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《O Amor que Nunca Existiu》Capítulo 9

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Nos dias seguintes, desmarquei todos os compromissos para cuidar dela. Com a amnésia, ela ficou infantil, carente e manhosa. Queria que eu a alimentasse, que eu a ninasse, e a primeira pessoa que precisava ver ao acordar era sempre eu. Quando os pais a visitavam, ela se escondia atrás de mim, como um gatinho protegendo a comida. “Dante, por que eles vêm me ver sempre?” “Eles são seus pais, as pessoas que mais te amam neste mundo.” “Não é verdade.” ela sussurrou. “Você é quem mais me ama.”

Para agradá-la, pedi a Su Qing que trouxesse toda a cozinha da minha casa para a suíte VIP do hospital. Fazendo pratos variados todos os dias: Buda pula o muro, bife Wellington, culinária molecular. Qin Yue ficou mimada, e também visivelmente mais gordinha. “Dante, a sua comida é deliciosa.” ela estreitou os olhos de satisfação. “É melhor que qualquer restaurante.” “Claro.” toquei seu nariz. “Minha cozinha é aberta apenas para você.” “Então, tem que cozinhar para mim todos os dias.” “Certo, todos os dias.” “Não pode cozinhar para outras garotas.” “Certo, apenas para você.” “Dedinho.” “Certo, dedinho.” Diálogos infantis como este ocorriam diariamente.

No dia do julgamento, acompanhei-a à primeira fila. Quando Vanessa apareceu como ré, parecia um trapo; nada restava da antiga estrela. Ela me viu, e viu Qin Yue ao meu lado. O julgamento foi rápido. Ao ser condenada a quinze anos de prisão por lesão corporal e outros crimes, Qin Yue apertou minha mão com força. “Que bom! Ela mereceu!” Eu apenas observei a figura desmoronada no banco dos réus sem sentir nada. Tudo havia acabado.

Ao sair do tribunal, encontramos a mãe de Vanessa. Ela implorou pelo perdão da filha, mostrando um álbum de fotos da infância de Vanessa. Eu olhei para aquelas fotos de uma garota inocente que se transformou naquela mulher irreconhecível. Não houve qualquer comoção. “O caminho foi escolha dela,” respondi calmamente. “O resultado de hoje foi o que ela buscou.” Deixei-a para trás com seus gritos.

De volta ao hospital, entrei no quarto e percebi um silêncio estranho. A cama estava vazia. Sobre o criado-mudo, havia um bilhete. Com mãos trêmulas, li a caligrafia familiar de Qin Yue. Dizia apenas uma frase: “Dante, me desculpe, eu menti para você. Minha amnésia era encenada.”

Capítulo 9

Aquele bilhete foi como um balde de água gelada, da cabeça aos pés, deixando-me completamente entorpecido.

A amnésia era fingida?

Senti um zumbido na cabeça e um vazio absoluto.

Os últimos dois meses passaram diante dos meus olhos como um filme em alta velocidade.

Seu olhar dependente, suas carícias manhosas, sua possessividade dominadora, cada frase que ela dizia: "Eu só me lembro de você"...

Era tudo encenação?

Por quê?

Uma mistura indescritível de raiva e decepção varreu meu coração instantaneamente.

Eu fui enganado por ela.

Mais uma vez.

Eu achava que finalmente tinha encontrado alguém em quem podia confiar plenamente, mas, no fim, era apenas mais uma farsa cuidadosamente planejada.

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Apertei o bilhete com força, minhas juntas ficando brancas pelo esforço.

— Dante? O que aconteceu? — A voz da minha irmã veio da porta.

Ao ver meu rosto pálido e a cama vazia, ela também percebeu que algo estava errado.

— Onde está a Qin Yue? Onde ela foi?

Não respondi, apenas entreguei o bilhete a ela.

Após ler, ela também ficou estupefata, com uma expressão de total descrença.

— Essa garota... ela enlouqueceu? Por que ela faria isso?

Sim, por quê?

Fechei os olhos e respirei fundo, tentando conter a tempestade dentro de mim.

Não, eu não podia ser dominado pelas emoções.

Eu precisava encontrá-la e esclarecer tudo.

Peguei meu celular e liguei para Qin Yue.

Fora de área.

Liguei para os pais dela. Eles também não sabiam onde ela estava, e suas vozes estavam carregadas de ansiedade e preocupação.

Desliguei, sentindo uma enorme impotência.

O que essa "pequena bruxa" estava tentando fazer?

— Dante, não se precipite. — Minha irmã bateu nas minhas costas, consolando-me. — Vou enviar pessoas para procurar agora mesmo. A capital é grande, mas ela não pode ter ido longe.

— Certo.

As vinte e quatro horas seguintes foram um verdadeiro purgatório.

Minha irmã mobilizou todos os contatos e conexões que tínhamos, virando a capital de cabeça para baixo.

Mas Qin Yue parecia ter evaporado da face da Terra; não havia notícias.

Ela não foi para casa, não procurou nenhum amigo, e não houve qualquer registro de uso de seu cartão de crédito ou celular.

Ela partiu de forma limpa, sem deixar um único rastro.

Sentei-me no quarto de hospital vazio e não dormi a noite toda.

Relembrei cada detalhe dos nossos dias juntos, tentando encontrar algum indício.

Por que ela fingiu amnésia?

Para se vingar da negligência que sofreu no passado? Ou apenas... por diversão?

Não, nada disso fazia sentido.

Embora Qin Yue fosse mimada e voluntariosa, ela não era alguém sem bom senso.

Ela devia ter seus motivos. Mas quais seriam?

Na tarde do dia seguinte, quando eu estava prestes a perder as esperanças, recebi a ligação da minha irmã.

— Encontrei! — Sua voz soava exausta e confusa. — Ela está em... um lugar que você nunca imaginaria.

— Onde?

— Na clínica de repouso "Qingning", nos arredores da cidade.

Clínica de repouso Qingning?

Era um centro privado especializado em doenças psiquiátricas.

Por que ela iria lá?

Um pressentimento sinistro surgiu, e dirigi imediatamente para lá.

No escritório da diretoria, encontrei o médico responsável por ela.

— Sr. Dante, olá. — O médico era uma mulher de meia-idade que parecia muito gentil.

— Doutora, Qin Yue... o que houve com ela? — perguntei ansioso.

A médica suspirou, tirou um prontuário da gaveta e me entregou.

— A Srta. Qin sofre de um grave transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

— TEPT? — Fiquei paralisado.

— Sim. — A médica assentiu com gravidade. — No dia em que ela foi empurrada da escada, embora os ferimentos físicos não fossem fatais, seu estado mental sofreu um choque e um trauma imensos. Ela tem pesadelos recorrentes sobre cair de lugares altos ou ser perseguida. Seu estado emocional é instável, com forte propensão a comportamentos agressivos e autolesivos.

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Meu coração doeu como se estivesse sendo perfurado por agulhas.

— Então... aquela amnésia fingida...

— Não era fingimento. — A médica balançou a cabeça. — Foi um mecanismo de defesa pessoal. Sob medo e pressão extremos, o subconsciente dela a transformou em uma "criança" despreocupada que dependia apenas de você. Porque, na mente dela, ela só estava segura ao seu lado.

— Contudo, quando ela viu o veredito contra a agressora, quando sentiu que a justiça foi feita e a crise passou, sua personalidade original começou a despertar.

— Ela recuperou todas as memórias e relembrou seus comportamentos "infantis" e "carentes" durante esse período. Ela sentiu que não podia enfrentar você, nem enfrentar a si mesma em sua vulnerabilidade. Por isso, ela escolheu fugir.

As palavras da médica foram como um martelo golpeando meu coração.

Eu fui o tolo. Eu achava que ela estava encenando, achava que ela estava me enganando.

Mas não sabia que, por trás daquela aparência destemida, escondiam-se feridas e medos tão profundos.

Ela não estava me enganando.

Ela estava... doente.

E eu, que dizia querer protegê-la, não sabia de nada. Pior, suspeitei dela e a julguei justamente quando ela mais precisava de mim.

Uma onda avassaladora de culpa e tristeza me inundou.

— Posso... vê-la? — minha voz estava rouca.

— Pode. — A médica assentiu. — Mas ela ainda não está emocionalmente estável, é melhor estar preparado.

No jardim dos fundos da clínica, encontrei Qin Yue.

Ela usava um pijama largo e estava sentada sozinha em um banco, abraçando uma almofada, olhando para o vazio.

Ela estava muito mais magra, seu queixo estava fino, e ela parecia frágil como uma porcelana prestes a quebrar. Não havia mais a vivacidade e a audácia de sempre.

Caminhei passo a passo em sua direção.

Meus passos foram leves, mas ainda assim a alertei.

Ela virou o rosto e, ao me ver, houve um lampejo de pânico em seus olhos, que logo se transformou em uma indiferença gélida e distante.

Ela levantou-se e deu as costas para sair.

— Qin Yue!

Corri e a envolvi em um abraço pelas costas.

Seu corpo estava rígido.

— Solte-me. — Sua voz era fria, plana, sem emoção.

— Não vou soltar. — Apertei meu abraço, mantendo-a presa junto a mim, apoiando o queixo em seu topo da cabeça. Minha voz estava cheia de dor e arrependimento contidos.

— Desculpe... desculpe... eu não sabia... eu não sabia de nada...

Pedi desculpas de forma incoerente, sentindo-me um idiota.

Ela não lutou, nem reagiu; apenas ficou ali, parada, como uma boneca sem alma.

— Qin Yue, olhe para mim. — Virei seu corpo, forçando-a a me encarar.

Ao ver seus olhos vazios, senti um aperto no peito que quase me sufocou.

— Eu sei que você não estava me enganando. Sei que está doente, sei que está sofrendo.

— Não tenha medo, estarei com você. Não importa o que aconteça, estarei aqui.

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