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《A Dona da Fazenda》Parte 8

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A notícia de que existia outro herdeiro de Antônio Joaquim Ribeiro espalhou-se pela região de Campinas em poucas horas.

A Fazenda Santa Helena, que durante anos havia sido esquecida, agora estava novamente no centro das atenções.

Jornais locais começaram a publicar matérias sobre a disputa pelo antigo patrimônio Ribeiro.

As pessoas começaram a fazer perguntas.

Quem era o verdadeiro dono daquela fortuna?

Isabela Maria Vasconcelos conseguiria permanecer com a fazenda?

Ou perderia tudo depois de descobrir que existia alguém da família Ribeiro ainda vivo?

Na pequena cidade próxima à propriedade, todos tinham uma opinião.

Alguns acreditavam que Isabela seria obrigada a entregar tudo.

Outros diziam que ela havia sido escolhida pelo próprio Antônio.

Mas uma coisa era certa:

Todos queriam conhecer o novo herdeiro.

Na Fazenda Santa Helena, Isabela tentava continuar trabalhando como sempre.

Mas agora havia algo diferente.

Ela sentia os olhares.

Sentia a pressão.

Sentia que muitas pessoas estavam esperando vê-la cair.

Naquela manhã, enquanto caminhava pelo campo, Seu Joaquim Batista percebeu sua preocupação.

"Está pensando demais, dona Isabela."

Ela olhou para ele.

"Como não pensar?"

Fez uma pausa.

"Passei minha vida inteira tentando construir alguma coisa. Quando finalmente encontro um lugar para chamar de meu, aparece alguém dizendo que tudo pode acabar."

Seu Joaquim apoiou as mãos no cabo da ferramenta.

"Uma coisa que aprendi com a terra é que raízes fortes não aparecem em dias tranquilos."

Isabela sorriu levemente.

"Às vezes eu acho que essa fazenda me escolheu."

O homem concordou.

"Talvez tenha escolhido mesmo."

Mas naquela tarde, o medo voltou.

Ricardo Martins chegou à fazenda com novas informações.

A expressão do advogado era séria.

Isabela percebeu imediatamente.

"Ele chegou?"

Ricardo colocou uma pasta sobre a mesa.

"Ainda não."

Ela respirou aliviada por um instante.

"Então o que aconteceu?"

O advogado abriu os documentos.

"Descobrimos quem é o herdeiro."

Isabela ficou imóvel.

"Quem?"

Ricardo demorou alguns segundos antes de responder.

"O nome dele é Gabriel Antônio Ribeiro."

O nome parecia carregar o peso de uma história inteira.

"Gabriel?"

Ricardo confirmou.

"Ele tem trinta anos. Viveu muitos anos longe do Brasil. Atualmente mora em Curitiba, onde trabalha com preservação ambiental e projetos agrícolas."

Isabela franziu a testa.

"Então ele sabia de tudo?"

"Não."

A resposta surpreendeu.

"Como assim?"

Ricardo explicou:

"Pelo que descobrimos, Gabriel cresceu sem saber completamente sobre a origem da família."

Isabela ficou em silêncio.

"Então por que Antônio escondeu ele?"

Essa era exatamente a pergunta que todos faziam.

A resposta estava em uma parte escondida dos documentos antigos.

Antônio Ribeiro tinha tido um filho.

Mas esse filho morreu jovem.

Antes disso, deixou um menino.

Gabriel.

Por medo de que a guerra familiar atingisse a criança, Antônio decidiu afastá-lo de toda disputa.

Ele acreditava que o dinheiro poderia destruir a vida de alguém antes mesmo que essa pessoa tivesse a chance de escolher seu próprio caminho.

Naquele momento, Isabela percebeu algo.

Antônio não estava apenas protegendo uma empresa.

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Ele estava protegendo pessoas.

Na semana seguinte, Gabriel chegou à Fazenda Santa Helena.

A expectativa era enorme.

Eduardo Montenegro estava entre os primeiros a aparecer.

Diferente das outras vezes, ele não demonstrava arrogância.

Ele parecia nervoso.

Porque, pela primeira vez, havia alguém com ligação direta ao sangue Ribeiro.

Quando o carro de Gabriel entrou na propriedade, todos ficaram em silêncio.

Ele desceu sozinho.

Sem seguranças.

Sem advogados.

Sem aparência de alguém interessado em poder.

Era um homem simples.

Usava uma camisa clara, calça jeans e carregava apenas uma mochila.

Isabela observou com atenção.

Ele caminhou até a antiga casa.

Olhou para as paredes.

Para as árvores.

Para o campo.

Como se estivesse tentando sentir uma memória que nunca viveu.

Dona Helena se aproximou emocionada.

"Você se parece muito com Antônio."

Gabriel sorriu de forma triste.

"Eu ouvi isso muitas vezes."

Depois olhou para Isabela.

"Você deve ser Isabela."

Ela assentiu.

"Sou."

Durante alguns segundos, os dois ficaram em silêncio.

Ambos sabiam que aquele encontro poderia mudar tudo.

"Eu imagino que você veio tomar a fazenda."

A frase saiu mais direta do que ela pretendia.

Gabriel pareceu surpreso.

"Foi isso que disseram?"

Isabela desviou o olhar.

"Foi o que todos esperavam."

Ele olhou ao redor.

Depois respondeu:

"Eu não vim aqui para tirar nada de você."

A resposta pegou Isabela de surpresa.

"Mas você é o herdeiro."

Gabriel assentiu.

"Sou."

Ele caminhou lentamente pelo terreno.

"Mas ser herdeiro não significa ser dono de tudo."

Eduardo, que observava de longe, aproximou-se.

"Gabriel, precisamos conversar sobre seus direitos."

Gabriel olhou para ele.

E seu rosto mudou.

Não era medo.

Era reconhecimento.

"Você é Eduardo Montenegro."

Eduardo sorriu.

"Vejo que conhece meu nome."

"Conheço a história."

A expressão de Eduardo ficou mais séria.

"Então sabe que essa terra pertence à família Ribeiro."

Gabriel respondeu calmamente:

"Pertence ao legado de Antônio Ribeiro."

A diferença entre as duas frases chamou atenção.

Eduardo tentou insistir.

"Você tem o sangue da família."

Gabriel olhou para Isabela.

"E ela tem algo que muitos da minha família perderam."

Eduardo franziu a testa.

"O quê?"

Gabriel respondeu:

"Respeito pela terra."

O silêncio foi imediato.

Eduardo percebeu que aquela conversa não seguiria como imaginava.

Ele esperava um herdeiro interessado em dinheiro.

Encontrou alguém que parecia pensar como Antônio.

Naquela noite, Gabriel conversou longamente com Isabela.

Sentados na varanda da casa antiga, os dois falaram sobre Antônio.

Sobre Maria Celina.

Sobre tudo que havia acontecido.

"Eu passei vinte e cinco anos sem saber a verdade sobre minha família."

Isabela olhou para ele.

"Você não sente raiva?"

Gabriel ficou alguns segundos pensando.

"Senti por muito tempo."

Ele olhou para o campo.

"Mas depois entendi que meu avô estava tentando impedir que eu fosse destruído pela mesma ambição que destruiu a família dele."

Isabela concordou.

Ela entendia.

Porque também havia sido destruída pela ambição de outras pessoas.

Pelo abandono de Rafael.

Pela ganância de Eduardo.

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Pela tentativa de controlar sua vida.

Gabriel então revelou algo que Isabela não esperava.

"Eu li as cartas deixadas pelo meu avô."

Ela ficou surpresa.

"O que elas diziam?"

Ele olhou diretamente para ela.

"Ele dizia que a pessoa que encontrasse a Fazenda Santa Helena não deveria ser julgada pelo sobrenome."

Fez uma pausa.

"Deveria ser julgada pelo coração."

Isabela ficou emocionada.

Gabriel continuou:

"Meu avô escolheu você."

Ela abaixou os olhos.

"Mas eu não sou da família."

Ele sorriu.

"Não era isso que importava para ele."

O vento passou pelo campo.

E então Gabriel disse as palavras que mudariam para sempre a forma como Isabela enxergava aquela história.

"Meu avô escolheu você porque você é como ele."

Isabela levantou o rosto.

Gabriel completou:

"Você ama essa terra antes mesmo de saber o valor dela."

Pela primeira vez em muito tempo, Isabela sentiu que não precisava provar nada para ninguém.

Ela não estava ali por acaso.

Ela não era uma invasora.

Ela fazia parte daquela história.

Mas enquanto Gabriel escolhia ficar ao lado dela, Eduardo observava tudo de longe.

Seu rosto mostrava raiva.

Ele percebeu que havia perdido a única coisa que poderia ajudá-lo.

O apoio do verdadeiro herdeiro.

Naquela mesma noite, Eduardo recebeu uma ligação inesperada.

A voz do outro lado revelou uma informação que fez seu olhar mudar.

"Eduardo, encontramos o último documento de Antônio Ribeiro."

Ele ficou em silêncio.

"O último documento?"

A resposta veio baixa:

"Sim."

Eduardo apertou o telefone.

"E o que está escrito nele?"

Depois de alguns segundos, a pessoa respondeu:

"Está escrito que existe uma condição final para que o verdadeiro legado Ribeiro seja entregue."

Eduardo sorriu.

Porque percebeu que talvez aquela guerra ainda não tivesse acabado.

E dessa vez, ele tinha uma carta escondida que poderia destruir tudo o que Isabela havia conquistado.

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