《O Milagre Que Aconteceu Depois da Última Oração》Parte 3

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Na manhã seguinte, o nome de Gabriel Henrique Vasconcelos estava em todos os lugares.

As principais páginas de notícias de São Paulo estampavam a mesma manchete.

O herdeiro da Grupo Vasconcelos Capital, um dos homens mais ricos do Brasil, havia feito um pagamento milionário para salvar uma menina de uma comunidade de Paraisópolis.

Ninguém entendia.

Ninguém conseguia explicar.

Um homem que aparecia constantemente nas revistas de negócios, sempre cercado por empresários e políticos, tinha escolhido ajudar uma mãe desconhecida que vivia em uma casa simples.

Os jornalistas queriam respostas.

As redes sociais estavam cheias de perguntas.

"Por que Gabriel Vasconcelos pagou o tratamento de uma criança desconhecida?"

"Qual é a ligação entre o bilionário e a mãe de Paraisópolis?"

"Existe um segredo escondido nessa história?"

Mas Gabriel não respondeu nenhuma pergunta.

Na sede da Vasconcelos Capital, localizada na Avenida Faria Lima, dezenas de jornalistas aguardavam na entrada do prédio.

Câmeras estavam apontadas para a porta principal.

Microfones disputavam espaço.

Quando Gabriel saiu do elevador, acompanhado de seus seguranças, todos avançaram.

"Senhor Gabriel, o senhor pode explicar por que pagou o tratamento da filha de Ana Beatriz da Silva?"

"Existe algum relacionamento entre vocês?"

"Essa mulher fazia parte do seu passado?"

Gabriel continuou andando.

Seu rosto permanecia sério.

Ele estava acostumado com perguntas difíceis.

Mas aquela história era diferente.

Porque pela primeira vez em muitos anos, o passado que ele tentou esconder estava voltando.

Um jornalista conseguiu se aproximar.

"Senhor Gabriel, o senhor gastou milhões para salvar uma criança. As pessoas querem saber o motivo."

Gabriel parou por alguns segundos.

Todos ficaram em silêncio esperando uma resposta.

Ele olhou para as câmeras.

Mas em vez de explicar, apenas disse:

"Algumas pessoas fazem coisas boas sem esperar nada em troca."

Os jornalistas ficaram ainda mais curiosos.

"Mas quem é Ana Beatriz da Silva para o senhor?"

Gabriel respirou fundo.

Seus olhos mostraram uma emoção que ele tentou esconder.

"Ela é uma pessoa que merece ser respeitada."

E então entrou no carro.

Sem explicar mais nada.

Dentro do veículo, Gabriel ficou olhando pela janela enquanto São Paulo passava rapidamente.

Seu motorista percebeu o silêncio.

"Senhor Gabriel, o senhor está bem?"

Ele demorou alguns segundos para responder.

"Eu passei vinte anos tentando esquecer aquela época."

O motorista olhou pelo retrovisor.

"E agora?"

Gabriel segurou a antiga fotografia que sempre carregava na carteira.

"Agora eu percebi que algumas dívidas nunca desaparecem."

Enquanto isso, em Paraisópolis, Ana assistia às notícias pela televisão da vizinha.

Ela ficou completamente surpresa ao ver o rosto de Gabriel.

O mesmo menino da fotografia.

Mas agora usando terno.

Entrando em carros de luxo.

Sendo chamado de um dos homens mais ricos do Brasil.

Ela levou a mão à boca.

"Meu Deus..."

A vizinha, Dona Célia, olhou para ela.

"Você conhece esse homem?"

Ana ficou em silêncio.

Ela não sabia explicar.

Como poderia contar que, muitos anos atrás, aquele bilionário dormiu no chão da sua casa?

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Que um dia ela dividiu seu próprio prato de comida com ele?

Que ninguém acreditava naquele garoto?

"Eu conheci alguém parecido com ele há muito tempo."

Dona Célia olhou a televisão novamente.

"Parecido?"

Ana apertou a fotografia em sua mão.

"Eu acho que é ele."

Naquele momento, ela sentiu uma mistura de emoções.

Alegria.

Surpresa.

Medo.

Porque ela percebeu que a vida daquele menino tinha mudado completamente.

Mas ainda não entendia por que ele tinha esperado vinte anos para aparecer.

Naquela tarde, Ana recebeu uma ligação inesperada.

Era do Hospital Infantil Santa Clara.

Ela atendeu imediatamente.

"Alô?"

A voz do outro lado era preocupada.

"Ana, precisamos conversar sobre a Sofia."

O coração dela acelerou.

"O que aconteceu?"

A médica pediu que ela fosse até o hospital.

Ana desligou e correu para o quarto da filha.

Sofia estava desenhando.

Quando viu a mãe preocupada, parou.

"Mãe, aconteceu alguma coisa?"

Ana tentou sorrir.

"Não, meu amor. Eu só preciso resolver uma coisa no hospital."

Sofia segurou a mão dela.

"Você vai voltar?"

Ana sentiu o coração apertar.

"Eu sempre volto para você."

Ela beijou a testa da filha.

Mas enquanto saía, uma sensação ruim começou a crescer dentro dela.

No hospital, Ana encontrou a médica responsável pelo tratamento.

O rosto da profissional estava sério.

"Ana, precisamos falar sobre os últimos exames."

Ana sentou devagar.

"O tratamento não está funcionando?"

A médica respirou fundo.

"Não é isso."

"Então o que aconteceu?"

A médica abriu alguns documentos.

"Encontramos uma alteração nos registros."

Ana franziu a testa.

"Que alteração?"

"Algumas informações do processo de autorização do tratamento foram modificadas."

Ana ficou confusa.

"Mas quem faria isso?"

A médica olhou para ela.

"É exatamente isso que estamos tentando descobrir."

Ana sentiu um arrepio.

Depois de tudo que aconteceu, alguém estava tentando mexer no tratamento da filha.

"Minha filha corre perigo?"

A médica tentou tranquilizá-la.

"Neste momento, ela está segura. Mas precisamos investigar."

Ana levantou.

"Eu não posso perder minha filha."

A médica segurou a mão dela.

"Ana, nós vamos fazer tudo para proteger a Sofia."

Mas aquela frase não trouxe paz.

Porque Ana conhecia a vida.

Ela sabia que pessoas poderosas podiam destruir sonhos de pessoas simples.

E agora ela tinha uma pergunta na cabeça.

Quem queria impedir que sua filha fosse salva?

Enquanto Ana tentava descobrir a resposta, em uma sala luxuosa da Vasconcelos Capital, Ricardo Almeida Montenegro assistia às notícias.

Ele observava a imagem de Gabriel sorrindo ao lado da imprensa.

Mas não parecia feliz.

Parecia irritado.

"Ele finalmente revelou uma parte do passado."

O assistente ficou parado.

"Senhor Ricardo, o senhor acha que isso pode prejudicar a empresa?"

Ricardo pegou uma taça de água.

"Não."

Ele olhou para a tela.

"Mas pode destruir tudo que eu construí."

O assistente ficou surpreso.

"O que essa mulher tem de tão importante?"

Ricardo respondeu:

"Essa mulher é a prova de que Gabriel nunca esqueceu quem ele era."

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Ele abriu uma pasta com informações sobre Ana.

Fotos.

Endereço.

Histórico.

Tudo.

"Uma mulher da comunidade conseguiu tocar o coração do homem mais poderoso dessa cidade."

Ricardo sorriu de forma fria.

"Isso significa que existe algo nela que ninguém sabe."

Enquanto Ricardo investigava Ana, Gabriel fazia uma escolha que mudaria tudo.

Ele cancelou reuniões.

Ignorou compromissos.

E foi até o Hospital Infantil Santa Clara.

Não queria aparecer para a imprensa.

Não queria reconhecimento.

Queria apenas ver Sofia.

Mas antes de entrar no hospital, ele recebeu uma ligação.

Era seu segurança.

"Senhor Gabriel, temos um problema."

Gabriel ficou sério.

"O que aconteceu?"

"Descobrimos movimentações estranhas relacionadas ao tratamento da menina."

O rosto de Gabriel mudou.

"Que tipo de movimentação?"

"Alguém tentou acessar informações confidenciais da paciente."

Gabriel olhou para o hospital à sua frente.

Durante vinte anos, ele tinha construído um império.

Aprendeu a lidar com inimigos.

Mas agora o perigo estava perto da única pessoa que importava para Ana.

E ele não permitiria que a história se repetisse.

"Descubra quem fez isso."

"Sim, senhor."

Gabriel entrou no hospital.

Mas não percebeu que alguém observava seus passos de longe.

Naquela noite, Ana voltou para o quarto de Sofia.

A menina dormia tranquila.

Ela segurou a mão da filha.

Tentando acreditar que tudo ficaria bem.

Mas uma dúvida permanecia.

Quem estava tentando destruir o milagre que acabara de acontecer?

Horas depois, a equipe de segurança do hospital revisava as imagens das câmeras.

Mariana estava junto com Ana e Gabriel em frente ao monitor.

Todos estavam em silêncio.

Até que uma imagem apareceu.

O corredor do quarto de Sofia.

Uma pessoa caminhava lentamente durante a madrugada.

Com o rosto parcialmente escondido.

Entrava no quarto da menina.

E permanecia lá por vários minutos.

Ana ficou sem respirar.

Gabriel se aproximou da tela.

Porque naquele instante todos perceberam uma coisa.

Alguém tinha entrado no quarto de Sofia.

E essa pessoa não estava ali para ajudar.

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