《O Adeus Silencioso do Maquiador de Defuntos》Capítulo 2

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Julian sorriu: "Não foi nada, a chuva lá fora está muito forte, não seria seguro você andar sozinha."

Depois de dizer isso, ele desligou o telefone.

Giovana ficou parada onde estava, com o peito sentindo-se bloqueado, como se não conseguisse respirar.

Então, Julian também entende o quanto é perigoso andar sozinho em um dia de chuva e se preocupa com a segurança de outras pessoas.

Mas para sua esposa, que divide o mesmo leito há três anos, ele nunca demonstrou tal preocupação.

Julian só então notou as chamadas perdidas na tela do celular e olhou de relance para Giovana.

"Por que me ligou tantas vezes?"

Toda a mágoa e o ressentimento de Giovana perderam a força naquele momento.

Ela abaixou os olhos: "Nada, apertei sem querer."

O olhar de Julian pousou sobre ela, a testa ligeiramente franzida.

"Lave as mãos logo e vá trocar de roupa, para não pegar um resfriado."

Giovana ficou onde estava, pela primeira vez sem ir imediatamente ao banheiro para se desinfetar.

Em vez disso, ela caminhou diretamente para a sala com suas roupas molhadas.

A água da chuva pingava da bainha de suas calças, deixando uma longa marca no chão.

Três anos casada com Julian, mais de mil dias e noites, ela foi cautelosa, cedendo a cada passo, tratando os gostos dele como leis.

Ela pensava que, se se esforçasse o suficiente e persistisse o suficiente,

um dia, Julian a veria e responderia.

Mas hoje, pela primeira vez, Giovana se perguntou seriamente —

Depois de tantos anos, o que, afinal, ela estava buscando?

Capítulo 3

Após passar a noite pensando, Giovana não encontrou uma resposta.

Ao acordar no dia seguinte, Julian estava parado diante do guarda-roupa, trocando de camisa.

De costas para ela, ele disse: "O filho do chefe do departamento vai se casar hoje, você vai comigo."

Giovana ficou paralisada: "Você não costuma me levar a essas ocasiões, costuma?"

Julian, após abotoar o último botão, virou-se e deu uma olhada nela.

"Desta vez, o chefe pediu especificamente para levar os cônjuges. Arrume-se, sairemos às onze."

Ao ouvir aquilo, um sentimento estranho surgiu no peito de Giovana.

Em três anos de casamento, Julian nunca a levara às confraternizações dos colegas ou jantares do departamento; esta era a primeira vez.

E só porque um superior havia solicitado.

Julian a esperava na sala.

Ao vê-la sair, ele levantou os olhos e a observou, sem dizer nada.

Ao chegarem ao hotel, assim que Julian a acomodou na mesa, Sabrina se aproximou.

Ela vestia um vestido vermelho-vinho e, parada ao lado de Julian, parecia inexplicavelmente bem combinada com ele.

"A Dra. Sabrina está tão linda hoje! Esse vestido e a gravata do Dr. Julian são da mesma tonalidade, combinam demais!"

Alguns colegas ao lado riam e faziam piadas.

Sabrina sorriu, seu olhar passou despercebido por Giovana e ela falou suavemente.

"A esposa dele também está aqui hoje, parem de fazer essas piadas bobas."

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Todos se calaram e o ambiente ficou momentaneamente silencioso.

Sabrina sentou-se ao lado de Julian sorrindo, inclinou-se para cumprimentar Giovana e, logo depois, começou a falar com Julian sobre assuntos do departamento.

Eles conversaram sobre a cirurgia da semana passada e sobre a conferência acadêmica da próxima semana.

Julian respondia de forma natural e, ocasionalmente, até ria das coisas que ela dizia.

Esse riso, Giovana já havia visto nos corredores do hospital, mas nunca em casa.

A expressão que ele mais demonstrava para ela era a ausência de qualquer expressão.

Depois que os noivos passaram para o brinde e foram embora, um colega brincou com Julian.

"Nunca soubemos que o Dr. Julian já era casado, nem imaginávamos que escondia uma esposa tão bela em casa. Como vocês se conheceram?"

Julian, segurando sua taça, respondeu calmamente.

"Nos conhecemos em um encontro às cegas."

O colega perguntou em seguida: "E o que a esposa faz?"

Giovana estava prestes a falar, mas Julian lançou um olhar indiferente para ela: "Ela trabalha em outro hospital."

Uma explicação vaga e respeitável.

Giovana forçou um sorriso, disfarçando-se como a cúmplice perfeita de Julian —

Ajudando-o a esconder quem ela realmente era.

Após o fim do banquete, Giovana foi ao banheiro.

Ao retornar, antes mesmo de empurrar a porta, ouviu a voz de Sabrina lá dentro.

"Colega, a esposa não trabalha na funerária? Por que você disse que ela trabalha no hospital?"

A voz de Julian era desinteressada: "É um dia festivo, seria indelicado dizer a verdade, para evitar que fiquem apontando o dedo."

Sabrina insistiu: "Então por que você se casou com ela?"

Após um breve silêncio no recinto, veio a resposta displicente de Julian.

"Casei com ela porque ela é quieta, não incomoda."

"Entendo."

O tom de Sabrina parecia revelar um entendimento repentino, e ela completou com uma risada baixa.

"Eu pensei que você tivesse se casado porque realmente gostava dela."

Julian não respondeu.

Giovana ficou estática do lado de fora da porta, retirou os dedos da maçaneta e virou-se para entrar no banheiro novamente.

Ela abriu a torneira, encheu as mãos de água e esfregou o batom dos lábios.

Uma vez, duas vezes.

O vermelho se dissolveu na água, escorrendo pelos dedos como sangue diluído.

Após limpar tudo, ela encarou a pessoa de rosto pálido no espelho.

A pessoa refletida a olhava sem expressão.

Não era dor, não era ódio.

Era uma clareza serena demais.

Ela desviou o olhar e saiu do hotel.

Quando se preparava para chamar um táxi, uma notificação de Julian apareceu.

【Onde você está?】

Giovana ignorou a mensagem, sem responder.

Pela primeira vez em três anos, ela não deu satisfações de seu paradeiro a Julian.

Enquanto esperava o carro, ela se lembrou das palavras que Julian disse no encontro às cegas —

"Eu sou o guardião da vida, você é a condutora da morte."

Na época, ela achou que fossem as palavras mais românticas do mundo.

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Agora, ela finalmente entendeu: classes sociais iguais, condições compatíveis, apenas isso.

Ela levantou a mão para enxugar o canto dos olhos.

Esta peça solo que ela mesma encenou por três anos já tinha hora para terminar.

Capítulo 4

Ao chegar em casa após o casamento, Giovana ligou o computador para redigir o acordo de divórcio.

O cursor piscou na primeira linha do documento por dez minutos.

Ela digitou "Acordo de Divórcio", apagou, digitou novamente e apagou mais uma vez.

Não era arrependimento, era que ela não sabia o que escrever.

Eles não tinham filhos, não tinham bens em comum; a casa foi comprada por Julian antes do casamento e o carro estava em nome dele.

Após três anos de casados, tudo o que ela poderia levar desta casa caberia em duas malas.

O som da chave girando na porta surgiu e Giovana desligou o computador.

Julian trocou os sapatos e entrou na sala, lançando-lhe um olhar.

"Por que não avisou quando chegou?"

Giovana não respondeu, apenas o questionou:

"Hoje você disse que eu trabalho no hospital. Você também acha que meu trabalho na funerária é vergonhoso?"

Julian franziu a testa: "Não é vergonhoso, é desnecessário."

Giovana cerrou os dedos: "É desnecessário mencionar ou você tem medo de ser alvo de comentários?"

O tom de Julian tornou-se um pouco mais impaciente, suas sobrancelhas se contraíram ainda mais.

"Do que você está falando? Hoje era um dia festivo, você acha apropriado falar disso?"

Giovana não respondeu.

Percebendo talvez que seu tom fora rude, Julian hesitou por um momento e, ao falar novamente, sua voz estava um pouco mais baixa.

"Se você se sente desconfortável por estarmos escondendo a verdade, o departamento de Sabrina está precisando de enfermeiros. Você estudou enfermagem na faculdade, seria uma boa oportunidade tentar."

Julian falava com seriedade, como se discutisse um procedimento cirúrgico que ele havia planejado minuciosamente.

"Cargo de enfermagem." Giovana repetiu as palavras, com a voz muito baixa.

Julian assentiu: "Sabrina perguntou se eu conhecia alguém adequado, e a primeira pessoa em que pensei foi você."

Ouvindo suas palavras, Giovana, de repente, não sabia se ele realmente achava que ela era adequada para aquele trabalho ou se era apenas porque sua profissão atual o deixava envergonhado.

E havia surgido, justamente, uma oportunidade de "transformá-la" na pessoa "respeitável" que ele queria.

Julian a olhou: "Todo esse sofrimento que você passa na funerária, se mudar de emprego, não precisará mais suportar nada disso."

Giovana respirou fundo, tentando conter a amargura e a raiva em seu peito.

"Julian, todos os dias eu dou banho, arrumo e maquio os falecidos, ajudando-os a completar sua última jornada com dignidade."

"Eu me sustento com o meu próprio trabalho, de forma honesta e sem peso na consciência. Nunca me senti inferior a ninguém e, muito menos, ofendida."

"Eu não vou mudar de emprego."

Dito isso, ela pegou o notebook e caminhou em direção ao quarto.

Julian não entrou no cômodo.

Giovana deitou-se na cama, de costas para o lado vazio da cama de casal, e demorou muito para adormecer.

Às duas da manhã, o celular vibrou.

Ela atendeu o telefonema sonolenta, ouvindo a voz urgente do diretor.

"Giovana, houve um engavetamento na via expressa, o número de vítimas é alto e precisamos enviar pessoas para ajudar com o recolhimento. Você pode vir?"

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