Ela apenas escondeu todo o sofrimento e a resignação sob aquela aparência de teimosia.
“Desculpe.” Olhei nos olhos dela e disse solenemente.
“Por que pedir desculpas de novo?” Qin Yue franziu o nariz. “Não seja tão sério. Tudo já passou, e além disso, não sofri em vão.”
Ela piscou para mim. “Agora eu tenho um favor enorme seu nas mãos; posso te mandar fazer o que quiser, só de pensar já fico feliz.”
Olhando para o seu fingimento de despreocupação, senti um aperto ainda maior no peito.
“Qin Yue.”
“Sim?”
“De agora em diante, não me chame mais de jovem mestre.”
“Então chamo de quê?”
“Chame pelo meu nome.” Olhei para ela e disse pausadamente: “Ou qualquer outra coisa que você quiser.”
Qin Yue parou.
Ela me olhou, e em seu olhar brilhou uma emoção complexa.
Havia surpresa, curiosidade e um toque de alegria... que nem ela mesma percebia.
O clima na sala mudou. Nesse instante, meu celular tocou. Era o outro ator.
Franzi a testa e atendi.
“Jovem mestre!” A voz dele transbordava um servilismo empolgado. “Viu só? Ela acabou! Está totalmente acabada!”
“Sim.”
“Você é um gênio! Conforme suas ordens, antes da coletiva, vendi anonimamente todas as provas que tinha para as maiores páginas de fofoca. Agora, nem que ela tivesse oito bocas conseguiria se explicar!”
“Bom trabalho,” respondi friamente.
“E... sobre as ações e o filme que você prometeu...” ele perguntou cautelosamente.
“Amanhã, meu advogado entrará em contato.”
“Obrigado! Você é como um irmão para mim! O que precisar, é só pedir!”
Não dei atenção aos elogios e desliguei.
“Ele?” perguntou Qin Yue.
“Sim.”
“Aquele garoto até que ajudou. Você realmente vai dar as ações para ele?” Qin Yue fez um bico de insatisfação. “É bom demais para ele.”
“Ele não me ajudou, ele ajudou a si mesmo.” Balancei a cabeça. “Eu apenas dei a ele a chance de escolher. Ele próprio escolheu a traição.”
“Verdade.” Qin Yue assentiu. “O que aconteceu com ela hoje foi metade por sua causa, e a outra metade foi mérito desses ‘amigos’ que a levaram à ruína.”
“Ela não merece pena.”
“Eu sei que ela não merece!” Qin Yue revirou os olhos. “Estou apenas pensando: você a destruiu tão bem, será que ela não vai tentar algo desesperado contra você?”
“Ela não terá essa chance.”
Assim que terminei, o celular tocou novamente. Um número local estranho.
Atendi. Uma voz masculina urgente e confusa surgiu:
“É o senhor Dante?”
“Sou eu. Quem fala?”
“Polícia. Recebemos uma denúncia. Uma mulher tentou destruir seu veículo no estacionamento subterrâneo. Nós a detivemos. Poderia vir aqui registrar um boletim?”
Fiquei atônito. Vanessa? Destruir meu carro? Ela realmente perdeu o juízo.
“Entendido, estou indo agora.”
Ao desligar, Qin Yue me olhou com uma cara de “eu não disse?”.
“E então? Vai lá salvá-la, ó bondoso Dante?” ela provocou.
“Vou lá para dar o golpe final.”
Levantei-me e peguei meu casaco.
“Vou com você!” Qin Yue se levantou, animada.
Olhei para ela e sorri, impotente.
“Vamos, pequena bruxa.”
“Assim está melhor.”
Na delegacia, vi Vanessa no canto. Desgrenhada, maquiagem borrada, marcas no rosto; ela parecia um trapo.
Ao me ver, ela avançou feito uma louca, sendo contida pelos policiais.
“Dante! Seu demônio! Você não vai acabar bem!” ela rugiu desesperada. “Nem como um fantasma vou te perdoar!”
Olhei para ela calmamente, sem nenhuma emoção.
“Vanessa, depois de tudo, você ainda não acha que errou?”
“Errei? O que eu errei?” Ela riu, com lágrimas nos olhos. “Meu maior erro foi ter te conhecido! Sacrifiquei minha juventude e sentimentos por você, mas e você? O que eu sou para você? Uma piada?”
“Até agora você continua atuando.” Balancei a cabeça, sentindo pena e desprezo.
“Atuando?” Ela me encarou, e depois olhou para Qin Yue ao meu lado; o veneno em seus olhos quase transbordou.
“Dante, você acha mesmo que ganhou? Acha que ficar com essa mulher terá um final feliz? Eu te digo: você nunca terá amor verdadeiro! Porque você não sabe o que é amar! Você só ama a si mesmo!”
“Você está errada.”
Uma voz fria veio de trás de mim.
Qin Yue aproximou-se, segurou meu braço e encarou Vanessa, dizendo pausadamente:
“Ele não é incapaz de amar, ele apenas deu todo o seu amor para a pessoa errada.”
Ela fez uma pausa e esboçou um sorriso provocativo.
“Mas não importa. De agora em diante, serei eu quem vai ensiná-lo.”
Vanessa olhou para nossa postura unida e para o sorriso vitorioso no rosto de Qin Yue; a última centelha de sua sanidade se rompeu. Seus olhos reviraram e ela desmaiou no chão.
Os policiais correram para tentar reanimá-la. Observei a cena absurda e virei o rosto para Qin Yue. Ela também me olhava, com luzes faiscantes nos olhos.
“Por que está me olhando assim? Ficou impressionado com meu charme?” ela arqueou as sobrancelhas.
Não respondi; apenas estendi o braço e a puxei para um abraço.
O corpo dela ficou rígido por um momento e, então, relaxou lentamente, retribuindo o gesto.
“Qin Yue,” sussurrei em seu ouvido.
“Sim?”
“Obrigado.”
Obrigado por não desistir de mim no meu momento mais sombrio.
Obrigado por me mostrar o que é o verdadeiro amor.
Em meus braços, ela deu um riso suave.
“Só ‘obrigado’ não é suficiente.”
Capítulo 7
Ao sair da delegacia, a noite já estava avançada.
O vento frio da noite, ao tocar meu rosto, trazia uma sensação de clareza absoluta.
Qin Yue caminhava ao meu lado, com as mãos nos bolsos do vestido, chutando pedrinhas pelo caminho, em silêncio.
A postura altiva e arrogante de momentos atrás na delegacia havia desaparecido, dando lugar a algo um tanto quanto... meigo?
— Obrigado pelo que fez agora pouco. — Fui o primeiro a quebrar o silêncio.
— De novo com o "obrigado"? — Ela parou e virou-se para mim. A luz do poste refletida em seu rosto tornava seus traços extraordinariamente suaves. — Dante, além de agradecer, você sabe dizer mais alguma coisa?
— E... o que você quer ouvir? — Olhei para ela e meu coração disparou sem explicação.
Ela inclinou a cabeça, pensou um pouco e então deu um sorriso astuto.
— Quero ouvir você admitir, com suas próprias palavras, que você era um cego na época.
— ... — Ri, sem jeito. — Tudo bem, eu admito. Eu era cego.
— Assim está melhor. — Ela assentiu satisfeita, aproximou-se e perguntou em voz baixa: — Ei, quantos anos você acha que a Vanessa vai pegar?
— Danos intencionais a propriedade alheia, quando o valor é elevado, levam a até três anos de reclusão ou detenção. Meu carro custou oito dígitos. O que você acha? — respondi calmamente.
Qin Yue soltou um suspiro de choque.
— Então ela está realmente acabada?
— Ela já estava acabada há muito tempo.
Uma celebridade com a reputação destruída e uma ficha criminal não teria mais espaço no mundo do entretenimento.
— Verdade. — Ela assentiu e logo riu com um certo prazer. — Bem feito! Quem mandou ela te tratar daquele jeito e ainda roubar o meu mérito!
Ela parecia uma pequena raposa que acabara de vencer uma batalha, com o orgulho nas alturas. Olhei para seus olhos expressivos e senti a parte mais suave do meu coração ser tocada.
— Qin Yue.
— O que foi?
— Eu... — Respirei fundo e reuni coragem. — Na próxima semana, vou viajar para a Suíça.
— Suíça? Para relaxar?
— Vou participar de um intercâmbio culinário. — Olhei nos olhos dela. — Eu tirei o certificado de Cordon Bleu.
Ela ficou estupefata e seus olhos brilharam.
— É sério? Você é tão incrível assim?
— Sim. — Assenti. — Por isso, sobre o que te prometi, de cozinhar para você...
— Você quer voltar atrás? — Ela estreitou os olhos, imediatamente alerta.
— Não. — Ri. — Quero dizer que, quando eu voltar, farei qualquer coisa que você quiser comer. Será como... um pedido de desculpas e um agradecimento formal.
Não me atrevi a ser direto demais, com medo de assustá-la. Era a única forma de me aproximar, tateando o terreno. Ela me olhou e seus olhos brilharam. Sendo tão inteligente, não teria como não entender o peso das minhas palavras. Ela silenciou por alguns segundos e, de repente, sorriu como um gato que acabara de roubar um peixe.
— Está bem. — Ela aceitou de imediato. — Mas só cozinhar não basta.
— E o que mais quer?
— Quero que você ensine sua culinária apenas para mim. — Ela balançou um dedo diante do meu rosto. — Daqui para frente, sua cozinha será aberta apenas para mim.
Aquelas palavras carregavam uma possessividade que, perversamente, me deixou fascinado.
— Combinado. — Ouvi minha própria voz sair levemente rouca.
— Prometido! — Ela estendeu a mão com alegria.
Segurei sua mão e fizemos o "dedinho mindinho". A mão dela era macia, com um frescor suave que se encaixava perfeitamente na palma da minha.
— "Dedo mindinho, união eterna, cem anos, sem voltar atrás."
Ela recitava a rima infantil com um brilho incrível no olhar. Naquele instante, senti que a névoa dos últimos dois anos havia se dissipado completamente. Parecia que meu mundo voltava a ter luz.