O cadeado caiu instantaneamente na fenda profunda e sem fim da geleira, desaparecendo sem deixar rastros.
"Já que nossos corações não estão mais no mesmo lugar, não há necessidade de manter isto."
Sua voz era mais fria que o vento gélido que soprava.
Lucas sentiu uma dor aguda no peito; ele cobriu o coração enquanto um gosto metálico de sangue subia à garganta, forçando-o a engolir.
"Clara, meu amor por você nunca mudou..."
Com a voz amarga, ele tirou de forma trêmula o amuleto da paz que havia restaurado antes de chegar e o estendeu para Clara.
"Veja, consertei o amuleto, não há um único arranhão. Mesmo que tenha sido danificado antes, não importa; tudo pode ser reparado, e nós também podemos..."
Clara pegou o amuleto; não havia emoção em seus olhos, apenas um sarcasmo profundo.
Ela o interrompeu diretamente.
"Lucas, coisas que foram destruídas, mesmo restauradas, nunca serão como no início." Sua voz não tinha temperatura. "Assim como nós, já não podemos voltar atrás. Desde o momento em que você escolheu aquela mulher, nós acabamos."
"Você não fez tudo aquilo no início justamente para me forçar a assinar o acordo de divórcio? Agora eu concordei, deixando você livre para ficar com ela; por que você insiste em fazer essas coisas? Não se sente ridículo?"
Ela olhava para ele, cada palavra como se estivesse banhada em gelo.
Lucas ficou pálido, avançando ansioso para tentar explicar: "Não é isso, Clara, acredite em mim, não existe nada entre mim e ela, nós apenas..."
"Apenas o quê? Vai dizer que estavam atuando de novo?" Clara interrompeu com uma risada fria. "Lucas, você me acha tão fácil de enganar, ou aos seus olhos eu sou realmente uma tola, a ponto de acreditar em um motivo tão absurdo?"
"Já que diz que estavam atuando, então para que afinal você encenou essa peça para me enganar?"
"Eu..."
Todas as palavras de Lucas foram bloqueadas.
Ele abriu a boca, mas não emitiu som algum, como se uma mão invisível estrangulasse sua garganta.
Ele queria explicar, mas percebeu que não havia por onde começar.
Clara tinha esquecido.
Qualquer coisa que ele dissesse aos olhos dela seria apenas uma mentira absurda.
Ela não acreditaria nele de jeito nenhum.
Clara virou-se resoluta e foi embora pelo mesmo caminho.
Ao ver as costas dela desaparecendo gradualmente, a força que mantinha Lucas de pé finalmente se dissipou.
Sentiu uma dor sufocante no peito; a ferida antiga, não cicatrizada, latejou sob o frio intenso, e ele começou a tossir incontrolavelmente.
O sangue acumulado há muito tempo não pôde mais ser contido, jorrando de sua boca e manchando a neve branca de um vermelho ofuscante.
"Sr. Lucas!"
O assistente, que o seguia o tempo todo, viu a cena e mudou de expressão, correndo para ampará-lo, com a voz embargada: "Por que o senhor faz isso consigo mesmo, forçando este corpo para escalar montanhas..."
Sem resposta, tudo ficou escuro diante de Lucas e ele desmaiou.
Ele foi enviado às pressas para o hospital novamente.
O médico avisou severamente que a ferida estava infectada e que o hematoma intracraniano corria risco de piorar devido ao frio extremo, exigindo repouso absoluto.
Ele permaneceu no hospital por dois dias, até que finalmente conseguiu sair da cama e ir novamente à pousada.
No entanto, recebeu a notícia de que Clara já havia partido.
"Sr. Lucas, descobrimos que a Sra. Clara voltou ao país ontem."
O assistente, vendo seu estado de desolação, sussurrou com pesar.
Lucas cambaleou, mas pediu imediatamente que o assistente reservasse as passagens para casa.
Capítulo 18
Após retornar ao país, Clara dedicou toda a sua energia à reconstrução da "Casa de Doces".
Aquele lugar carregava seu antigo sonho; ela não queria que fosse destruído e desejava restaurá-lo pouco a pouco.
No dia da reabertura, após o corte da fita, aquela mulher invadiu o local agressivamente.
Sem dizer uma palavra, começou a quebrar as coisas.
Felizmente, Clara já estava preparada e tinha contratado guarda-costas que detiveram a invasora.
"O que você está fazendo, enlouqueceu?"
Clara gritou severamente.
A mulher, contida por dois guarda-costas, continuava gritando.
"Soltem-me!"
Seu rosto estava vermelho e distorcido pela raiva, sua voz aguda. "Clara, você ainda tem a cara de pau de voltar? Você não tinha se jogado no mar? Por que não morreu? Jogando o jogo da vítima, não é? E ainda contou tudo àquela pessoa; você sabe o que ele fez comigo?"
Naquele dia no clube, depois que Lucas partiu, ela foi surrada pelos subordinados dele e jogada no porão por vários dias e noites.
Mais tarde, aproveitou uma distração dos guardas e fugiu.
Desde criança, ela nunca tinha sofrido tal tortura; só de pensar, desejava despedaçar os dois.
Mas a mais odiada ainda era Clara; se não fosse por ela, Lucas não a teria tratado assim.
"Clara, você acha que fazendo isso ele vai voltar para você? Pare de sonhar, não importa o que faça, nunca deixarei que ele fique com você!"
Clara franziu a testa, achando aquelas palavras absurdas.
"Não sei de que besteiras você está falando, mas eu e ele já estamos divorciados. Com quem ele ficará no futuro não é da minha conta; peço que parem de perturbar minha vida."
"Divorciados? Você se divorciaria dele?" Ela não acreditava, soltando uma risada sarcástica. "Ele tratou você tão mal antes e você continuou colada nele como um adesivo. Agora diz que estão divorciados? Quem vai acreditar!"
No meio da discussão, uma figura irrompeu no local.
Era Lucas.
Ele acabara de desembarcar e correu assim que recebeu a notícia; a ansiedade fez seu peito latejar violentamente.
Mas, no momento, ele não se importava.
Ele não podia permitir que o mal-entendido de Clara aumentasse.
"Clara, não a ouça. Já rompi totalmente com essa mulher. O que ela fez contra você, já a fiz pagar o preço. Se você ainda não estiver satisfeita, farei o que você quiser..."
A mulher observou Lucas tentando desesperadamente se distanciar dela diante de Clara.
Ouvindo aquelas palavras, o ódio em seu coração intensificou-se e ela gritou com Lucas.
"Lucas, se você a ama tanto, por que me procurou para encenar aquela peça? Você veio até mim, e agora, depois de me usar, quer me chutar. Aos seus olhos, o que eu sou!"
Lucas soltou uma risada fria, com olhos cheios de nojo.
"O que você é? Precisa que eu enumere aqui cada coisa que você fez?"
"Eu já tinha te poupado uma vez; se não fosse por isso, apenas pelo que você fez, eu poderia ter te colocado na cadeia."
"De onde você tirou coragem para vir aqui fazer cena!"
Clara observava friamente aquela farsa.
A discussão dos dois era como ruído em seus ouvidos, causando-lhe cansaço e irritação.
"Terminaram? Se querem encenar, vão para outro lugar, não atrapalhem meus negócios aqui."
Ela ordenou que os guarda-costas os expulsassem.
"Clara..."
Lucas ainda queria dizer algo.
Foi interrompido por Clara: "Saiam, não quero ver vocês nunca mais."
No final, ele e a outra mulher foram expulsos.
...
Faltavam apenas poucos dias para o prazo de um mês combinado com a guardiã do submundo.
Lucas olhava para o calendário com um desespero calmo.
Ele já sabia o desfecho.
Talvez, como dissera a guardiã, o destino deles estivesse realmente esgotado e eles estivessem destinados a se perder.
Ele não lutou mais, não forçou nada, apenas começou a organizar seus últimos assuntos com serenidade.
Ele chamou o advogado de divórcio de Clara, alterou os termos do acordo e transferiu todos os ativos sob seu nome para ela.
Só então assinou o documento.
"Se ela não concordar, se não quiser o dinheiro, então também não aceitarei o divórcio."
Ele temia que ela recusasse até o dinheiro dele.
Portanto, só podia usar esse meio para deixar tudo com ela.
"Se ela perguntar o motivo, diga que é uma dívida que eu tinha, apenas uma compensação."
Embora soubesse que talvez não fosse o suficiente, era tudo o que ele podia lhe dar.
O advogado, ao ver o rosto pálido e os olhos sem vida de Lucas, sentiu um aperto no peito e assentiu solenemente.
Após resolver tudo, Lucas foi à "Casa de Doces".
Ele só queria vê-la uma última vez, mesmo que fosse de longe.
Ele ficou na sombra da esquina, olhando para a figura esguia atrás da vitrine.
Seu olhar vagava sobre ela com ganância; queria memorizar sua imagem, gravá-la em seu coração.
Às dez da noite, Clara fechou a loja e saiu.
Lucas estava prestes a segui-la quando uma van preta parou rapidamente diante dela.
Vários homens vestidos como vândalos saíram e tentaram arrastá-la para dentro.
As pupilas de Lucas se contraíram e ele avançou por puro instinto.
"Larguem-na!"
Capítulo 19
Mas ele chegou um passo atrasado.
A porta do carro se fechou diante de seus olhos e o veículo partiu velozmente, levantando poeira.
Lucas viu, impotente, Clara sendo levada na van e seu coração quase parou.
Ele pressionou o peito, onde sentia uma dor dilacerante, tentando conter o gosto de sangue que subia pela garganta.
Enquanto chamava a polícia, correu para a beira da estrada e interceptou um carro.