parou novamente.

"Giovana."

"O que foi agora?"

"Amanhã farei mais bolinhos, e eles ficarão cada vez melhores."

"Entendido."

Giovana virou-se para a bancada.

Ao lado, um senhor idoso repousava silenciosamente.

Ela pegou o lápis de sobrancelha e começou a desenhar.

Um traço, dois, três.

Suas mãos estavam firmes.

Mas os cantos de sua boca estavam curvados.

Porque ela sabia que havia alguém lá embaixo.

Ele largou a cirurgia cardíaca e veio para o mundo dela.

Não para compensá-la, não para comovê-la.

Foi porque ele quis vir.

Esse pensamento fez com que a Giovana que estava "morta" há três anos parecesse ter voltado à vida.

Capítulo 22

Na terceira semana de Julian trabalhando no centro de serviços, Giovana notou um problema.

Ele estava magro demais.

Quando estavam na outra cidade, embora ele fosse esguio, tinha uma aparência saudável.

Agora, suas maçãs do rosto estavam saltadas, havia olheiras profundas sob seus olhos, e a camisa branca parecia pendurada em um cabide.

Giovana perguntou se ele não estava comendo direito.

Ele disse que estava.

Ela perguntou se a perna ainda doía.

Ele disse que não.

Mas, naquela tarde, quando Giovana foi ao escritório administrativo buscar documentos, viu-o sentado sozinho, com a perna esquerda esticada e pressionando o joelho com força.

Suas sobrancelhas estavam franzidas, e seus lábios formavam uma linha fina — uma expressão que ela conhecia bem: ele estava suportando dor.

"Julian."

Ele levantou a cabeça e tirou a mão do joelho.

"Por que você desceu?"

"Sua perna está doendo de novo?"

"Não é nada, apenas um pouco cansada de ficar em pé."

"Você está mentindo. Sua perna nem sequer sarou direito, e você passa o dia todo de pé no atendimento administrativo, como não doeria?"

Ele não respondeu.

"Por que você não faz fisioterapia?"

"Não tenho tempo."

"Não tem tempo? Você sai às cinco, tem tempo de sobra."

Ele baixou a cabeça e respondeu baixinho: "A clínica de fisioterapia fica na outra cidade, aqui não tem."

Giovana paralisou.

"Quer dizer que você não faz reabilitação há meses?"

"Fazia. No começo, voltava toda semana. Depois..."

"Depois o quê?"

"Depois você começou a tomar o café da manhã que eu faço. Tive medo de que, se eu saísse, você parasse de comer."

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