No momento em que o ponto de exclamação vermelho apareceu, ela se sentiu, na verdade, aliviada.
O trem saiu da plataforma noite adentro, as luzes da cidade do lado de fora da janela recuando pouco a pouco.
Giovana olhou para a escuridão profunda da noite lá fora.
Os trilhos se estendiam até o longe, exatamente como na ida.
Apenas a direção era diferente.
Ela o removeu de sua vida.
Histórico de conversas, registros de chamadas, lista de amigos — tudo o que dizia respeito a ele não existia mais.
Exceto pela memória.
Aquela memória sobre ser "o guardião dos vivos e a barqueira dos mortos".
Mas aquela memória, Giovana também apagaria aos poucos.
Não é bloquear, não é ocultar; é deletar completamente.
Assim como ela deletou o contato dele.
Simples, decidido, sem olhar para trás.
O trem corria na escuridão, as luzes lá fora passavam uma a uma, como um filme sendo exibido de trás para frente.
Giovana fechou os olhos.
Desta vez, ela partiu de verdade.
Não era uma fuga de casa, não era para trabalhar em An'he, não era uma separação temporária.
Era excluí-lo de sua vida, definitivamente.
Assim como ele costumava deletar as mensagens dela.
Simples, decidido, sem olhar para trás.
Capítulo 12
No primeiro mês após retornar de Qiyan, Giovana pensou que o assunto tinha acabado de vez.
Julian não voltou a An'he.
Ela dizia a si mesma que isso era bom.
Ele finalmente tinha compreendido.
Mas, toda manhã, ao passar por aquele poste de luz, ela ainda reduzia o passo inconscientemente.
Não havia saco de papel nos degraus, não havia ninguém sob o poste, e o vento soprava do canto da rua, cortante de frio.
Ela baixava a cabeça, apressava o passo e entrava no centro de serviços, enterrando-se no trabalho.
Ao maquiar os falecidos, suas mãos eram firmes.
Já se passavam cinco anos; não importava quanto doesse por dentro, suas mãos não podiam tremer. Isso era o respeito que ela tinha pelo trabalho.
Mas hoje, sua mão, que segurava o lápis de sobrancelha, vacilou de repente.
Julian nunca a viu trabalhando. Ele não sabia que expressão ela fazia ao pegar o lápis, não sabia que ela dizia "não tenha medo" ao limpar o rosto dos falecidos, não sabia que ela se escondia no corredor para secar as lágrimas.
Ele não sabia de nada.
Ele só sabia mandá-la lavar as mãos.
Giovana respirou fundo e continuou a maquiagem.
Ao voltar para casa à noite, uma amiga lhe ligou.
"Giovana, Julian voltou a trabalhar no hospital."
O gesto de tirar os sapatos parou, as pontas dos dedos apertaram a borda do calçado levemente, e seu tom de voz não mostrava emoção.
"Como você sabe?"
"Ela postou nas redes sociais, com a legenda: 'O colega finalmente voltou, o departamento não pode ficar sem você'."
"Na foto aparece ele, vestindo o jaleco branco, fazendo cirurgia. A perna dele ainda não está totalmente recuperada, e ele precisa ficar de pé para operar. Se ficar muito tempo de pé, a perna incha."
Eu baixei os olhos, evitando a pontada de dor no peito, com a voz muito serena.
"Isso não tem nada a ver comigo."
"Giovana, não estou falando se ele é bom ou ruim, só estou te avisando. Ele voltou para Qiyan. Pense bem sobre o que vocês têm."
Apoiei-me no armário do hall de entrada, silenciei por alguns segundos e respondi baixinho.
"Eu entendo."
Após desligar, Giovana sentou-se no sofá, abraçando uma almofada, encarando o teto.
Ele voltou para Qiyan.
Ele não virá mais.
Não era isso que ela queria? Ele foi embora, ela estava livre; não precisava mais ser considerada suja por ele, não precisava mais ser cautelosa, não precisava mais esperar por ele em casa. Isso foi uma escolha dela.
Mas por que seu coração estava tão vazio?
Giovana abriu a gaveta e pegou aquele acordo de divórcio. A cópia que ele assinou.
As palavras "Julian" estavam escritas perfeitamente ao lado do nome dela.
Quando ele não tinha assinado, ainda havia uma linha que os unia em seu coração.
Ele assinou, a linha se rompeu. Ela estava livre, mas também não o tinha mais.
Não, ela nunca o tivera.
Ela guardou o documento e apagou as luzes para dormir.
Na escuridão, ela ouvia pessoas rindo e conversando lá embaixo.
Este mundo não para só porque alguém está com o coração partido. Ela também não pararia.
Mas na manhã seguinte, ao sair, ela ficou paralisada.
Havia um saco de papel nos degraus. O saco de papel daquela loja de mingau na estrada An'he.
O mingau estava quente.
Havia um bilhete colado no saco, e Giovana reconheceu a caligrafia instantaneamente.
【Voltei. Desta vez, não vou mais embora.】
Ela ficou parada nos degraus, segurando a tigela de mingau, ainda morna.
O vento soprou e seus olhos ficaram ardentes.
Ele voltou.
Ele disse que não iria mais embora.
Giovana não bebeu o mingau.
Ela o colocou sobre o parapeito da janela da guarita do porteiro e foi embora.
Mas ela sabia que ele estava por perto. Ela podia sentir o olhar dele, pousado em suas costas, muito leve, como se tivesse medo de assustar alguma coisa.
Ela não olhou para trás.
Nos dias seguintes, toda vez que Giovana saía, havia uma tigela de mingau nos degraus.
O sabor mudava todos os dias: ovo centenário com carne suína, frango com cogumelos, costela com inhame, abóbora com milheto.
Ele sabia exatamente o que ela gostava e o que não gostava.
O mingau estava sempre quente. As mensagens nos bilhetes eram diferentes todos os dias.
【Hoje a temperatura caiu em An'he, agasalhe-se bem.】
【Você estava caminhando de cabeça baixa ontem, seu estômago está doendo?】
【Sonhei com você ontem, você estava sorrindo. Acordei chorando.】
Ela não respondeu nenhuma vez.
Capítulo 13
Mas Giovana guardou aqueles bilhetes, guardando-os na gaveta.
Ela não sabia por que os conservava.
An'he teve a primeira neve do início do inverno.
Ao voltar do trabalho, Giovana o viu na entrada do condomínio.
Ele estava parado sob o poste de luz, a neve acumulada em uma fina camada sobre seus ombros.
Ao vê-la, o canto de sua boca se moveu.
Giovana aproximou-se, sem desviar.
"Julian, há quanto tempo você está aqui?"
"Não me lembro."
"Sua perna não dói?"
"Dói."
"Então por que ainda está de pé?"
"Queria te ver um pouco." Ele disse: "Hoje ainda não tinha te visto."
O vento estava forte, e a neve caía entre eles como uma cortina.
"Você já me viu, pode ir."
"Está bem."
Ele se virou para caminhar na direção oposta, mancando.
Após alguns passos, parou, sem olhar para trás.
"Giovana."
"Sim."
"Não vou embora. Aluguei um lugar aqui perto, a quinze minutos a pé. Vou ficar aqui até que você olhe para mim."
Ele foi embora.
A neve caía sobre o caminho que ele percorreu, cobrindo rapidamente suas pegadas.
Giovana permaneceu onde estava, observando sua silhueta desaparecer na esquina, por muito tempo, tanto que seus próprios cabelos já estavam cobertos de neve.
Naquela noite, ela teve insônia.
Não por ódio, mas por medo. Ela tinha medo de amolecer.
Ele disse que alugou uma casa. Ele disse que ficaria ali.
Antigamente, ele nunca faria essas coisas por ela.
Antes, quando ele estava em casa, ela sentava ao seu lado e ele não lhe dirigia um olhar sequer.
Agora, ele estava na neve, esperando que ela lhe dedicasse um olhar.
Mas ela já não ousava olhar.
Olhar uma vez é amolecer o coração mais uma vez.
E cada vez que o coração amolece, um passo a mais em direção ao abismo.
Ela tinha lutado tanto para sair de lá; não podia cair novamente.
Na manhã seguinte, ao sair, havia uma tigela de mingau nos degraus como de costume.
No bilhete, apenas uma frase:
【Hoje a neve parou, vista-se melhor.】
Julian começou a aparecer diante dela todos os dias.
Se não estava esperando na porta de sua casa, estava na porta do centro de serviços.
Ele não a incomodava, não falava com ela, apenas ficava lá parado.
Às vezes observando de longe, às vezes aproximando-se e depois recuando.
Ele parecia alguém que aprendeu a ter limites, controlando cuidadosamente a distância, nem muito longe, nem muito perto, exatamente onde ela não franziria a testa.
Certa vez, Giovana fez horas extras e, quando saiu, já estava escuro.
Julian estava sentado nos degraus da entrada do centro, com um livro nas mãos, a luz do poste incidindo sobre as páginas.
Sua perna esquerda estava esticada, sem ousar dobrá-la, e o tornozelo inchado esticava o tecido da calça.
Ele a viu, fechou o livro e levantou-se.
"Ainda não comeu, né?", ele perguntou.
Giovana não respondeu.
Ele caminhou até o pé dos degraus, tirou uma marmita de uma bolsa térmica e estendeu-a.
"Eu fiz. Experimente."
Giovana olhou para a marmita, mas não pegou.
"Julian, você sabe cozinhar?"
"Aprendi", disse ele. "Antes, você sempre cozinhava para mim; agora é minha vez de fazer para você."
"Você não precisa fazer isso."
"Eu quero fazer."
Giovana pegou a marmita e abriu.
Ovos mexidos com tomate; os pedaços de tomate estavam em tamanhos desiguais, os ovos estavam passados do ponto, a aparência era bem ruim.