“Quanto a esse Ricardo, já mandei o pessoal da corregedoria convidá-lo para tomar um chá”, disse meu pai calmamente. “Quanto àquela celebridade, resolva você mesmo, não deixe pontas soltas.”
“Entendido.”
Desliguei o telefone e respirei fundo, expulsando finalmente um pouco daquela opressão que acumulava no peito há dois anos.
Mas ainda não era o suficiente.
Muito longe disso.
Abri o Weibo; o nome de Vanessa já estava no topo dos assuntos mais comentados.
#Vanessa Grupo empresarial#
#Presidente do grupo comparece à coletiva#
#Contrato de Vanessa se torna um mistério#
A área de comentários estava uma loucura.
Seus fãs ainda tentavam controlar a narrativa, dizendo que o Grupo estava dando o maior prestígio à sua ídola.
Alguns perfis de fofoca já especulavam que Vanessa estava prestes a se casar em uma família rica.
Observei esses comentários ridículos e passei os dedos levemente pela tela.
Então, abri aquele “grupo central de fãs” de Vanessa, no qual eu estava infiltrado há dois anos.
No grupo, o print daquela minha lista ainda estava fixado.
Abaixo, milhares de insultos e deboches contra mim.
Encontrei a administradora do grupo, cujo apelido era “Vane-Luz-Eterna”, a líder dos fãs de Vanessa que mais me ofendera no passado.
Cliquei no perfil dela e apertei em “Adicionar aos contatos”.
Na solicitação de amizade, escrevi apenas uma frase:
“Quer saber como a Vanessa conseguiu o contrato da empresa?”
A pessoa aceitou em um segundo.
Uma caixa de diálogo apareceu:
“O que você quer dizer? Não venha aqui fingir e assombrar!”
Capítulo 2
“Não significa nada.”
Recostado no assento do carro, digitei lentamente.
“É só que eu acho vocês bem patéticos, sendo vendidos pelos outros e ainda ajudando a contar o dinheiro.”
“Que baboseira é essa! Seu fã obcecado, viciado em ganhar atenção às custas da nossa estrela, não é? Quer apostar que eu te expulso do grupo agora mesmo?”
A reação do outro lado foi intensa e rápida, como a de um gato com o rabo pisado.
Dei uma risada leve e, sem perder tempo com conversa fiada, enviei diretamente um arquivo de áudio.
A gravação era curta, tinha apenas dez segundos.
Era o áudio do dia em que a assistente da estrela me ligou.
“...Não pense que, só porque ela anunciou o contrato de embaixadora, você já pode entrar na alta sociedade. Hoje só tem gente importante aqui. Sendo um estudante, não nos envergonhe.”
Aquele tom de voz soberbo, aquele desprezo que não fazia questão de esconder, estava claro e irritante.
A administradora do grupo ficou em silêncio.
Passou-se exatamente um minuto antes que ela enviasse uma mensagem.
“Essa... essa é a voz da assistente? De onde você tirou isso? Você montou isso, não foi!”
“Se é montagem ou não, você sabe muito bem.”
Respondi e enviei também um print.
Era o histórico de conversas entre mim e ela.
A data era de seis meses atrás.
Eu: 【Pedi para alguém conseguir o convite para aquele desfile para você, na primeira fila.】
Ela: 【Sério? Te amo, amor! Mua~】
E, do outro lado, estava o print da conversa dela com o melhor amigo, que vi por acaso no celular dela, que estava sem bloqueio de tela.
Ela: 【Consegui o convite, foi aquele meu fã idiota que mandou.】
Amigo: 【Ainda bem que você sabe como manipular ele direitinho.】
Ela: 【Não tem jeito, quem mandou ele ser fácil de enganar.】
Os dois prints colocados lado a lado eram carregados de ironia.
O grupo caiu em silêncio mortal novamente.
Desta vez, o silêncio durou ainda mais que o anterior.
Eu conseguia imaginar a expressão impagável que ela devia estar fazendo do outro lado da tela.
A fé em seu ídolo desmoronava centímetro a centímetro diante de fatos irrefutáveis.
Depois de muito tempo, ela enviou uma sequência de reticências.
【......】
E, em seguida, mais uma frase.
【Quem é você, afinal?】
Essa pergunta era muito mais prática do que “por que você está fazendo isso?”.
Pessoas de grupos de fãs sabem muito bem como evitar prejuízos e buscar benefícios.
“Um idiota que foi enganado por ela durante dois anos.”
Depois de enviar isso, não dei mais atenção a ela.
Eu sabia que a semente da dúvida já tinha sido plantada e, em breve, criaria raízes no coração dela, espalhando-se por todo o grupo de fãs.
Eu não precisava fazer nada, apenas esperar.
Esperar que elas mesmas descobrissem que tipo de pessoa era, na verdade, a “estrela sensata” de quem tanto se orgulhavam.
Do lado de fora da janela do carro, os neons da cidade começavam a piscar.
Dirigi até um clube privado.
Ao abrir a porta do camarote, minha irmã estava sentada no sofá com as pernas cruzadas, balançando uma taça de vinho tinto.
“Ora, ora, o grande amante da nossa família finalmente teve coragem de cortar os laços amorosos?”
Ela arqueou as sobrancelhas ao me ver, com o tom carregado de deboche.
“Irmã, não ria de mim.” Sentei-me à sua frente, exausto, e servi um copo de água para mim mesmo.
“Rindo de você?” Ela pousou a taça, inclinou o corpo para frente e fixou seus lindos olhos em mim. “Estou é com pena de você, droga! Olhe para você nos últimos dois anos, o que você fez de si mesmo por causa daquela mulher? A internet inteira te xingando e você agindo como se não fosse nada. Se o papai não tivesse intervindo hoje, você ainda estaria preparado para continuar sendo o seu ‘fãzinho apaixonado’?”
“Eu não estava tentando resolver isso?” Esfreguei as têmporas.
“Resolver? Você chama isso de resolver?” Ela soltou uma risada sarcástica. “Você só acendeu o pavio da bomba, mas ainda não a fez explodir de verdade. Aquela mulher não é nada fácil. Agora ela deve estar agindo como uma cadela louca, tentando de todas as formas te dar uma mordida.”
“Eu sei.”
“Você sabe?” Ela aumentou o tom de voz. “Sabe e ainda vem para cá sozinho? Vou te dizer, como ela não consegue falar com você, o próximo passo dela será me procurar, ou ir direto bloquear o papai. Pessoas como ela, para subir na vida, são capazes de qualquer coisa.”
Enquanto falávamos, o celular dela tocou.
Ela olhou para a identificação da chamada, deu um sorriso de desdém e colocou no viva-voz.
“Alô?”
“Irmã! Sou eu, é ela!” A voz dela veio do receptor, com uma doçura deliberadamente bajuladora. “Você tem um tempo agora? Queria te convidar para jantar, tem algumas coisas... que eu queria explicar pessoalmente para você e para ele.”
Ela realmente tinha vindo atrás da gente.
“Explicar?” O tom da minha irmã era preguiçoso. “Explicar o quê? Explicar como você ficava pendurada no meu irmão enquanto trocava olhares com aquele vice-presidente? Ou explicar por que você pegou o relógio de edição limitada que meu irmão te deu e foi vender num site de usados?”
A respiração dela do outro lado da linha parou.
“Irmã... você... você já sabe? Isso é tudo um mal-entendido! Eu realmente não tenho nada com o vice-presidente, foram apenas compromissos sociais normais. E quanto ao relógio, minha assistente perdeu por acidente, e eu fiquei com medo de ele ficar bravo, então...”
“Chega.” Minha irmã a interrompeu sem paciência. “Guarde essas mentiras para contar aos seus fãs. Meu irmão não quer te ver agora, e eu também não. Não ligue mais para cá, nossa família não tem nada para explicar para você.”
Dito isso, ela desligou o telefone e bloqueou o número.
“Viu só?” Ela jogou o celular na mesa. “Esse é o nível dela, mente na cara dura e tem a pele mais grossa que um muro. Você achou que, só por fazê-la passar vergonha na coletiva de hoje, ela desistiria?”
“Eu não pensei isso.” Olhei para ela calmamente. “Irmã, preciso que me faça um favor.”
Ela arqueou as sobrancelhas. “Diga.”
“Ajude-me a marcar um encontro com o melhor amigo dela.”
“O melhor amigo?” Ela ficou surpresa por um momento. “Aquele que vive nos assuntos mais comentados, o ‘amigo íntimo’ dela?”
“Isso.”
“Por que você quer marcar com ele? Aquele moleque é só uma sombra, um cão fiel dela. Além de ser extremamente pegajoso, vivendo na internet publicando matérias de que é um ‘príncipe herdeiro da elite’, eu sinto até nojo só de olhar.” Ela disse com desprezo.
“É justamente porque ele é o cão fiel dela que eu preciso marcar com ele.” Levei o copo de água à boca e bebi um gole. “Cães, quando acuados, são capazes de morder o próprio dono.”
Minha irmã olhou para mim, e um brilho de compreensão passou por seus olhos.
Ela sorriu e ergueu a taça de vinho novamente.
“Tudo bem, irmão. Você cresceu. Já sabe como usar jogos psicológicos.”
Ela balançou o vinho tinto na taça. “Esta aqui, eu brindo a você. Desejo que você se livre logo desse mar de sofrimento e acabe com essa mulher desprezível.”
Não respondi, apenas sorri.
Acabar com ela?
Não.
O que eu quero é vê-la cair do topo das nuvens para a lama, despedaçada.
Quero vê-la assistir pessoalmente como tudo o que ela construiu com tanto esforço vai se transformando, pouco a pouco, em nada nas minhas mãos.