《O Adeus Silencioso do Maquiador de Defuntos》Capítulo 9

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"Eu mudei de ideia."

Ela não respondeu.

Ele fechou a porta do carro e caminhou mancando para dentro do condomínio.

O carro continuou, na direção da casa dela.

O celular vibrou.

【Hoje doeu muito, mas como você segurou minha mão, a dor valeu a pena.】

Giovana encarou essa mensagem, digitou algumas palavras e as apagou.

No final, respondeu apenas uma palavra.

【Hum.】

No dia seguinte, ele não veio trazer mingau, mas dirigiu até lá para buscá-la, dizendo que a levaria a um lugar.

O carro rodou por vinte minutos e parou em um lugar onde ela nunca tinha ido.

O novo local do centro de serviços funerários de An'he.

Capítulo 16

O centro de serviços ainda estava em construção, a estrutura principal já estava erguida e os operários estavam fazendo o acabamento interno.

"Isso é..." Giovana ficou atônita.

"O novo centro de serviços", disse ele. "Eu investi nele."

"Você investiu?"

"Vendi a casa em Qiyan; uma parte do dinheiro que restou doei para a funerária de Qiyan, e a outra parte investi aqui."

Giovana ficou parada na entrada da obra, observando aquele prédio em construção.

Ele falou de forma casual, como se investir em uma funerária fosse tão simples quanto comprar uma peça de roupa.

Mas ela sabia o que aquela casa significava para ele —

Era o que seus pais haviam lhe deixado, onde ele viveu por trinta anos.

"Julian, por que você investiu aqui?"

"Porque você está aqui", ele olhou para ela. "Você trabalha aqui, então este é o lugar onde eu quis investir."

O vento soprava da obra, trazendo o cheiro de cimento e poeira.

"Julian, você realmente mudou."

"Eu não mudei", disse ele. "Eu só finalmente decidi olhar para você."

O novo centro de serviços só seria concluído no final do ano.

Julian visitava o progresso uma vez por semana, tirava fotos e enviava para Giovana.

Ela via cada foto, mas não respondia.

A obra nas fotos subia andar por andar, com a mesma pontualidade, regularidade e constância com que ele enviava as mensagens, sem nunca parar.

Ela se lembrou de quando ela era assim — enviava mensagens todos os dias perguntando a que horas ele terminaria o plantão, o que ele queria comer, se ele estava cansado das cirurgias.

Quando ele respondia ocasionalmente com um "Hum", ela podia reler aquilo por um bom tempo.

Agora era a vez dela.

Ela virou o celular sobre a mesa e disse a si mesma: apenas olhe, está tudo bem.

Ele constrói o prédio dele, você vive a sua vida.

Se você responder uma vez, ele vai achar que pode organizar sua vida novamente.

...

Na tarde seguinte, Julian veio.

Ele trouxe um buquê de rosas brancas, frescas, com gotículas de água nas pétalas, e ficou parado na porta dela vestindo aquele suéter cinza-escuro; seu cabelo estava cortado curto e sua barba estava bem feita.

Apenas seus olhos estavam diferentes; antigamente, seus olhos eram frios, mas agora eles tinham temperatura.

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"Entre", disse Giovana.

Ele entrou e colocou as rosas brancas sobre a mesa de jantar.

Giovana preparou quatro pratos — costela refogada, vegetais salteados, sopa de tomate com ovo e o peixe agridoce que ele gostava de comer antigamente.

Ele ficou ao lado da mesa, olhando para os pratos, e de repente seus olhos ficaram vermelhos.

"O que houve?", ela perguntou.

"Antigamente você fazia tantos pratos assim todos os dias", sua voz estava um pouco rouca. "Eu nunca disse que estava gostoso."

"Não é tarde demais para dizer agora."

"Está gostoso", disse ele. "Giovana, a comida que você faz é a mais gostosa do mundo."

Giovana ficou surpresa.

Antigamente ele nunca avaliava nada, apenas comia, pousava os pauzinhos e ia embora.

Agora ele dizia que era "a mais gostosa do mundo".

Isso era um exagero.

Mas ela viu algo nos olhos dele — sinceridade.

Ele sentou-se e pegou os pauzinhos.

Pegou um pedaço de costela, colocou na boca e mastigou lentamente.

Ele estava de cabeça baixa, sem olhar para ela.

Mas Giovana viu seus cílios tremendo. Ele estava segurando o choro.

A refeição durou bastante; ele comeu todos os quatro pratos e tomou toda a sopa de tomate com ovo.

"Giovana."

"Hum."

"Você poderia fazer comida para mim uma vez por semana daqui em diante?"

"Você não aprendeu a fazer?"

"Não é a mesma coisa", disse ele. "A comida que você faz tem gosto de casa. A que eu faço é apenas comida."

Giovana olhou para ele, sem dizer nada.

"Esqueça, como se eu não tivesse dito nada", ele baixou a cabeça. "Eu não deveria pedir nada."

"Julian."

"Hum."

"Venha comer uma vez por semana."

Ele levantou a cabeça e olhou para ela, com seus olhos brilhando intensamente.

"Está bem."

Capítulo 17

Julian vinha jantar uma vez por semana.

Nas noites de sábado, ele chegava pontualmente, trazendo um buquê de rosas brancas, que colocava sobre a mesa de jantar.

Após o jantar, ele se oferecia para lavar a louça.

Antigamente, em casa, ele largava os pauzinhos e ia embora após comer; era Giovana quem lavava a louça.

Agora, ele ficava junto à pia, arregaçava as mangas, lavava um por um e os colocava no escorredor.

Giovana observava-o, encostada no batente da porta da cozinha.

"Você nunca lavou a louça antes."

"Antes, havia muitas coisas que eu não fazia."

"Por que faz agora?"

"Porque quero que você descanse um pouco mais. Antigamente, você cozinhava, lavava a louça, arrumava a casa e ainda trabalhava todos os dias; você estava exausta. Eu não sabia disso naquela época."

"E agora sabe?"

"Agora sei. Mas é tarde."

"Não é tarde", disse ela.

As mãos dele, que lavavam a louça, hesitaram por um momento, e ele virou a cabeça para olhá-la.

"O que você disse?"

"Eu disse que não é tarde."

Ele olhou para ela, e seus olhos ficaram marejados.

Após o jantar, ele sentou-se no sofá e Giovana lhe serviu um copo de água.

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Ele segurou o copo, olhando para a água lá dentro.

"Giovana, obrigado", ele disse, levantando a cabeça para olhar para ela.

"Obrigado por ter me servido água por três anos, obrigado por ter cozinhado para mim por três anos. Obrigado por ter me esperado por três anos e obrigado por me esperar em An'he até que eu chegasse."

Giovana sentou-se à frente dele, observando-o.

"Julian, como você aprendeu a dizer essas coisas?"

"Eu não sei", disse ele. "Depois que você foi embora, aprendi de repente. Talvez eu já soubesse, só não queria dizer; só me arrependi depois que você se foi."

"Arrependeu-se de quê?"

"De não ter dito antes de você partir. Se você tivesse ouvido essas palavras antes de sair, será que teria ido embora?"

No final, ela não respondeu à pergunta dele.

Naquele dia, quando ele foi embora, ficou parado na porta por muito tempo.

No dia da inauguração do novo centro de serviços, Julian foi buscar Giovana.

Ele vestia um sobretudo preto, uma camisa branca por baixo e o cabelo estava penteado impecavelmente.

Ficou parado lá embaixo esperando por ela, colocando e tirando as mãos dos bolsos, nervoso.

"Por que você está vestido tão formalmente?", ela perguntou.

"Hoje é um dia importante."

"Que dia importante?"

"O dia em que você muda para o seu novo escritório."

Giovana olhou para ele e não conseguiu evitar um sorriso: "Isso conta como um dia importante?"

"Conta", disse ele. "Tudo o que diz respeito a você são coisas importantes."

Quando o carro chegou à porta do novo centro de serviços, ela desceu e ficou ali, olhando para o prédio.

Fachada cinza, grandes janelas de vidro e uma fileira de rosas brancas plantadas na entrada.

Ainda não era época de floração, mas as folhas e os caules já estavam bem exuberantes.

"Na primavera, elas vão florescer."

Julian estava ao lado dela: "Você poderá vê-las todos os dias quando isso acontecer."

Giovana entrou no saguão e viu aquela placa —

"O guardião dos vivos, a barqueira dos mortos."

Ela ficou parada sob a placa, inclinando a cabeça para ler a frase.

A sala de maquiagem ficava no segundo andar, voltada para o sul, com janelas grandes; a luz do sol entrava e iluminava todo o recinto.

A bancada de trabalho era nova e as ferramentas estavam organizadas ordenadamente sobre ela.

"Gostou?", ele perguntou da porta.

Giovana virou-se para olhá-lo.

A luz do sol incidia sobre ele; metade de seu rosto estava na luz, a outra metade na sombra.

Havia algo em seus olhos que ela nunca tinha visto antes —

Não era culpa, não era arrependimento, era expectativa.

Ele estava esperando pela resposta dela.

"Gostei", disse ela.

Ele sorriu; desta vez sorriu com vontade, os olhos se curvaram e os cantos da boca se elevaram, parecendo outra pessoa em comparação com aquele Julian que, antigamente, aparecia na foto de casamento com os lábios apertados.

"Julian, você agora sabe sorrir."

"Sim, você me ensinou."

Capítulo 18

A primavera chegou e as rosas brancas na entrada do centro de serviços floresceram.

Todas as manhãs, quando Julian levava Giovana ao trabalho, ele parava diante daquela fileira de rosas brancas.

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