Resolve-se com provas sólidas.
Os policiais primeiro verificaram as informações da minha residência.
Em seguida, interrogaram a família de Beto sobre a origem de sua ocupação.
Beto ainda tentou se agarrar ao contrato de empréstimo.
“Nós estamos aqui por empréstimo, temos um contrato.”
O policial olhou para mim.
“Você assinou este contrato?”
“Não.”
Sofia complementou:
“Já estamos prontos para solicitar uma perícia grafotécnica; a empresa de casamentos possui o original da assinatura recente de Elara, que pode ser usada para comparação.”
Ao ouvir "empresa de casamentos", a fisionomia de Arthur mudou completamente.
O policial perguntou novamente: “Qual a origem da caixa de joias?”
Apresentei a lista de bens deixados por minha mãe, o vídeo antes da minha partida e fotos antigas da caixa de joias.
Nas fotos, minha mãe estava sentada na cama do hospital, segurando aquela caixa de madeira.
Eu disse: “Isso não é uma joia valiosa, é uma lembrança da minha mãe.”
Enquanto o policial verificava o vídeo, Beto ainda tentava resistir.
“Aquela caixa não está necessariamente conosco.”
Abri outro trecho de filmagem.
Na manhã seguinte, Dalva estava sentada na minha penteadeira.
Ela abriu a caixa de joias e tirou a pulseira de ouro, colocando-a em seu próprio pulso.
Luma ria ao lado.
“Mãe, essa pulseira pode ser brega, mas o ouro é de verdade.”
Dalva respondeu: “Use por enquanto, de qualquer forma ela não está aqui.”
Ninguém na sala disse uma palavra.
Sr. Geraldo levantou-se do sofá com uma expressão sombria.
“Beto, dessa vez você foi longe demais.”
Beto o encarou.
“Pare de falar bobagem.”
Sr. Geraldo não se sentou novamente.
“Eu vim aqui para ser testemunha, não para ajudar você a roubar a casa dos outros.”
Essa frase pareceu rasgar o ambiente.
O caderno de registros nas mãos de Marta caiu no chão.
Ela se abaixou para pegar, precisando de duas tentativas para segurá-lo firmemente.
O policial olhou para Dalva.
“Onde está a caixa de joias agora?”
Dalva foi irredutível.
“Eu não sei.”
Hugo falou de repente:
“Está no carro do meu pai.”
Todos olharam para ele.
Dalva entrou em pânico.
“Que mentira é essa!”
Hugo apertou o boné nas mãos.
“Mãe, pare de fingir. Aquele dia você mandou eu colocar a caixa no porta-malas do carro, dizendo que a devolveria depois que ela assinasse o contrato.”
Beto deu um tapa na mesa de centro.
“Cale a boca!”
Hugo rangeu os dentes.
“Não vou me calar. Vocês disseram que seria apenas por alguns dias, depois tentaram me fazer mandar mensagens no grupo ofendendo-a, e eu não mandei. Hoje ainda querem forçá-la a assinar; eu não vou participar disso.”
Essa foi a primeira rachadura.
Não era grande.
Mas era o suficiente para que todos na sala vissem a sujeira escondida ali.
O policial ordenou que Beto fosse buscar a caixa de joias.
Beto não se moveu.
O outro policial o encarou.
“Colabore.”
Beto finalmente levantou-se.
Ao chegar na porta, ele olhou para trás, para mim.
“Elara, você foi cruel.”
Respondi: “A porta foi arrombada por você, não por mim.”
Ele não disse mais nada.
Quando a caixa de joias foi retirada do porta-malas do carro de Beto, muitos moradores estavam reunidos do lado de fora.
A pulseira de ouro ainda estava lá.
A cópia da escritura do imóvel também.
O cartão de registro médico deixado por minha mãe fora usado por Dalva como apoio para um copo, deixando o canto úmido e manchado.
Peguei a caixa, mas não chorei.
Capítulo 12
Sofia guardou a caixa na sacola para mim.
Ela repreendeu Dalva: “Você teve coragem de pegar a lembrança da mãe dos outros? Não sente dor nas mãos por isso?”
Dalva foi irredutível.
“Quem sabia o que era aquilo? Achei que fosse apenas tranqueira.”
Luma, escondida atrás da multidão, murmurou: “Mãe, para com isso.”
Dalva virou-se para repreendê-la:
“Do que você tem medo? Ela vai te comer viva?”
Luma não se atreveu a dizer mais nada.
Os policiais levaram os envolvidos à delegacia para registrar os depoimentos.
Antes de irmos, Arthur me segurou:
“Elara, eu sou diferente deles.”
Sofia colocou-se diretamente à minha frente.
“Você é o mais sujo de todos. Se você não tivesse aberto a porta, eles teriam conseguido entrar? Sem a amostra de assinatura que você pegou, eles teriam como falsificar o contrato? O que você está fazendo aqui, posando de inocente?”
O rosto de Arthur alternava entre o pálido e o arroxeado.
“Sofia, isso é um assunto entre mim e Elara.”
Sofia deu um riso de escárnio.
“Assunto entre você e ela? Você deu a lembrança da mãe dela para outros, entregou a casa dela para os vizinhos, forçou-a a chamar a polícia e agora vem falar que é um assunto entre vocês dois? A sua cara de pau é hereditária?”
Alguém entre os moradores que observavam deu uma risada.
O olhar de Arthur escureceu.
“Elara, você vai deixar ela falar assim comigo?”
Olhei para ele.
“Ela foi até leve demais.”
Ele perdeu totalmente o controle da expressão.
“Não se arrependa depois. O casamento está cancelado, mas não espere que minha família devolva o sinal.”
Perguntei: “Quem assinou o contrato do hotel?”
Ele engasgou.
Peguei meu celular e abri as fotos enviadas pela empresa de organização de casamentos.
“No formulário de reserva do hotel, quem assinou foi Elara. No contrato de empréstimo habitacional, o último traço do ‘Elara’ foi pressionado com muita força, o que é diferente do meu hábito de assinatura.”
O rosto de Arthur ficou cinzento.
Continuei: “A empresa de casamentos possui o original da assinatura. Você pegou aquele modelo para copiar meu nome, não é?”
Arthur respondeu imediatamente: “Eu não fiz isso.”
Sofia entregou meu celular ao policial.
“Por favor, registre isso também.”
O policial olhou para Arthur:
“Você também vai conosco.”
Os lábios de Arthur tremeram, mas ele finalmente parou de fingir.
Na delegacia, Beto ainda tentava classificar o caso como uma disputa de empréstimo residencial.
“O noivo dela consentiu, nós achamos que ele tinha autoridade para decidir.”
O policial perguntou: “Você verificou a opinião da proprietária?”
Beto respondeu: “Eles já iam se casar, quem diria que eles separavam as coisas de forma tão rígida?”
Sentei-me à frente deles.
“Eu recusei pessoalmente o seu pedido antes de viajar.”
Dalva interrompeu: “Naquela época, você estava sendo apenas educada.”
Sofia riu alto.
“A palavra ‘inconveniente’ vocês traduzem como educação. Será que a palavra ‘polícia’ vocês querem que eu traduza como um convite para tomar um chá?”
Beto lançou um olhar furioso para ela.
O policial bateu na mesa:
“Falem de forma civilizada.”
Os depoimentos levaram três horas.
Registramos um a um: o histórico da fechadura, os vídeos, as mensagens do grupo, a notificação extrajudicial, as ameaças por mensagens privadas e a recuperação da caixa de joias.
O mais crucial era o contrato de empréstimo.
Exigi no local a coleta do original da assinatura na empresa de casamentos.
Arthur, sentado em um canto, levantou a cabeça ao ouvir isso.
“Elara, não há necessidade de chegar a esse ponto.”
Respondi: “Há necessidade, sim.”
Ele murmurou: “Admito que deixei eles entrarem, mas não fui eu quem escreveu o contrato.”
Beto virou-se imediatamente:
“Arthur, o que você quer dizer com isso?”
Arthur não olhou para ele.
“Eu apenas forneci a amostra; foi o Sr. Beto quem disse que encontraria alguém para escrever e assustar a Elara.”
Beto chutou a perna da cadeira.
“Você está mentindo!”
Dalva também se desesperou:
“Não foi você quem disse que ela era mole e que, se a pressionássemos, ela assinaria?”
O policial levantou o olhar.
“Parem de brigar e falem um de cada vez.”
O som daquela briga entre eles era mais prazeroso do que qualquer defesa.
Capítulo 13
Às duas da manhã, saí da delegacia.
Sofia colocou seu casaco sobre meus ombros.
“Aguenta firme?”
Assenti.
Ela disse: “Amanhã na mediação de moradores, eles certamente causarão tumulto. A administração, com medo de ser responsabilizada, tentará forçar você a aceitar um acordo.”
Olhei para a caixa de joias em minhas mãos.
Uma das bordas da madeira estava lascada.
Mas as palavras "Paz para Elara", esculpidas por minha mãe, ainda estavam lá.
Respondi: “Então que eles façam o tumulto na frente de todos.”
Sofia me olhou.
Mostrei-lhe a mensagem da empresa de casamentos no meu celular.
O dono da empresa dizia:
“Srta. Elara, o original está aqui. Pode vir buscar amanhã de manhã.”
Sofia finalmente sorriu.
“Amanhã teremos um bom espetáculo.”
Abracei a caixa de joias com força.
“Não é um espetáculo.”
Olhei em direção ao condomínio.
“É o acerto de contas.”
Na manhã seguinte, a administração fixou um aviso.
Às sete da noite, haveria uma reunião de mediação dos moradores do Bloco 2.
O objetivo oficial era mediar uma disputa de vizinhança.
O real era me forçar a aceitar um acordo.
Assim que entrei na sala de reuniões, ouvi Dalva chorando:
“Nossa família foi levada à delegacia e os idosos tiveram picos de pressão. Como uma jovem pode ser tão cruel?”
Beto estava sentado ao lado dela, com um curativo no rosto.
Dizem que ele tropeçou ao chegar em casa na noite anterior.