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《A Invasão na Minha Própria Casa》Capítulo 12

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Ela limpou o rosto e foi embora.

Não senti prazer.

Apenas cansaço.

Sofia disse: “Você tem o coração mole demais, basta elas chorarem um pouco e você já se sente mal.”

Disse: “Sentir-se mal e perdoar são coisas diferentes.”

Capítulo 24

No décimo sétimo dia, a suspensão de Arthur foi oficializada.

Ele foi afastado de suas funções no trabalho para responder a um inquérito.

Os motivos iam além da ocupação da casa e da falsificação da assinatura.

Havia também o acúmulo de dívidas não pagas com várias pessoas, a inclusão fictícia de nome em escritura de imóvel para casamento e suspeita de fraude.

Quando a notícia chegou, eu estava em casa limpando a moldura da foto da minha mãe.

Arthur estava parado do lado de fora, tocando a campainha por um longo tempo.

Não abri.

Ele ficou falando da porta para dentro.

“Elara, eu sei que você está aí.”

Coloquei a moldura no lugar.

Ele disse: “Só hoje descobri que a dívida do meu pai não era tão urgente assim. Minha mãe sempre me enganou, dizendo que se eu não pagasse, algo terrível aconteceria. Eu me perdi, eu realmente me perdi.”

Não respondi.

Ele continuou: “Meu erro foi tratar sua casa como uma saída de emergência. Mas foram três anos de relacionamento, você não tem nenhum apego a isso?”

Caminhei até a porta e perguntei através dela:

“Você teve algum apego?”

O silêncio reinou lá fora.

Eu disse: “Quando você teve esse apego, chegou a pensar em mim voltando de viagem e encontrando estranhos comendo na minha casa?”

Ele não respondeu.

“Chegou a pensar na moldura da minha mãe sendo jogada em um canto?”

Ele continuou calado.

“Chegou a pensar em você, parado na sala, tentando me convencer a assinar aquele contrato falso?”

A voz de Arthur tornou-se rouca.

“Elara, eu estava com medo naquela época.”

“O medo justifica prejudicar os outros?”

Ele não conseguia falar.

Abri a porta.

Não por ter o coração mole.

Mas porque algumas coisas precisam ser ditas cara a cara.

Arthur estava visivelmente mais magro e com a barba por fazer.

Ao me ver, uma centelha de esperança brilhou em seus olhos.

“Elara.”

Entreguei-lhe um envelope de papel.

Dentro estavam os documentos de rescisão de noivado, a lista de cancelamentos, o detalhamento das perdas financeiras e uma cópia dos materiais que entreguei ao meu advogado para dar entrada na ação.

“Assine o recebimento.”

Sua esperança se extinguiu.

“Você ainda vai me processar?”

Disse: “Sim.”

Suas mãos tremeram, e o envelope quase caiu no chão.

“Quanto você quer que eu pague?”

“De acordo com as perdas reais, danos morais, perda de tempo de trabalho e custos de reparo da casa. O que for devido. A falsificação de assinatura e a invasão de domicílio seguirão por conta própria no processo.”

Ele ergueu os olhos para mim.

“Você realmente não me dá nenhuma chance.”

Perguntei: “Quem quase bloqueou a minha chance de viver?”

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Seus olhos ficaram avermelhados.

Desta vez, não era fingimento.

Era medo real.

“Elara, o que será de mim agora?”

Disse: “Isso é problema seu.”

Ele deu um passo à frente.

“Não seja assim.”

Puxei a porta para fechar.

“Arthur, minha mãe me ensinou que a bondade deve ser dada às pessoas, não aos lobos.”

A porta se fechou.

Ele ficou lá fora por um longo tempo.

Não prestei mais atenção.

No dia da audiência no tribunal, a galeria estava cheia.

Moradores do condomínio vieram.

Colegas de trabalho dele vieram.

A família de Beto também estava lá.

Eles sentaram-se em lados opostos do banco dos réus e os olhares que trocavam entre si eram cheios de ódio.

Essa é a parte mais ridícula de cometer maldades em conjunto.

Quando lucram, chamam-se de irmãos.

Quando dá errado, tentam devorar uns aos outros.

Meu advogado foi uma indicação do Diretor Gu.

Chama-se 章, tem pouco mais de quarenta anos, fala calmamente, mas cada palavra é certeira.

O advogado apresentou as provas.

Registros da fechadura.

Vídeos da sala.

Prints das conversas em grupo.

O contrato falso.

A perícia grafotécnica.

O registro da recuperação da caixa de joias.

Os documentos de registro da administração do prédio.

O original da assinatura da empresa de organização de casamentos.

O advogado de Beto tentou argumentar:

“Meu cliente acreditava, subjetivamente, que Arthur tinha o direito de representar Elara.”

O advogado 章 perguntou: “Antes de partir, Elara não deixou claro, de forma explícita, que não emprestaria a casa?”

Beto ficou em silêncio.

Capítulo 25

O vídeo foi exibido.

Na tela, eu estava na porta e disse: “Minha casa não será emprestada.”

O rosto de Beto escureceu.

O advogado 章 perguntou: “Após uma recusa explícita, por que você ainda entrou no imóvel?”

Beto respondeu: “Arthur disse que ela concordaria.”

O advogado 章 perguntou: “A própria Elara concordou?”

Beto cerrou os dentes: “Não.”

Um burburinho surgiu na plateia.

Chegou a vez de Arthur.

Seu advogado disse:

“Arthur e Elara eram noivos; por causa do objetivo comum de preparar o casamento e decorar a casa, os limites de conduta ficaram confusos.”

O advogado 章 abriu o vídeo.

Na sala de reuniões, Arthur gritava:

“E daí que fui eu que escrevi? Não foi para economizar dinheiro para o casamento?”

O advogado 章 perguntou: “Quando você diz que foi você que escreveu, refere-se a quê?”

Arthur manteve a cabeça baixa.

“A assinatura.”

“Assinatura de quem?”

“De Elara.”

“Ela autorizou?”

“Não.”

O advogado 章 fechou os materiais.

“Não tenho mais perguntas.”

Algumas frases simples foram mais brutais do que cem insultos.

Marta compareceu como representante da administração do condomínio.

No início, ela tentou dizer que foi enganada.

O advogado 章 perguntou: “Elara enviou um aviso por escrito ao condomínio declarando expressamente que não autorizava a entrada de terceiros?”

Marta assentiu.

“Enviou.”

“Mesmo após recebê-lo, você impediu Elara de entrar na própria casa?”

A voz de Marta estava muito baixa.

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“Sim.”

“Por quê?”

Marta lançou um olhar para Beto.

“Eu tinha medo que o problema aumentasse.”

O advogado 章 perguntou: “Medo que o problema aumentasse ou medo que sua abertura ilegal da porta fosse descoberta?”

Marta ficou lívida.

Ela não respondeu.

Não responder, também é uma resposta.

Ao final do julgamento, o juiz anunciou que a sentença seria proferida posteriormente.

Ao sair do tribunal, a luz do sol era ofuscante.

Liu correu atrás de mim.

“Elara, me desculpe.”

Olhei para trás.

Ela segurava as alças da bolsa.

“Antes, quando vi a postagem, duvidei de você. Depois de ver as provas no tribunal, sinto vergonha de mim mesma.”

Disse: “Você não se juntou às ofensas, o que já é muito bom.”

Ela balançou a cabeça.

“Da próxima vez, não ouvirei apenas quem fala primeiro.”

Dei um leve sorriso.

“Isso é o suficiente.”

Geraldo também se aproximou.

“Elara, o comitê de moradores foi reeleito. O resultado da auditoria das contas será divulgado na próxima semana. Beto terá que devolver o dinheiro daquelas obras.”

Sofia, ao lado, completou:

“Devolver é o de menos; aquele reboco da parede saía na mão, era pura enganação.”

Geraldo tossiu, sem conseguir segurar o riso.

Beto ouviu e virou-se para nos encarar.

Sofia devolveu o olhar imediatamente.

“O que foi? Ainda quer usar o tribunal como casa por uns dias?”

Alguém por perto caiu na risada.

Beto levou Dalva e foram embora cabisbaixos.

Arthur saiu por último.

Sua mãe o apoiava.

Ela me viu, seus lábios se moveram, mas não xingou.

Apenas arrastou Arthur para o outro lado.

Arthur deu alguns passos e olhou para trás.

Não olhei para ele.

Sofia perguntou: “Está satisfeita?”

Disse: “Falta um pouco.”

“Falta o quê?”

Olhei para os degraus da entrada do tribunal.

“A sentença.”

No dia em que a sentença saiu, o mural do condomínio estava cheio de dois documentos.

Um era o veredito do tribunal.

A família de Beto e Arthur deveriam compensar, em conjunto, os danos ao meu imóvel, perdas de objetos, despesas de limpeza e reparos, além de um pedido de desculpas público.

As pistas sobre a falsificação de assinatura, invasão de domicílio e apropriação de bens seriam tratadas em outro processo.

A empresa de administração do condomínio assumiu a responsabilidade correspondente e enviou-me um pedido de desculpas por escrito.

O outro documento era o anúncio da auditoria das contas do comitê.

O Diretor Liu foi destituído.

A equipe de reforma de Beto teve que devolver parte dos pagamentos indevidos e foi banida coletivamente pelos moradores.

O mural estava cercado de pessoas.

Alguém apontou para a sentença e disse:

“Eles pagaram mesmo?”

Outra pessoa disse:

“Já deveriam ter pago há muito tempo. Caso contrário, qualquer casa vazia poderia ser invadida por alguém?”

Capítulo 26

Marta estava parada fora da multidão.

Ela já havia sido demitida pela administração do condomínio.

Ao me ver, aproximou-se.

“Srta. Elara.”

Sofia ficou imediatamente em alerta.

Marta mantinha a cabeça baixa.

“Vim pedir desculpas. Antes, eu aceitei vantagens de Beto e, pensando que o Sr. Arthur logo casaria com a senhora, não a tratei como a verdadeira proprietária. Eu estava errada.”

Disse: “Aceito o pedido de desculpas. O perdão, não.”

Marta deu um sorriso amargo.

“Eu sei.”

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