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《A Dona da Fazenda》Parte 5

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A manhã na Fazenda Santa Helena começou diferente.

Desde cedo, os moradores da região perceberam que havia algo estranho acontecendo.

Um carro preto de luxo atravessou o antigo caminho de terra que levava até a propriedade.

Não era um visitante comum.

O veículo carregava uma presença de poder.

Quando parou em frente à casa principal, Isabela Maria Vasconcelos estava na varanda organizando alguns documentos da fazenda.

Ela levantou os olhos e observou o homem que desceu do carro.

Ele tinha aproximadamente cinquenta anos.

Usava terno escuro, sapatos caros e carregava uma pasta de couro nas mãos.

Seu olhar não era de alguém que chegava para conversar.

Era o olhar de alguém que acreditava já ser dono de tudo.

Dona Helena Ferreira, que estava ao lado de Isabela, ficou imediatamente séria.

Ela reconheceu aquele rosto.

E sua expressão mudou.

"Não pode ser..."

Isabela percebeu.

"Dona Helena, a senhora conhece esse homem?"

A senhora demorou alguns segundos para responder.

"Conheço."

O homem caminhou até elas.

Sem cumprimentar.

Sem demonstrar respeito.

Apenas olhou para Isabela.

"Você é Isabela Maria Vasconcelos?"

Ela se levantou lentamente.

"Sou."

Ele abriu a pasta.

"Meu nome é Eduardo Montenegro Ribeiro."

O silêncio tomou conta da varanda.

Dona Helena apertou as mãos.

O nome dizia tudo.

Isabela percebeu a reação dela.

"Quem é ele?"

Eduardo respondeu antes que Dona Helena pudesse falar.

"Eu sou o verdadeiro herdeiro de Antônio Joaquim Ribeiro."

A frase caiu como uma pedra.

Isabela ficou imóvel.

"Como assim?"

Eduardo deu um passo à frente.

"Essa fazenda nunca deveria estar no seu nome."

Ela segurou os documentos que estavam em suas mãos.

"Eu comprei essa propriedade legalmente."

Eduardo soltou um sorriso frio.

"Você comprou uma casa velha. Não comprou o legado de Antônio Ribeiro."

Isabela sentiu o coração acelerar.

Ele sabia.

Sabia sobre Antônio.

Sabia sobre a história da fazenda.

Mas havia algo mais.

Ele falava como se aquela terra pertencesse a ele.

"Se o senhor tem algum problema com a venda, deveria procurar quem vendeu."

Eduardo abriu a pasta novamente.

"Meu problema não é com a venda."

Ele olhou diretamente para ela.

"Meu problema é com você estar aqui."

Aquelas palavras despertaram a raiva que Isabela havia aprendido a controlar.

Durante muito tempo, ela havia aceitado ser diminuída.

Aceitado ser ignorada.

Aceitado que outras pessoas decidissem seu destino.

Mas aquela mulher não existia mais.

"Eu moro aqui. Eu trabalho nessa terra. Eu estou reconstruindo esse lugar."

Eduardo respondeu com desprezo:

"Você não entende o tamanho do que está acontecendo."

Isabela cruzou os braços.

"Então explique."

Ele respirou fundo.

"Antônio Ribeiro deixou um patrimônio enorme. Essa fazenda fazia parte de um império."

"Eu sei."

Eduardo pareceu surpreso.

"Você sabe?"

Isabela olhou para Dona Helena.

"Eu descobri a verdade."

O rosto de Eduardo ficou mais fechado.

"Então você também sabe que pessoas como você não deveriam estar envolvidas nisso."

A frase fez o ar ficar pesado.

Dona Helena deu um passo à frente.

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"Tenha respeito."

Eduardo olhou para ela.

"Você ainda defendendo essa família?"

"Eu defendo a verdade."

Ele ignorou.

"Isabela, vou ser direto."

Eduardo retirou alguns documentos.

"Você tem trinta dias para deixar essa propriedade."

Isabela ficou sem reação por alguns segundos.

Depois começou a rir.

Não de felicidade.

Mas de incredulidade.

"Você veio até minha casa para me expulsar?"

Eduardo manteve a expressão séria.

"Vim evitar um problema maior."

"Um problema maior?"

"Uma disputa judicial."

A ameaça ficou clara.

Ele não estava pedindo.

Estava avisando.

"Vou entrar com uma ação para anular sua posse da fazenda."

Isabela sentiu um peso no peito.

Durante semanas, aquela propriedade havia sido o único lugar onde ela se sentia segura.

Agora alguém queria tirar aquilo dela.

Mas dessa vez ela não estava sozinha.

A notícia se espalhou rapidamente pela região.

Em poucas horas, os moradores começaram a aparecer perto da fazenda.

Seu Joaquim Batista foi um dos primeiros.

Ele caminhou até Eduardo.

"Essa mulher fez mais por essa terra em poucas semanas do que muita gente fez em anos."

Eduardo olhou para ele.

"Isso não é uma questão de opinião."

Seu Joaquim respondeu:

"Às vezes a lei demora para enxergar o que as pessoas já sabem."

Outros moradores começaram a falar.

A dona da pequena mercearia.

O produtor de leite da estrada.

Os antigos trabalhadores da região.

Todos tinham uma coisa em comum.

Tinham visto Isabela lutar.

Tinham visto uma mulher grávida acordar antes do sol nascer para recuperar uma terra que todos tinham abandonado.

Para eles, ela já era a verdadeira dona daquele lugar.

Eduardo observava aquela cena irritado.

Ele esperava encontrar uma mulher sozinha.

Encontrou uma comunidade inteira ao lado dela.

Naquela noite, Isabela ficou sentada na cozinha olhando os antigos documentos de Antônio.

A ansiedade começou a aparecer.

Ela não tinha medo de Eduardo.

Mas tinha medo de perder tudo aquilo que havia construído.

Ela colocou a mão na barriga.

"Eu prometi que protegeria esse lugar."

O bebê se mexeu.

Como se respondesse.

No dia seguinte, Isabela recebeu uma intimação oficial.

Eduardo realmente havia iniciado o processo.

Ele não estava blefando.

A batalha tinha começado.

Dona Helena foi até a fazenda naquela tarde.

Ela encontrou Isabela lendo os documentos.

"Você precisa saber uma coisa."

Isabela levantou os olhos.

"O quê?"

Dona Helena hesitou.

"Eduardo Montenegro não apareceu por acaso."

"Ele estava procurando essa fazenda há anos."

Isabela franziu a testa.

"Por quê?"

A senhora olhou para os antigos cadernos de Antônio.

"Porque ele acredita que existe algo escondido aqui."

"Algo além das moedas?"

Dona Helena assentiu.

"Sim."

Antes que pudesse continuar, um carro parou novamente em frente à propriedade.

Dessa vez era Eduardo.

Mas ele não veio sozinho.

Ele carregava uma pasta maior.

E um sorriso diferente.

Um sorriso de quem acreditava ter encontrado a arma final.

Todos saíram para ver.

Eduardo caminhou até o centro do quintal.

"Isabela, acho que está na hora de você conhecer a verdade completa."

Ela permaneceu em silêncio.

Eduardo abriu a pasta lentamente.

Retirou um documento antigo.

O papel estava amarelado pelo tempo.

Mas havia algo escrito nele que fez Isabela perder a cor do rosto.

Eduardo levantou o documento.

"Esse registro muda tudo."

Dona Helena se aproximou.

Quando viu o nome escrito no papel, ficou completamente imóvel.

Porque naquele documento antigo não estava apenas o nome de Antônio Ribeiro.

Havia outro nome.

Um nome que Isabela nunca esperava encontrar ligado àquela história.

O nome de sua própria mãe.

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