localização atual: Novela Mágica Moderno O Amor que Nunca Existiu Capítulo 1

《O Amor que Nunca Existiu》Capítulo 1

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Capítulo 1

“Dante, a coletiva de imprensa vai começar agora. Vanessa pediu para você ficar na sua hoje. Não faça nenhuma gracinha na plateia para não estragar o humor dela.”

Do outro lado da linha, o tom da assistente de Vanessa, Lívia, trazia aquela habitual condescendência de quem faz um favor.

Eu estava encostado em um canto discreto no fundo do auditório, olhando para a tela do celular com a foto que ela acabara de enviar do local: Vanessa, vestindo um traje de alta costura, com uma maquiagem impecável, sorrindo gentilmente para as câmeras.

“Entendido”, respondi com a voz bem baixa, soando quase humilde.

“Ótimo. Não pense que, só porque Vanessa anunciou o contrato de embaixadora, você já pode entrar na alta sociedade. Hoje só tem gente importante aqui. Sendo um estudante, não nos envergonhe.”

Ela desligou o telefone sem paciência.

Guardei o celular no bolso e voltei meu olhar para o palco iluminado.

O Grupo empresarial da minha família.

A coletiva de imprensa da embaixadora global.

Ouvi o mestre de cerimônias narrar com entusiasmo a história gloriosa da empresa e o grande significado desta parceria.

Na plateia, os fotógrafos já estavam a postos, com todas as lentes apontadas para a entrada do palco.

“A seguir, vamos receber com uma salva de palmas calorosa a grande estrela da nossa parceria global — a senhorita Vanessa!”

A música subiu de volume e todos os flashes se voltaram para um lado do palco.

Vanessa segurava a cauda do vestido com aquele sorriso perfeito, ensaiado milhares de vezes, preparando-se para subir.

Ela chegou a lançar um olhar quase imperceptível na minha direção, carregado de aviso e exibicionismo.

No exato momento em que ela estava prestes a colocar o pé no palco.

A voz do mestre de cerimônias ecoou novamente, com uma dose certeira de entusiasmo e reverência.

“E, neste dia tão importante, temos a honra de convidar o timoneiro do nosso grupo, o nosso Presidente! Vamos recebê-lo com a mesma salva de palmas calorosa: Senhor Arthur, nosso Presidente, e a equipe executiva do grupo!”

Os holofotes mudaram instantaneamente de Vanessa para a mesma entrada atrás dela.

O sorriso de Vanessa congelou.

Seu momento de glória, preparado por meses, foi interrompido bruscamente.

Meu pai, Arthur, vestindo um terno escuro com corte impecável, caminhou calmamente do bastidor, seguido por um grupo de executivos.

Seus passos não eram rápidos, mas cada um carregava uma aura avassaladora.

Os flashes da plateia o seguiram como se estivessem loucos, o som dos disparos era incessante.

Ninguém mais olhava para Vanessa, paralisada na beira do palco.

Ela parecia uma boneca requintada que teve a bateria removida, esquecida na sombra do cenário.

Meu pai parou no centro do palco, pegou o microfone e seu olhar varreu a plateia calmamente.

Por fim, seus olhos pousaram precisamente em mim; naquele olhar que via tudo, brilhou um sorriso quase indulgente, algo que só eu conseguiria entender.

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Ele acenou levemente com a cabeça.

Meu celular, no bolso, vibrou freneticamente. Dois nomes piscavam na tela.

Vanessa.

Peguei o celular calmamente, olhei para ele e apertei o botão de silenciar.

O mundo ficou em paz.

A conferência continuava, meu pai começou seu discurso com voz firme e potente, e o local inteiro permaneceu em silêncio absoluto.

Já Vanessa, aquela protagonista que deveria ser o centro das atenções, estava sendo discretamente conduzida pelos funcionários para a primeira fila, como uma prisioneira esperando sua sentença.

Ela estava pálida, olhando constantemente para a minha direção, com os olhos cheios de choque, confusão e uma ponta de pavor que nem ela mesma havia notado.

A tela do celular acendeu novamente. Era uma mensagem dela:

【Dante, o que isso significa?】

【Por que seu pai está aqui? Você já sabia de tudo?】

【Você fez isso de propósito, não foi? Você quer me destruir?!】

Olhei para aquelas perguntas quase histéricas e um sorriso gélido se desenhou em meus lábios.

O jogo estava apenas começando.

Trinta minutos depois, a coletiva terminou e meu pai partiu, rodeado por seus executivos.

Do início ao fim, ele não olhou para Vanessa nem mais uma vez, como se ela fosse apenas um cenário irrelevante.

Virei-me para sair pelos fundos, mas fui agarrado pelo pulso por uma mão gelada.

“Dante!”

A voz de Vanessa era aguda e cortante, sem nada daquela preguiça e desleixo de quando falava comigo normalmente.

Ela me encarava fixamente, com os olhos injetados de sangue.

“Me explique agora, o que está acontecendo? Arthur... por que ele é seu pai?”

O questionamento dela trazia uma audácia absurda, como se eu a tivesse enganado.

Olhei-a calmamente. “Você não sabia o tempo todo que meu sobrenome é o mesmo que o da empresa?”

“Eu pensei... eu pensei que sua família fosse apenas um pequeno fornecedor! Existem tantos com esse sobrenome na empresa! Quem iria imaginar...” Suas palavras estavam repletas de arrependimento e irritação.

Pelo visto, no coração dela, eu sequer era digno de ter o mesmo sobrenome que o dela.

Ri levemente e soltei sua mão.

“Agora já sabe, não é?”

Virei-me para ir embora, mas ela se lançou sobre mim novamente, me abraçando pelas costas, com a voz subitamente suave e chorosa.

“Dante, eu errei, eu realmente errei... Eu não sabia... Por que não me contou antes? Você está bravo comigo? Por causa do que eu disse na entrevista?”

Ela começou a usar habilmente sua arma mais forte: a fragilidade.

“Eu fiz tudo para proteger nosso relacionamento, você sabe, nosso namoro era secreto, eu não podia revelar... Eu te amo, Dante.”

Escutei tudo em silêncio, sentindo como se estivesse ouvindo uma piada de mau gosto.

Dois anos de relacionamento, na boca dela, tornaram-se uma “estratégia de relações públicas” que eu deveria compreender.

Não me virei, apenas disse com frieza:

“Vanessa, você realmente acha que falar isso agora ainda adianta alguma coisa?”

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Meu celular tocou de novo. Era a assistente, Lívia.

Atendi.

A voz de Lívia trazia uma bajulação e um pavor sem precedentes.

“Dante... senhor Dante... onde o senhor está? A Vanessa, ela...”

“Estou terminando com ela.”

Disse isso e desliguei o telefone diretamente.

O braço de Vanessa, que me segurava, ficou rígido instantaneamente.

Ela olhou para as minhas costas com descrença, a voz tremendo.

“O que você disse?”

Finalmente me virei e, pela primeira vez, olhei para ela com um olhar de avaliação, totalmente estranho.

“Eu disse que nós terminamos.”

Olhei para o seu rosto instantaneamente pálido e não senti uma onda sequer no meu coração.

Nesses dois anos, fiz tudo o que pude por ela, e tudo o que recebi em troca foi, no grupo de fãs, um comentário leviano dela: “Ele é só um fãzinho grudento”.

Agora, esse “fãzinho” não quer mais brincar.

“Não... impossível!” ela gritou. “Dante, você não pode fazer isso comigo! Nossos anos de relacionamento...”

“Relacionamento?” Interrompi, aproximando-me dela passo a passo. “Você se refere à surpresa de aniversário que preparei para você e que você repassou para aquele seu amigo íntimo?”

A expressão de Vanessa mudou.

“Ou se refere a quando você usou o traje de alta costura que eu comprei para você para jantar com outro produtor?”

Os lábios dela começaram a tremer.

“Ou talvez, ao fato de você ter pego o bloco de notas onde eu escrevi cada detalhe dos nossos dois anos juntos e compartilhado como uma piada com seus fãs, para que eles pudessem me atacar virtualmente?”

A cada frase que eu dizia, o rosto dela ficava mais branco.

Por fim, parei diante dela, com a voz gélida como o gelo.

“Vanessa, você chama isso de relacionamento?”

Ela ficou sem palavras, apenas me olhando com um olhar aterrorizado, como se estivesse me conhecendo pela primeira vez.

“Dante... você... você sabia de tudo?”

“Eu sei de tudo.” Olhei para ela e disse palavra por palavra. “Inclusive o que você prometeu ao vice-presidente Ricardo pelas costas, só para conseguir esse contrato.”

As pupilas de Vanessa se contraíram violentamente, e todo o sangue do seu corpo pareceu drenar.

Ela cambaleou para trás, como se tivesse sido atingida por um raio, e só conseguiu se manter de pé ao se apoiar na parede.

Aquele vice-presidente Ricardo era conhecido na empresa do meu pai como um tarado, e foi um dos responsáveis iniciais por este projeto.

E também era a próxima pessoa que eu iria “substituir” na minha lista.

Vanessa me olhava, os lábios trêmulos, mas não conseguia dizer uma única palavra.

O medo, o verdadeiro medo, finalmente subiu àquele rosto lindo.

Não olhei mais para ela e caminhei em direção ao estacionamento.

Atrás de mim, ouvi seus gritos desesperados:

“Dante! Volte! Você não pode simplesmente ir embora! Eu te amo! Eu realmente te amo!”

Não parei de andar.

Amor?

O amor dela era barato demais.

E sujo demais.

Abri a porta do carro, sentei e liguei o motor.

No espelho retrovisor, a figura de Vanessa ficava cada vez menor, até se tornar um ponto branco borrado.

Peguei o celular e disquei o número do meu pai.

“Pai.”

“Hum, resolveu?” A voz do meu pai não demonstrava alegria nem raiva.

“Está apenas começando.”

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