《O Adeus Silencioso do Maquiador de Defuntos》Capítulo 5

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Ele rasgou o envelope e viu que continha apenas uma folha.

Ao puxá-la, cinco caracteres em negrito estavam impressos no topo da primeira página —

Acordo de Divórcio.

Na coluna de assinatura abaixo, estavam escritos dois caracteres elegantes: Giovana.

Capítulo 8

A sala ficou instantaneamente em silêncio.

O sorriso no rosto das enfermeiras não teve tempo de desaparecer, congelando ali mesmo.

A pasta de prontuários na mão de Sabrina inclinou-se levemente, duas folhas deslizaram, mas ela não as recolheu.

Julian estava de cabeça baixa, os dedos pressionando a borda do papel; ele dobrou a folha e a colocou de volta no envelope.

"Não é material de admissão." Sua voz era plana, exatamente igual a quando discutia o cronograma das enfermeiras.

As enfermeiras se entreolharam e saíram silenciosamente.

Sabrina permaneceu onde estava, hesitando: "Colega..."

Julian mantinha os olhos baixos, a linha do maxilar rígida.

"Saia você também."

Sabrina ficou surpresa; Julian nunca havia falado com ela naquele tom.

Ela hesitou, virou-se e fechou a porta.

Na sala, restou apenas Julian.

Ele retirou novamente o acordo de divórcio do envelope.

Na coluna de assinatura, as palavras "Giovana" estavam escritas de forma impecável, sem sequer um traço tremido.

Como ela mesma — quieta, organizada, sem fazer barulho ao partir.

Ele colocou o acordo de lado e discou o número dela.

Desligado.

Discou novamente. Desligado.

Julian pegou o casaco e saiu, esbarrando no batente da porta ao deixar a sala.

Quando ele abriu a porta de casa, a sala estava muito silenciosa.

Não havia Giovana na sala.

Julian entrou no quarto inconscientemente; também não havia Giovana.

Apenas o guarda-roupa estava aberto.

O lado dela estava vazio, com apenas alguns cabides pendurados de forma torta.

Todas as suas coisas tinham sumido.

Meias, cachecóis, até o velho elástico de cabelo que ela usava há três anos não estava lá.

Ela morou nesta casa por três anos, agora não restava nada.

Julian pegou o celular, abriu o WeChat e enviou uma mensagem para ela.

【Onde você foi? O que significa esse acordo de divórcio?】

Assim que enviou, um ponto de exclamação vermelho apareceu.

Giovana também o havia deletado.

Julian encarou aquele ponto de exclamação por muito tempo e subiu a tela para ler o histórico de conversas.

Três anos.

O histórico era ridiculamente curto.

A maior parte era ela dizendo "Estou saindo do trabalho", "O que vamos comer hoje", "A que horas você volta", e ele respondendo "Hum", "Certo", "Tarde".

Sem uma única palavra inútil.

Sem uma única demonstração de cuidado.

Ele chegou a uma mensagem que ela enviou no ano passado; ela parecia estar muito feliz naquele dia, enviou três seguidas.

【Hoje maquiei uma vovozinha, a filha disse que ela amava vermelho em vida, então passei batom vermelho nela; a filha chorou e disse que a mamãe estava linda.】

【Julian, você viu?】

【Deixa para lá, você deve estar ocupado.】

Ele não respondeu.

O que ele estava fazendo naquela época?

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Julian não se lembrava.

Talvez estivesse em uma cirurgia, em uma reunião, ou talvez — não estivesse fazendo nada, apenas não queria responder.

Ele achava que os assuntos de trabalho dela "não precisavam ser mencionados".

Julian saiu do quarto; na mesa de centro, havia as chaves da casa e uma caixa de doces de casamento.

Ele pegou para ver; na caixa havia um post-it com a caligrafia de Giovana.

"O diretor me deu, deixei para você comer."

Julian colocou a caixa de lado, pegou a chave do carro e saiu.

Ele foi à funerária; quando o diretor o viu, tirou os óculos de leitura e permaneceu em silêncio por um longo tempo.

"Para onde ela foi?", perguntou Julian.

O diretor não respondeu, mas rebateu com outra pergunta.

"Você sabe o que ela me disse no primeiro dia em que veio trabalhar aqui?"

Julian congelou.

"Ela disse que o marido dela a chamava de 'condutora da morte' e que ela achava que o trabalho era muito significativo."

O diretor levantou-se e foi até a janela: "Aquele marido de quem ela falou, é você?"

Julian não respondeu.

"Ela esteve aqui por cinco anos, já cuspiram na cara dela, já a xingaram de portadora de má sorte, já exigiram que ela se ajoelhasse para maquiar um falecido, e ela nunca chorou."

O diretor virou-se e o encarou: "Mas no dia em que ela se demitiu, eu lhe dei uma caixa de doces e disse 'você também é um anjo', e ela chorou."

"Ela disse que foi a primeira vez na vida que alguém a chamou de anjo."

Julian ficou ali parado, como se alguém estivesse apertando sua garganta.

Sua voz era tão rouca que mal dava para ouvir: "Para onde ela foi?"

O diretor olhou para ele: "Eu não vou te contar."

Julian saiu da funerária e sentou-se no carro, sem dar partida.

Ele abriu o celular e encontrou 林薇, a melhor amiga da universidade de Giovana.

Apenas uma resposta veio: "Julian, você não é digno dela, pare de procurá-la."

Ele jogou o celular no banco do passageiro, inclinou a cabeça contra o banco e fechou os olhos.

Julian não conseguia imaginar para onde mais ela poderia ir.

De repente, lembrou-se de que ela havia feito um intercâmbio em Paz e Serenidade; ao voltar, ela falou com ele durante vários dias sobre como o mingau de lá era saboroso, como as estradas eram largas e como as pessoas lá respeitavam os tanatólogos.

Ele apenas respondeu "Hum" na época, sem continuar a conversa.

Aquela foi uma das poucas vezes em que ela falou tanto com ele.

Julian não ouviu.

Agora, ele precisava ir ver.

Como era exatamente aquele lugar que ela tanto gostava.

Capítulo 9

Julian chegou a An'he durante a madrugada.

Ele passou uma noite inteira na estação de trem e, ao amanhecer, pegou um táxi até o centro de serviços funerários.

Ele ficou parado do outro lado da rua e viu o prédio.

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Cinza, não muito grande, com um ponto de ônibus na entrada onde se lia "Centro de Serviços Funerários de An'he".

Diferente de Qiyan.

Aqui, a funerária ficava na área urbana, e ninguém achava que isso fosse inadequado.

Julian se hospedou em uma pequena pousada do outro lado da rua, com a janela do quarto voltada para o portão do centro de serviços.

Ele ficou lá, esperando.

Às sete em ponto, Giovana veio da esquina.

Ela usava um casaco de cor escura, o cabelo preso em um rabo de cavalo baixo e segurava um copo de leite de soja.

Ela estava um pouco mais magra.

Mas o estado de espírito dela era outro.

Em Qiyan, ela sempre caminhava de cabeça levemente baixa, como se tivesse medo de bloquear o caminho de alguém.

Agora, ela mantinha a cabeça erguida, com o olhar fixo à frente, e seus passos eram firmes, como se tivessem raízes no chão.

Julian, escondido atrás da cortina, observou-a entrar no centro de serviços.

Ele permaneceu na pousada por três dias.

Todos os dias, às sete da manhã, ficava diante da janela observando-a entrar no trabalho, e todas as noites, via-a atravessar a rua de volta ao apartamento alugado.

Na terceira noite, ele desceu as escadas.

Julian encontrou a loja de mingau da qual ela falava durante a faculdade — na estrada An'he, no centro antigo, uma fachada muito pequena.

Ele comprou um mingau de ovo centenário com carne suína, colocou em um saco de papel e foi até o prédio do apartamento dela.

Julian ficou esperando debaixo do poste de luz.

Pouco depois das nove, Giovana voltou.

Ela vinha da esquina e, no momento em que o viu, seus passos pararam.

A luz iluminava o corpo dele; o sobretudo estava amarrotado, havia olheiras profundas sob seus olhos e barba por fazer no queixo.

Aquele homem nunca se permitia ficar tão desleixado — em casa, ele até passava as camisas para que ficassem impecáveis.

Agora, ele estava parado no vento noturno de novembro em An'he, segurando um saco de papel, como uma criança que cometeu um erro.

Giovana se aproximou, sem desviar.

Ao passar por ele, seus passos não pararam.

"Giovana", ele a chamou.

"Trouxe mingau para você. Antigamente, você dizia que o mingau de ovo centenário com carne suína da estrada An'he era delicioso."

Ela parou.

Não porque a frase fosse tocante.

Foi pela cautela na voz dele — uma cautela que ela nunca tinha ouvido antes, uma fragilidade, um medo de que, se dissesse uma palavra errada, a afastaria ainda mais.

Três anos atrás, ela também era assim.

"Julian, você vai voltar para jantar hoje? Se não for conveniente, não tem problema, tudo bem."

"Julian, será que estou te atrapalhando? Então vou desligar, você deve estar ocupado."

"Julian, se você não quer falar, deixa para lá, não vou mais perguntar."

Idêntico.

Tanta cautela. Medo de incomodar, medo de ser um peso.

Foi só agora que Giovana entendeu que aquela cautela não nascia do amor, mas do medo.

Medo de perder.

Por isso, Julian agora também estava com medo.

Giovana virou-se e olhou para ele.

A luz do poste iluminava seu rosto, revelando toda a sua desordem.

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