"O resultado saiu?", perguntei, com a voz como se tivesse sido lixada.
Ele me entregou o papel.
Estava escrito: lesão ulcerativa no antro gástrico, recomenda-se biópsia patológica.
"A biópsia leva três dias", disse ele com uma voz firme, firme até demais. "Não se preocupe."
Fiquei encarando aquela linha, e meu estômago começou a doer de novo.
Aquela dor surda se espalhou do abdômen até as costas, como se houvesse uma mão torcendo algo lá dentro.
Fechei os olhos, esperando a dor passar.
"Caio, você já desconfiava de algo há muito tempo?"
Ele silenciou por alguns segundos.
Pensei que ele não responderia, então ele abriu a boca: "Eu só não queria que nada acontecesse com você."
Soltei uma risada debochada.
Três anos sem contato, e a primeira coisa que ele diz ao aparecer é que "não queria que algo acontecesse".
Quem ele pensa que é? Ele acha que isso vai me emocionar?
Não respondi, e ele também não.
A sala de recuperação estava silenciosa, apenas com o som dos bipes dos aparelhos na cama ao lado.
Três dias depois, ele apareceu com o relatório patológico.
Seus dedos apertavam a borda da pasta, com as articulações esbranquiçadas, como se tivesse segurado o papel com força durante todo o caminho.
Abri o envelope; o som do papel roçando era extremamente alto no quarto silencioso.
Diagnóstico patológico: adenocarcinoma gástrico diferenciado no antro, estágio inicial.
Câncer gástrico em estágio inicial.
Fiquei encarando aquelas palavras por um longo tempo, até minha visão ficar turva.
Vinte e seis anos, câncer de estômago.
Não sabia se deveria ficar aliviada por ter descoberto não muito tarde e ainda ter chance de cirurgia.
Ou se deveria ficar angustiada, tendo ainda duas dívidas para quitar, enquanto cheguei a esse ponto.
"Não chore", disse ele. "Amanhã eu te acompanharei na consulta com o médico."
Só então percebi que estava chorando.
As lágrimas caíram sem que eu percebesse sobre o relatório, molhando um pequeno pedaço sobre as palavras "adenocarcinoma".
Limpei com as costas da mão, mas não limpei direito.
"Não precisa. Você já ajudou muito, o resto eu mesma dou conta."
Sua expressão congelou.
Como se tivesse levado um soco, mas sem se esquivar.
"Nós já terminamos. Você veio da cidade natal até Xangai para me forçar a fazer exames, eu te agradeço. Mas o que vem a seguir não diz mais respeito a você."
O ar de repente ficou silencioso.
Caio estava parado na porta, contra a luz; não conseguia ver sua expressão, apenas suas mãos pendidas ao lado do corpo, fechando-se lentamente em punhos, abrindo-se e fechando-se de novo.
Aquele cordão vermelho desbotado balançou em seu pulso.
"Você não decide isso sozinha."
Ele ainda queria dizer algo, mas eu já tinha me virado para entrar no quarto e fechar a porta.
Lá fora, ficou tudo silencioso por muito tempo, e então ouvi seus passos indo embora.
Eram passos lentos, um passo por vez, como se ele hesitasse a cada movimento.
Fiquei encostada na porta e me agachei lentamente.
Meus dedos pressionavam a palma da mão, deixando marcas profundas.
Por que ele não entende?
Eu não preciso mais dele.
Eu decidi há muito tempo que não precisava mais dele.
Capítulo 16
Às sete da manhã seguinte, a campainha tocou novamente.
Eu sabia quem era. Além de Caio, ninguém mais viria a essa hora.
Caio estava lá fora, segurando o café da manhã,
xiaolongbao
e leite de soja, ainda quentes.
Ele tirou um papel do bolso e o desdobrou.
A guia de consulta do hospital, ambulatório de especialistas em digestologia, nove e meia da manhã.
"Eu disse que não precisava que você me acompanhasse."
Ele enfiou a guia na minha mão: "Você não precisa que eu acompanhe, mas não pode deixar de ir ao médico."
Olhei para o seu rosto.
As olheiras estavam ainda mais profundas do que nos dias anteriores, e seus lábios estavam um pouco rachados.
Sua jaqueta ainda era a mesma azul-marinho, com a gola um pouco gasta e esbranquiçada.
Será que esse homem não dorme direito? Onde ele está morando? O que ele come?
Percebi que não sabia nada, assim como ele também não sabia nada.
Não disse mais nada; depois de mandá-lo embora, fui ao hospital sozinha.
O especialista analisou o relatório patológico e foi direto.
"Câncer gástrico em estágio inicial, sugiro cirurgia o quanto antes. Gastrectomia parcial laparoscópica, trauma mínimo, recuperação rápida. Não precisará de quimioterapia após a cirurgia, apenas check-ups regulares."
Não precisará de quimioterapia.
Essas cinco palavras foram como um sedativo, fazendo o peso que eu carregava há dias voltar para o lugar.
Soltei um suspiro longo, sentindo o peso nos ombros diminuir pela metade.
Não precisar de quimioterapia significa que não perderei cabelo, não terei náuseas nem vômitos, não serei torturada como uma verdadeira paciente de câncer.
"A cirurgia está marcada para a próxima quarta-feira", disse o especialista, folheando o calendário. "Você ficará internada estes dias para exames pré-operatórios."
Ao sair do consultório, sentei-me no corredor e peguei o celular.
Instintivamente, cliquei na janela de conversa de Caio e digitei uma linha: Estágio inicial, não é nada grave, não preciso de quimioterapia.
Hesitei antes de enviar.
Por que eu contaria a ele? É a minha doença, a minha cirurgia, que relação isso tem com ele?
Mas meus dedos foram mais rápidos que o cérebro; quando percebi, a mensagem já aparecia como "lida".
Ele respondeu quase instantaneamente: Eu sei.
Eu: A cirurgia é quarta-feira que vem.
Ele: Eu te acompanho.
Queria dizer que não precisava, queria dizer que já tínhamos terminado.
Mas meus dedos ficaram parados na tela por muito tempo e, no final, digitei duas palavras: Tanto faz.
Tanto faz se ele vier ou não, tanto faz se ele me acompanhar ou não.
De qualquer forma, para mim não importa.
Um dia antes da cirurgia, ele apareceu.
Disse que queria fazer uma comida boa para eu me fortalecer, já que teria que ficar em jejum por muito tempo após a operação.
Ele ficou quase duas horas na cozinha; o som das espátulas na panela, o chiado do óleo e o barulho da água encheram o apartamento alugado silencioso.
Sentei-me à mesa e olhei para a mesa cheia de comida; comemos frente a frente, sem ninguém dizer uma palavra.
O céu lá fora já estava escuro, e a luz do poste entrava pela fresta da cortina, caindo sobre as costas de suas mãos na mesa.
Aquele cordão vermelho estava desbotado para um tom de ferrugem escuro, com as bordas gastas.
Depois de jantar, ele foi lavar a louça; fiquei encostada na entrada da cozinha observando suas costas.
Seus ombros pareciam mais estreitos do que três anos atrás; não sei se ele emagreceu ou se minha memória falhou.
A torneira corria, suas mãos mergulhadas na espuma do detergente, seus movimentos lentos.
Queria dizer alguma coisa.
Obrigada, ou desculpe, ou vá embora. Mas, no fim, não disse nada.
Ele lavou a louça, secou as mãos e foi até a porta calçar os sapatos.
"Vou embora, durma cedo. Amanhã de manhã venho te buscar."
Balancei a cabeça.
Ele abriu a porta e parou um instante, sem olhar para trás: "Não tenha medo, eu estou aqui."
A porta se fechou.
Fiquei encostada na parede e me agachei lentamente. A cozinha ainda mantinha o cheiro do caldo de costela; a torneira não estava bem fechada e pingava ritmadamente.
Eu não tenho medo da cirurgia.
O que me dá medo é o porquê de ele ser tão bom comigo.
Eu já não tenho mais esse direito.
Capítulo 17
No dia da cirurgia, ele não disse uma palavra durante todo o caminho para o hospital.
O táxi estava silencioso, com o rádio ligado na previsão do tempo, que anunciava chuva para aquele dia.
Virei o rosto para observá-lo; ele olhava para fora da janela, com os lábios comprimidos em uma linha e a mandíbula tensa.
Ao chegar ao hospital, cuidou da internação, assinou o termo de consentimento e trocou a roupa pelo avental hospitalar.
O avental era grande demais, as mangas ficavam compridas, então precisei dobrar os punhos duas vezes.
Quando a enfermeira veio colocar o cateter, ele ficou ali ao lado, com as mãos nos bolsos e as articulações dos dedos esbranquiçadas de tanto apertar.
"Vá esperar lá fora", eu disse.
Ele balançou a cabeça.
Não saiu. Ficou na cabeceira da cama, com o olhar fixo em meu rosto, sem desviar um segundo sequer.
Deitada na cama do hospital, senti-me desconfortável por estar sob o peso daquele olhar.
Quando fui levada para a sala de cirurgia, ele segurou minha mão por um instante.
Sua palma era seca e quente, com calos finos nas pontas dos dedos, que eu não sabia de onde tinham vindo.
"Estarei aqui quando você sair."
Eu disse: "Não faça parecer uma despedida final."
Ele deu um sorriso leve, mas vi seus dedos tremendo.
Aquele tremor sutil e incontrolável passou das pontas dos dedos para o meu dorso da mão.
A máscara de anestesia foi colocada, e seu rosto começou a ficar cada vez mais borrado.