Ao sair da funerária, ela parou diante daquele prédio cinzento e observou por muito tempo, antes de ir para casa arrumar as malas.
Não havia muita coisa.
Algumas mudas de roupa e um par de sapatos baixos.
Ao chegar ao fundo do armário, seus dedos tocaram um pedaço de papel rígido —
Era a foto do registro de casamento dela e de Julian.
Tirada em uma máquina automática, custou vinte yuans, e era também a única foto que tinham juntos.
Na foto, ele não sorria, seus lábios estavam cerrados em uma linha reta.
Ela, por outro lado, sorria com força, como se estivesse sorrindo pelos dois.
Naquela época, ela acreditava que, se sorrisse alto o suficiente, algum dia conseguiria cobrir o silêncio dele.
Giovana colocou a foto de volta no lugar; não a levou consigo.
Ao anoitecer, quando Julian chegou, ela já havia colocado a mala no depósito.
Ao terminar o banho e voltar ao quarto, ele estava encostado na cabeceira da cama, lendo um documento, algo raro de se ver, já que ele não estava de costas para ela.
"Venha aqui."
Julian entregou-lhe o documento.
Giovana baixou os olhos e viu que era a confirmação de contratação.
Cargo de enfermagem em cirurgia cardíaca, no mesmo departamento que ele.
Nome: Giovana.
Idade: 28.
Unidade de origem: Funerária da Cidade.
Cargo proposto: Enfermagem em cirurgia cardíaca.
Em todos os lugares que precisavam de assinatura, ele já havia assinado.
Incluindo a coluna de "opinião do cônjuge", onde ele escreveu "concordo" por ela.
"Você disse da última vez que não queria trabalhar com Sabrina." O tom de Julian era plano, como se estivesse agendando uma cirurgia eletiva.
"Pensei um pouco, vir para o meu departamento também serve. Sob meus olhos, ninguém vai te tratar com dificuldade."
Ao dizer isso, sua expressão era muito sincera; não havia sarcasmo, não era uma ordem, era uma convicção genuína de que ele estava ajudando-a.
"Julian, eu fui muito clara da última vez: eu não vou mudar de emprego."
Julian franziu a testa, como se estivesse ouvindo um paciente que se recusava a seguir o protocolo.
"Você insiste em ser essa tanatologista?"
"Insisto."
Ao ouvir isso, Julian a observou com um olhar repleto de confusão, como se encarasse um problema matemático que ele não conseguia resolver.
"Não entendo. Você se formou em enfermagem, poderia estar em um hospital de verdade, por que insiste em ficar com os mortos?"
Giovana olhou para sua expressão de total incompreensão e percebeu uma coisa.
Ele nunca lhe perguntou "por que".
Três anos atrás, quando ela disse que era tanatóloga, ele respondeu "combina bastante", e ela achou que ele aceitava.
Mais tarde, ele pediu repetidamente para ela pedir demissão, trocar de cargo, e agora preencheu o formulário por ela; ela achava que ele a desprezava.
Mas não era isso.
Do início ao fim, Julian nunca sentiu que ela estivesse em uma profissão que merecesse ser levada a sério.
Tanatóloga não era uma profissão, era um problema, um problema que precisava ser resolvido.
E o método dele para resolver problemas era preencher o formulário por ela, arranjar as coisas por ela, assinar por ela.
Ele nunca pensou em lhe perguntar uma única vez —
Por que você escolheu isso? O que você pensa quando está fazendo essas coisas?
"Julian, e se eu simplesmente não assinar?"
A expressão de Julian não mudou muito; ele apenas retirou o documento das mãos dela, colocou-o na mesa de cabeceira e o pressionou sob a luminária.
"Tudo bem se não assinar."
"Eu disse antes, se você não quer mudar de emprego, podemos ter filhos primeiro. Depois que tivermos um filho, você pode ficar em casa e não precisa mais sair para trabalhar."
"Esse seu trabalho também não faz bem para a saúde."
O mesmo tom, a mesma calma.
Giovana olhou para ele e deu um sorriso repentino.
"Julian, será que você nunca pensou em uma terceira possibilidade?"
Capítulo 7
O tom de Giovana era calmo, cada palavra pausada.
"Não assinarei a confirmação, não terei filhos, continuarei sendo tanatóloga."
Julian virou a cabeça para olhá-la, sem fúria, sem acusações.
Em seu rosto havia apenas uma expressão — ele realmente não compreendia.
"Então, o que você quer?"
Giovana olhou para Julian, e a última brasa que restava em seu coração se apagou.
"Nada. Vou dormir no quarto de hóspedes."
Julian virou uma página do livro de medicina, sem impedi-la.
Na manhã seguinte, quando Julian saiu, Giovana ainda não havia se levantado.
Ele bateu na porta do quarto de hóspedes: "Lembre-se de se apresentar ao hospital hoje, já avisei a enfermeira-chefe."
Os passos se afastaram e a porta da entrada se fechou.
Giovana abriu os olhos e sentou-se na cama.
A mala estava no guarda-roupa, o acordo de divórcio na gaveta, a passagem de trem no celular.
Ela tirou tudo, uma a uma, e colocou sobre a cama.
Havia poucas coisas; tudo o que ela poderia levar desse lar após três anos, ela podia carregar com as duas mãos.
O acordo de divórcio ela já havia assinado na noite anterior.
Ela colocou a caneta sobre ele e, tirando a chave da casa do chaveiro, deixou-a ao lado.
Antes de sair, ela deu uma última volta pela sala.
O sofá, a mesa de centro, a cadeira onde ele costumava sentar; tudo estava limpo e organizado, como se ninguém ali tivesse vivido.
De repente, ela se lembrou da pergunta dele na noite anterior: "Então, o que você quer?".
Não era uma cobrança, nem uma súplica.
Ele estava dizendo sinceramente: "Eu não sei o que mais você deseja, já te dei todas as opções que consigo compreender".
Mudar de emprego ou ficar em casa — escolha uma.
Mas o que Giovana queria nunca esteve entre as opções dele.
Ela arrumou tudo, fechou a porta e deixou aquele chamado "lar" sem olhar para trás.
Antes de embarcar no trem, ela colocou o acordo de divórcio em um envelope, escreveu o endereço do hospital e o nome de Julian, e enviou.
Em seguida, ela encontrou o vagão 09 e sentou-se no lugar próximo à janela.
O celular brilhou; Julian enviou uma mensagem no WeChat: 【A que horas chega hoje? A enfermeira-chefe está esperando.】
Ela não respondeu.
Ele enviou uma segunda mensagem: 【Responda quando vir, vou para uma cirurgia.】
Giovana deletou a conversa e desligou o celular.
Pela janela, os trilhos se estendiam para longe; o céu estava muito azul, as nuvens, muito leves.
Nesses três anos, ela se transformou em uma variável nas opções de Julian.
Adaptável, substituível.
Nas opções que ele lhe dava, nunca existiu a alternativa "continuar sendo tanatóloga".
Mas hoje, ela mesma escolheu.
Não escolheu uma das opções dele, mas saiu de dentro delas.
……
Do outro lado, no hospital.
Quando Julian olhou para o celular pela terceira vez, a enfermeira-chefe entrou na sala.
"Dr. Julian, sua familiar ainda não chegou?"
Ele bloqueou a tela e discou o número de Giovana.
Desligado.
Ele fixou o olhar nas palavras "Giovana" na tela do celular, batendo os dedos na mesa inconscientemente.
Giovana nunca desligava o celular.
Durante três anos, seu aparelho esteve sempre ligado; ela atendia às chamadas sempre em menos de três toques.
Às vezes, quando ele ligava de madrugada após uma cirurgia, ela atendia sonolenta, com a voz suave, perguntando se ele ia chegar em casa para comer.
O que teria acontecido hoje?
Sabrina passava pela porta da sala e, ao ouvir a enfermeira-chefe, colocou metade do corpo para dentro.
"Colega, você não disse antes que faria a esposa vir trabalhar no hospital? Ela ainda não chegou?"
"Sim", Julian respondeu de forma breve.
Sabrina sorriu e insistiu: "Por que mudou para o seu departamento? Não tinha dito antes que ela viria para a vaga de enfermagem comigo?"
Julian virou o celular de cabeça para baixo na mesa, seu tom era muito seco.
"Por perto, fico mais tranquilo."
O sorriso de Sabrina vacilou por um instante, antes de voltar ao normal.
"É verdade, aquele trabalho da esposa realmente não deixa ninguém tranquilo."
Julian a observou com um olhar sombrio, seu tom era calmo, mas sem qualquer margem para negociação.
"Sabrina, daqui para frente, além de cirurgias e assuntos do departamento, manteremos distância."
"Quando Giovana vier trabalhar, não quero que ela ouça mais nenhuma fofoca."
Sabrina ficou estática por um momento, antes de forçar um sorriso.
"Tudo bem, entendi."
Ela virou-se e saiu, seus passos um pouco mais rápidos que o normal.
Nesse momento, a enfermeira-chefe bateu na porta, segurando um envelope pardo.
"Dr. Julian, acabou de chegar pelo correio, disseram ser um material enviado por sua familiar."
Julian pegou e viu o nome de Giovana no remetente.
Sabrina, que não estava longe, voltou para ver: "Será o material de admissão da esposa? É bem formal da parte dela enviar assim."
Algumas enfermeiras ao lado se aproximaram: "O Dr. Julian é bom demais com a esposa, arrumou tudo para ela ficar ao lado dele."
"Pois é, o Dr. Julian é tão sério, mas é muito atencioso com a esposa."
Julian ouviu, seus lábios finos levemente curvados.